Suicídios diminuem em países ricos durante primeiros meses da pandemia de Covid, aponta estudo

Apesar do estresse psíquico e emocional causado pela pandemia de Covid-19, o número de suicídios não aumentou durante os primeiros meses da crise sanitária global em países ricos, aponta estudo preliminar divulgado pelo periódico científico The Lancet Psychiatry.

De acordo com a pesquisa conduzida por cientistas da Universidade de Melbourne, em alguns casos, o número registrado é inferior ao observado em anos anteriores. Análise não incluiu países com renda baixa.

A análise, publicada nesta terça-feira (13), comparou o levantamento feito em 21 países entre os dias 1° de abril e 31 de julho de 2020 com os dados registrados no mesmo período quatro anos atrás.

Resultados preliminares mostraram que os países com renda alta e média-alta não sofreram aumento no número de casos registrados em 2020. Os autores não encontraram evidências de aumento no número de suicídios no período analisado em nenhum dos 21 países observados. Do número total de nações, 12 delas apresentaram redução no número de casos registrados.

Austrália, Áustria, Canadá, Inglaterra, Japão e Estados Unidos são alguns dos países que compõem a lista de nações de alta renda. Já México, Peru, Rússia, Equador e Brasil estão na lista de países de renda média-alta.

Os dados precisam ser interpretados com cautela, já que nem sempre correspondem à totalidade de registros de suicídios observados em todo o território nacional, mas sim uma análise pontual feita a partir de regiões específicas. É o caso da análise feita no Brasil, onde a investigação levou em consideração apenas duas cidades: Botucatu, no interior de São Paulo, e Maceió, capital do estado de Alagoas.

O estudo não incluiu a análise de países de renda baixa e média-baixa, que respondem por 46% dos suicídios no mundo, devido à ausência de uma base de dados confiáveis.

“Precisamos reconhecer que o suicídio não é o único indicador dos efeitos negativos da pandemia para a saúde mental – os níveis de angústia da comunidade são altos e precisamos garantir que as pessoas recebam apoio”, afirma Jane Pirkis, autora da pesquisa e diretora do Centro de Saúde Mental da Universidade de Melbourne, na Austrália.

Ao longo do tempo, os pesquisadores observaram que a saúde mental de um grupo específico pode ser afetado de acordo com as medidas de saúde pública – ou a ausência delas – , a capacidade dos serviços de saúde mental existentes, a força da economia e à criação de medidas de socorro para apoiar aqueles cujos meios de subsistência são afetados pela pandemia.

“Aumentar os serviços de saúde mental e programas de prevenção de suicídio, e fornecer redes de segurança financeira podem ajudar a prevenir os possíveis efeitos prejudiciais de longo prazo da pandemia sobre o suicídio”, afirma Pirkis.

Análise em tempo real

 

O estudo usou uma base de dados oficial do governo, que registrava o número de suicídios em tempo real. Os pesquisadores analisaram o número de suicídios mensais antes e durante a pandemia de Covid-19. Foram comparados dados de 1° de janeiro de 2019 a 31 de março de 2020 com números observados nos primeiros meses da pandemia para determinar como as tendências de suicídio mudaram durante a crise sanitária global.

“Usamos esses dados para modelar a tendência esperada caso a pandemia não tivesse acontecido. Em seguida, analisamos a contagem de suicídios nesses países e comparamos os números reais com as tendências esperadas”, explica Pirkis.

“Nos primeiros meses da pandemia não houve evidência de aumento de suicídios em nenhum dos países que analisamos”, completa.

De acordo com a pesquisadora, não é possível dizer com exatidão o que causou os bons resultados observados nos países ricos, mas os mecanismos empregados por algumas nações para mitigar os efeitos da Covid, como expansão dos serviços de saúde mental e de prevenção ao suicídio, o senso de comunidade e os serviços de apoio emergencial durante a crise podem estar relacionados à queda do número de mortes.

Fonte: G1

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