Gustavo Mendanha circula pelo Entorno do DF

Aparecida de Goiânia parece Juazeiro e Gustavo Mendanha, do MDB, parece o Padre Cícero de Goiás. Há verdadeira romaria de prefeitos e líderes políticos procurando o líder político. O que eles querem realmente?

Primeiro, conhecer a gestão do prefeito que, na disputa de 2020, foi reeleito com 95,81% dos votos válidos. A segunda colocada, Márcia Caldas, do Avante, obteve 3,02% dos votos.

Segundo, querem ouvir do prefeito — que escuta mais do que fala — a pergunta de 1 milhão de dólares: vai ou não disputar o governo de Goiás em 2020? Depois, fazem a pergunta de 500 mil dólares: vai apoiar Daniel Vilela, presidente do MDB, para o governo?

As respostas para as perguntas podem ser obtidas a partir das conversas mantidas por Mendanha com políticos do Entorno de Brasília, notadamente em Luziânia.

Mendanha ficou um bom tempo no Entorno, onde é desconhecido de 98% dos eleitores, segundo uma pesquisa. Lá, na recente peregrinação, foi recepcionado por, entre outros, o deputado Célio Silveira, do PSDB, o prefeito de Valparaíso de Goiás, Pábio Mossoró, do MDB, e o presidente do MDB de Anápolis, o empresário e dentista Márcio Corrêa.

Pois bem: Mendanha será candidato a governador? Ele disse aos interlocutores, nas conversas privadas, basicamente o seguinte:

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Primeiro, se Daniel Vilela disser que será candidato a governador, o apoiará sem pestanejar. Os dois não estão brigados, não há atrito algum entre eles. Firmaram o pacto-mosqueteiro de que um apoiará o outro em qualquer decisão que for tomada. Nas conversas, chegou-se a perguntar se o presidente do MDB será candidato a deputado federal. O prefeito não respondeu. Só reafirmou que, se ele for candidato ao governo, estará 100% sem seu palanque.

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Segundo, se Daniel Vilela não for candidato, tende a colocar seu nome na disputa, mesmo sacrificando dois anos e nove meses de sua gestão e correndo o risco de não contar com o apoio de seu vice, Vilmarzinho Mariano, com o qual, apesar dos salamaleques de praxe, não se dá bem. O vice sairia do Entorno do DF. O nome preferido é o do deputado federal Célio Silveira, do PSDB (de saída).

Daniel Vilela, presidente do MDB no Estado de Goiás, e Gustavo Mendanha: os dois políticos  formataram o “pacto-mosqueteiro” | Foto: Divulgação

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Terceiro, Mendanha teria dito, segundo as fontes consultadas pelo Jornal Opção, que, se o governador Ronaldo Caiado estiver muito bem, em 2022, não se arriscará a deixar a prefeitura por uma aventura política.

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Quarto, o prefeito também admitiu que conversou, demoradamente, com dois auxiliares do governador Ronaldo Caiado — o presidente do Detran, Marcos Roberto Silva, e Marcos Cabral, assessor especial do gestor estadual; são dois homens da cozinha do líder do partido Democratas —, sobre uma composição político-eleitoral. Mendanha não tergiversou, quando inquirido pelos políticos do Entorno, e admitiu que, mesmo tendo a intenção de disputar o governo, poderá aceitar uma composição com o governador.

Mendanha teria dito que, no caso de composição, o vice de Ronaldo Caiado poderá ser ele ou Daniel Vilela. Um dos dois também poderá disputar mandato de senador.

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Quinto, nas conversas, Mendanha revelou que tem conversado sobre a sucessão de 2022 com o senador Vanderlan Cardoso — que esteve na prefeitura para discutir o próximo pleito —, o pré-candidato a governador pelo Patriota, Jânio Darrot, o empresário Sandro Mabel (pré-candidato a deputado federal; é cotado para vice-governador) e emissários do ex-governador Marconi Perillo.

Ronaldo Caiado, governador de Goiás, e Gustavo Mendanha, prefeito de Aparecida de Goiânia: juntos, formatariam uma chapa renovada | Foto: Reprodução

Os interlocutores do Entorno de Brasília dizem que Mendanha não se sente confortável ao discutir a sucessão de 2022 com políticos do PSDB — dado o desgaste de seus líderes, como Marconi Perillo e José Eliton. Porém, ao mesmo tempo, teria sugerido que não se descarta apoio — desde que não se queira participar da chapa majoritária.

Ao final das conversas, avaliando o somatório das falas, o que se pode concluir? Que, de fato, Mendanha é uma alternativa do MDB para o governo do Estado. Ele está realmente motivado, embora saiba, e admita isto, que o “perfil” da disputa de 2022 não é similar ao de 1998, quando Marconi Perillo derrotou um ícone da política de Goiás — Iris Rezende Machado, então com 65 anos. O MDB, sabe-se, estava no poder havia 16 anos. Em 2022, ao final do mandato, Ronaldo Caiado terá completado quatro anos de governo, ou seja, possivelmente não haverá até o pleito, em outubro, daqui a um ano e cinco meses, um desgaste sedimentado e, portanto, intransponível.

A tese de Mendanha, exposta aos líderes do Entorno de Brasília, é que vencer Ronaldo Caiado será uma missão de Hércules. Sem desgaste amplo — e não há, por exemplo, desgaste moral —, o governador está voando em céu de brigadeiro. Resta esperar um pouco mais, teria sugerido o prefeito.

Um político do Entorno de Brasília, que ouviu Mendanha atentamente — e gostou do que ouviu, por considerá-lo “sensato” e “equilibrado” —, apresentou uma tese que merece registro. “De cara, esclareço que não ouvi o que vou dizer da boca de Gustavo. Trata-se de uma inferência minha. O que percebi, e posso estar equivocado, é que o MDB quer realmente compor com o governador Ronaldo Caiado. Mas sabe que a resistência a uma aliança entre o emedebismo e o caiadismo é alta. Porém, se o partido mantiver nomes fortes e renovadores no páreo, uma negociação será facilitada. Depreendo que Gustavo é a figura que está tencionando a base caiadista para cavar uma vaga de vice-governador na chapa de Ronaldo Caiado para Daniel Vilela.”

Outro emedebista contrapõe: “Gustavo realmente quer disputar e acredita que há uma oportunidade. Mas, como tem certa experiência, sabe que precisa esperar um pouco mais. Mas em política não se espera parado. Por isso, está agindo, começando a circular no Estado, para se apresentar. Portanto, se houver uma oportunidade, poderá disputar o governo em 2022. No momento, o quadro não é bom para Gustavo e para nenhum outro candidato. Mas a política muda muito, e às vezes rapidamente. O que o prefeito está dizendo aos eleitores e aos políticos de Goiás é: ‘Estou aqui, vivo, forte e saudável. Comecem a observar minha trajetória’. Então é isto: ele está se mostrando, se apresentando. E parece muito mais motivado, em termos políticos e eleitorais, do que Daniel Vilela. Eu admiro sua frieza e capacidade de articular. Por isso não me assustarei se disputar o governo ou se aceitar a vice de Ronaldo Caiado”.

Na passagem por Luziânia, Gustavo “Justin Gatlin” Mendanha, de 38 anos, estava tão animado que desafiou o prefeito Diego “Usain Bolt” Sorgatto (Democratas), de 30 anos, para uma corrida. O gestor do município, que joga futebol e é ás do ataque (um velocista), não pôde aceitar o desafio. Mas ficaram de duelar mais adiante. Os árbitros da disputa serão Célio Silveira e Pábio Mossoró.

 

Fonte: Jornal Opção

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