De emparedado a líder

Por Waldir Gualberto de Brito

 

Sou petista, daqueles que sabem reconhecer e admirar uma gestão bem feita, seja de direita, esquerda, extrema-direita, extrema-esquerda ou centro. O oposto daqueles que acreditam que ser petista significa ser sinônimo de preguiçoso e ladrão.
Uma velha raposa da política mineira, saudoso Magalhães Pinto, disse em uma oportunidade: “Política é como nuvem: você olha e ela está de um jeito, olha de novo e ela já mudou.”
A célere frase do velho político mineiro, se evidenciou no Big Brother Brasil 2021, com Gil do Vigor que, no mesmo dia, metamorfoseou-se de emparedado a líder, num piscar de olhos.
Na política, o carlismo comandou a Bahia ao longo de 4 décadas e, posteriormente, amargando quatro derrotas sucessivas da esquerda desde 2006. Com o neto de Antônio Carlos Magalhães, ACM Neto, que proporcionou aos soteropolitanos duas excelentes gestões e elegendo seu sucessor Bruno Reis, a direita volta a sonhar com a perspectiva de novamente governar a Bahia, mas para isso terá que derrotar o PT, que tem à frente o governador Rui Costa e seu provável candidato ao Palácio de Ondina, o ex-governador Jacques Wagner.
Já em Goiás, Iris Rezende Machado, goiano de Cristianópolis que, após uma ascensão meteórica na carreira política de vereador a governador, ocupando inclusive os postos principais dos Ministérios da Agricultura e Justiça, em seguida sofre amargas derrotas por 5 eleições consecutivas para o grupo marconista que, então, soma 20 anos no comando do governo estadual, restando a Íris o comando da gestão municipal de Goiânia, onde se consagrou como um dos melhores, talvez o melhor prefeito da capital goiana, encerrando seu mandato com aprovação popular recorde de 74% (IBOPE), enquanto aquele que o derrotara em 1998, Marconi Perillo, encontra-se momentaneamente no ostracismo.
Luiz Inácio Lula da Silva, após presidir a República Brasileira entre 2003 e 2010, nela elege sua sucessora ao Palácio do Planalto.
Posteriormente, amarga 580 dias de prisão, liberto em 08/11/2019. Com direitos políticos liberados pelo STF, o ex-presidente petista vislumbra à frente governar o Brasil pela terceira vez.
Política é como nuvem e alternam-se as pedras do xadrez: um dia são cavalos ou peões, outro dia são bispos, rainhas ou reis. Um dia é juiz, outro dia é réu. A nós mortais, resta votarmos.
Em 2 de outubro de 2022, às 22 horas daquele domingo abençoado, saberemos, acerca dos novos dirigentes brasileiros, se os bons ventos fluirão dos emparedados ou dos ex-prisioneiros a líderes, ou se as boas nuvens acompanharão os líderes ou mitos ou, quiçá, terceira, quarta ou quinta vias…

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