Hora e a vez das advogadas serem protagonistas

Nos meus 25 anos de advocacia, presenciei e participei de várias eleições da Ordem dos Advogados do Brasil – Seção de Goiás. Conheci grandes líderes e protagonistas desse evento extremamente emocionante. Dentre eles Eli Alves Forte, Felicíssimo Sena, Julpiano Chaves Cortez e ainda presenciei a passagem de Ana Maria de Morais, como presidente da OAB-GO em pequeno espaço de tempo.

De outro ponto, conheci o honrado trabalho de Cármen Lúcia Barbosa de Souza Carneiro à frente do Instituto dos Advogados de Goiás, esta, que por sinal, tanto labutou pela manutenção do IAG. E trouxe para palestrar em Goiás aqueles que eram os maiores estudiosos da época, dentre eles Miguel Reale.

Nas lidas eleitorais, verifiquei o aumento de advogadas participando, mas sempre em quantidades bem inferiores ao de advogados e poucas alcançavam cargos com maior visibilidade. A alegação sempre era a mesma, as mulheres não tinham interesse por política e era muito difícil persuadia-las para que participassem. No entanto, para funções burocráticas dos comitês e nas visitas aos escritórios lá estavam as advogadas lutando por seus candidatos (homens). Pela ausência de respaldo, consideração e até incentivo, vi várias colegas desistindo de suas candidaturas.

Na segunda gestão do presidente Henrique Tibúrcio, tive a honra de estar ao lado de conselheiras extremamente estudiosas e aguerridas. Naquela gestão, conselheiras e demais advogadas lutavam para a obrigatoriedade mínima de 30% de advogadas em cargos do conselho e da diretoria. Avanço pela igualdade social que refletiu, posteriormente, na luta pela paridade.

Hoje, as advogadas já lutam pela paridade, ato mais que justo, pois são maioria. Atualmente tem-se mais advogadas que advogados inscritos na OAB-GO e elas estão por todos os lados e atuando em todas as áreas. Do Criminal ao Empresarial.

São referência no ramo jurídico, ministrando palestras, seminários e escrevendo livros e artigos. Mesmo assim são poucas que assumem ou assumiram cargos diretivos ou de maior representação frente à OAB-GO. Na maior parte das vezes, a diretoria é representada por uma advogada, já no conselho federal, raras as vezes tivemos conselheiras federais.

A mudança de paradigmas e verdadeira valorização das advogadas passa, claramente pela composição de chapas que cumpram com o critério de paridade. Paridade com verdadeiras advogadas, aquelas que realmente saibam das agruras da advocacia. A profissional lutando pelo respeito da categoria e dos Tribunais. São inúmeros os casos de colegas que são humilhadas por terceiros pura e simplesmente por serem mulheres.

Além de uma pré-candidata protagonista ao pleito deste ano, Valentina Jugmann, temos outros nomes de extremo potencial que podem muito bem participar em cargos diretivos como Pollyana Fleury, Patrícia Centeno, Flávia Mendanha, Sônia Maria Carneiro, Arlete Mesquita, Carla Zanini, Manoela Gonçalves, Sirley Oliveira dentre inúmeras outras.

As que citei e mais tantas outras têm currículo de extrema qualidade, experiência jurídica e classista, sabedoria e garra para a construção de uma instituição mais representativa, acolhedora tanto da nova advocacia quanto aqueles que estão encerrando suas atividades. Uma entidade que verdadeiramente representa os anseios das subseções, sendo a porta voz das grandes dificuldades que passam os que labutam na advocacia das cidades interioranas. O equilíbrio representativo deve ser símbolo e um dos principais propósitos da nossa OAB-GO.

É certo que é hora e a vez de que as advogadas tenham verdadeiramente vez e poder dentro da instituição. Cabe àqueles que estão organizando as chapas reconhecerem a representatividade feminina e que as mesmas, não importando que sejam de grupo “A”, “B” ou “C”, sejam realmente respeitadas e possam galgar uma quantidade de cargos na mesma equivalência e qualidade que os advogados. Paridade e respeito que já passaram do tempo de ser cumpridos.

*Leonardo Bezerra Cunha é advogado em Goiânia, ex-conselheiro seccional da OAB-GO

 

Fonte: Rota Juridica 

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