Joias raras dadas à filha de Napoleão são leiloadas por mais de R$ 8,4 milhões

Um conjunto raro de joias pertencente a Stephanie de Beauharnais, grã-duquesa de Baden e filha adotiva de Napoleão Bonaparte, superou as estimativas durante leilão na quarta-feira (12) e foi vendido por 1,52 milhão de francos suíços (R$ 8,87 milhões).

Com nove peças, a coleção é composta por uma tiara, brincos, um anel, uma pulseira e pingentes. As joias da tiara e da pulseira – outrora parte de um cinto – foram reformadas pela filha da grã-duquesa, a princesa Josefina.

As joias foram vendidas individualmente na Christie’s, em Genebra, 200 anos após a morte do imperador francês. Cada item excedeu as estimativas iniciais da casa de leilões, que variaram de 10 mil a 250 mil francos suíços (R$ 58 mil a R$ 1,45 mi) por peça. O maior lance foi para uma tiara de safira e diamante que rendeu 525 mil francos suíços (mais de R$ 3,06 mi).

“Sob a corte de Napoleão, joias eram uma parte essencial da moda e as mulheres usavam combinando, tiaras, colares, pulseiras, broches, anéis, brincos e cintos decorados com pedras preciosas”, disse o especialista da Christie’s, Lukas Biehler, em um e-mail antes do leilão.

“A moda ditava que a cintura era muito alta nos vestidos e as damas da corte precisavam de um cinto, que era colocado logo abaixo do decote. Safiras de alta qualidade eram incrivelmente raras, pois estamos falando de um período anterior à mineração industrial.”

Também foi destaque na venda da Christie’s uma coroa de safira e diamante que pertenceu à monarca português do século XIX, Maria II, cuja filha, Infanta Antónia, acabou se casando com o neto de Stephanie de Beauharnais, príncipe Leopoldo de Hohenzollern. A coroa foi vendida por 1,77 milhão de francos suíços (R$ 10,32 mi).

No entanto, um diamante de 100,94 quilates, que a Christie’s disse ser a maior pedra já lapidada na Rússia, foi vendido por 12,84 milhões de francos suíços (R$ 74,87 milhões).

O conjunto Beauharnais foi feito no início do século XIX com 38 safiras originárias do Ceilão (hoje Sri Lanka), de acordo com um comunicado à imprensa da Christie’s. Os brincos são feitos de safiras em forma de pêras e almofadas, enquanto o colar apresenta safiras em degraus octogonais – todas rodeadas por diamantes.

Uma nota escrita encontrada com as caixas de joias indicava que a prima da Grã-Duquesa de Baden, Hortense de Beauharnais, deu a ela o conjunto, de acordo com a Christie’s.

“É possível que Stephanie tenha comprado a parure de sua querida prima”, disse Biehler, apontando para a estreita relação entre as duas que foi documentada por meio de suas extensas cartas, que residem na coleção da Fondation Napoleon em Paris.

As joias são semelhantes em estilo a um colar de esmeraldas e diamantes e um conjunto de brincos presentes no Victoria & Albert Museum em Londres, que se acredita ter sido um presente de Napoleão e sua consorte Joséphine para a grã-duquesa. De acordo com a descrição do museu, “as grandes pedras e a simplicidade do desenho são típicas das joias apreciadas na corte de Napoleão”.

Acredita-se que o conjunto do Victoria & Albert Museum, também parte de um grupo maior, tenha sido um presente de casamento para seu casamento arranjado com o grão-duque de Baden em 1806. O próprio Napoleão não tinha herdeiros diretos no momento de sua morte.

 

Fonte: CNN

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