Ruralistas e evangélicos se unem para mostrar força em ato pró-Bolsonaro

Ruralistas e evangélicos marcaram duas manifestações em Brasília para este sábado (15/5), em apoio ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Em busca de maior adesão, os dois movimentos devem se unir em um só.

O primeiro ato, promovido pelo Movimento Brasil Verde e Amarelo e intitulado “O Agro e o Povo pela Democracia”, promete levar tratores e máquinas agrícolas para a frente ao Congresso Nacional, mas o esquema de segurança deve impedir a entrada dos equipamentos na Esplanada dos Ministérios.

A concentração será no Parque Leão da Vaquejada e seguirá até a Biblioteca Nacional, onde os caminhões irão estacionar e o grupo vai marchar a pé pela Esplanada. O presidente Bolsonaro é esperado para falar em um dos carros de som. “Dia 15 estarei na esplanada ao lado do Agro, locomotiva da nossa Economia”, escreveu o presidente, junto com o vídeo do presidente da Aprosoja.

De acordo com um dos organizadores, Jeferson Rocha, produtor rural de Santa Catarina, a expectativa pela presença do mandatário é grande. Trinta nomes de organizadores foram encaminhados previamente para o Gabinete de Segurança Institucional (GSI).

Mais de 100 sindicatos rurais estão apoiando o ato na capital federal. Os integrantes fazem parte de entidades como a Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja), a Associação Nacional de Defesa dos Agricultores, Pecuaristas e Produtores da Terra (Andaterra) e a Associação dos Cafeicultores do Brasil (Sincal). Procuradas pelo Metrópoles, as entidades afirmaram que não respondem institucionalmente pelo movimento.

Apesar de essas entidades serem vinculadas às federações capitaneadas pela Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária (CNA), a CNA não confirma envolvimento institucional no ato.

Procurada, a Frente Parlamentar da Agropecuária, popularmente conhecida como bancada ruralista, também disse não se envolver em atos do tipo. O presidente da frente, deputado Sérgio Souza (MDB-PR), é aliado do presidente Bolsonaro.

Entre os políticos esperados, estão o deputado e vice-líder do governo José Medeiros (Podemos-MT) e a deputada Aline Sleutjes (PSL-PR), presidente da Comissão de Agricultura da Câmara.

“Tem gente que adora reclamar, reclama do desemprego, reclama da falta de dinheiro, reclama da falta de estrutura, reclama do Brasil, mas tem uma coisa que ninguém pode reclamar: do homem e da mulher do campo. É por isso que neste sábado estaremos aqui em Brasília na maior manifestação de apoio ao presidente Bolsonaro”, disse ela, em vídeo nas redes sociais.

Os organizadores convidaram a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, mas ela não confirmou presença até o momento.

No início, a estimativa era de 2 mil a 3 mil produtores, mas agora a espera-se entre 10 mil e 50 mil manifestantes. Há 200 ônibus confirmados, além de caravanas independentes não contabilizadas. No primeiro ato do Movimento Brasil Verde e Amarelo, realizado em 2018, foram 12 mil produtores em Brasília, segundo os organizadores.

Os estados que devem enviar o maior montante de pessoas são Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Bahia.

Pautas

Apesar de ter como mote demandas de produtores rurais, como o apoio à regularização fundiária — projeto que está em análise na Câmara dos Deputados —, a manifestação possui pauta difusa. Uma delas é a defesa do voto impresso. Uma comissão especial foi instalada esta semana na Câmara pelo presidente da Casa, Arthur Lira (PP-AL).

O ato pretende deve demonstrar apoio irrestrito a Bolsonaro, com críticas à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid e a adversários políticos do presidente, como o senador Renan Calheiros (MDB-AL). Na pauta, estão ainda críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF), que se tornou uma das bandeiras mais caras ao bolsonarismo.

“O agro hoje quer a permanência do presidente Bolsonaro e dar um recado muito claro para a grande mídia, para a esquerda, de que o presidente tem o nosso respaldo e vai continuar tendo”, disse o deputado estadual em Goiás Paulo Trabalho (PSL), em live pelas redes sociais na última quinta-feira (13/5).

Sindicatos fretaram ônibus para Brasília, que começaram a sair dos estados no fim da semana. Segundo Jeferson Rocha, o custeio das faixas e o transporte dos grupos não foi feito pelos sindicatos, mas pelas lideranças, que organizaram campanhas de arrecadação via grupos de WhatsApp.

“Não é um movimento de entidades, é das lideranças que estão à frente dessas entidades. Por exemplo, o custeio dos ônibus, de faixas partiu de pequenos grupos de WhatsApp em cada estado, aí fazia-se uma arrecadação. Não ficou um negócio institucional”, afirmou o organizador.

Presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja), Antonio Galvan gravou vídeos convocando produtores rurais do país para integrar as caravanas de vários estados em direção à capital.

Em um dos vídeos, Galvan cita Argentina, na Venezuela e na Bolívia, países vizinhos governados por presidentes de esquerda e que, segundo ele, podem representar o futuro do Brasil. “Vamos estar juntos, no dia 15/5, nesta luta incessante pelas nossas liberdades”, diz o dirigente da associação.

Em um áudio distribuído em grupos de WhatsApp, Galvan desabafou sobre a dificuldade em obter “soldados” para lutar pela agenda bolsonarista. Ele reclama da dificuldade em fretar ônibus.

Dada a dificuldade em conseguir maior adesão entre os produtores, Galvan passou a divulgar novos vídeos estendendo o convite para o ato a comerciantes e industriais insatisfeitos com medidas de isolamento e lockdown decretados por estados.

Marcha da Família

Para engrossar o movimento, o grupo de produtores passou a divulgar conjuntamente outro ato que vai acontecer em Brasília no mesmo dia.

A 2ª edição da Marcha da Família Cristã pela Liberdade terá início às 9h, na Esplanada dos Ministérios. A data coincide com o Dia Internacional da Família. A primeira edição foi realizada há cerca de um mês em algumas capitais do país.

“Nós vamos permanecer na Esplanada junto com o pessoal do agro o dia inteiro, quem manda é o agro”, afirmou o coordenador nacional da marcha, Wellington Macedo, pelas redes sociais.

“Não pedimos intervenção militar, pedimos intervenção divina”, diz uma das peças de divulgação do ato cristão.

Wellington Macedo foi pessoalmente ao Palácio do Planalto na última terça-feira (11/5) para convidar o presidente para o ato. Segundo ele, o presidente vai comparecer a cavalo e irá acompanhado de ministros de Estado. Em maio de 2020, o presidente usou um cavalo da Polícia Militar para prestigiar uma manifestação a seu favor na Esplanada.

Uma carta convite assinada por Macedo alega que o país está sendo “sequestrado pelo comunismo” em razão de fechamentos de igrejas decretados como forma de conter a propagação do coronavírus. “Prática antes só vista em países onde o comunismo controla”, diz o texto.

Entre as figuras públicas que apoiam o ato, estão a deputada federal Bia Kicis (PSL-DF) e o pastor e ex-senador Magno Malta.

Os organizadores alegam que a mobilização vai respeitar todos os protocolos sanitários e obedecer as normas do Ministério da Saúde. “Todos os participantes serão orientados a estarem de máscaras e mantendo o distanciamento”, ressalta a convocação, adicionando que o modelo será semelhante a uma procissão.

Bolsonaro disse a apoiadores que pretende participar de ambos os atos. Tanto ruralistas quanto evangélicos são grupos que dão sustentação a ele desde a campanha eleitoral 2018. Segundo última pesquisa Datafolha, Bolsonaro e Lula empatam tecnicamente no segmento evangélico, com o petista numericamente à frente: 35% a 34%.

 

Fonte: Metrópoles

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