Valentina não abre mão de candidatura na OAB/GO: “É para valer, estamos muito confiantes”

Apesar da equidade de gênero existente entre os advogados inscritos na Ordem dos Advogados do Brasil, a seção Goiás nunca viu sua cadeira de presidente ser ocupada por uma mulher. Criada em 1932, apenas homens conseguiram se eleger presidentes. Quem quer mudar esse cenário é a advogada e procuradora do Estado de Goiás, Valentina Jungmann.

Dona de um projeto que leva o seu nome: “Valentina: Paridade Já!”, ela já conquistou uma vitória ao longo do ano passado, em 2020. As chapas deverão atender agora ao percentual de 50% para candidaturas de cada gênero, tanto para titulares como para suplentes. Atualmente os percentuais são de, no mínimo, 30% e, no máximo 70% por gênero. Mas quer mais. Em entrevista ao Diário de Goiás, a procuradora está convicta que sua pré-candidatura será consolidada. “Deixo claro, que não há qualquer possibilidade de transacionarem a cabeça de chapa”, crava. “Já temos um grupo numericamente e com grande representatividade que compõe esse novo grupo que continua na gestão mas que não irá caminhar com o candidato escolhido pelo atual presidente”.

Além do desafio de ser mulher frente à política na advocacia, Valentina elenca outros desafios: a própria pandemia que assola o mundo, é uma delas. “Hoje o que nos chama a atenção é a pandemia. Sabemos que alguns segmentos não sofreram tanto impacto com a pandemia, mas a advocacia está sim muito sofrida pelos defeitos econômicos da pandemia. Veja que apesar de sermos considerados uma função essencial, tivemos de lutar para reabrir escritórios de advocacia, temos uma Justiça trabalhando ou funcionando de forma remota. Temos segmentos da advocacia que estão tendo mais dificuldades que outros. Por exemplo: a advocacia criminal para conversar com os clientes que estão encarcerados, só para citar um exemplo”, destaca.

Valentina atribui o número alto de pré-candidatos, inclusive, saindo do mesmo grupo que antes apoiava o atual presidente da entidade, Lúcio Flávio de Paiva, ao próprio candidato. “Ele garantiu aos pré-candidatos, inclusive a mim, que iria ouvir o grupo na capital e interior para fazer a decisão. Se ouviu, não levou em consideração e a escolha acabou acarretando algumas insatisfações, eu diria, que no meu caso mantive a minha pré-candidatura, até mesmo por entender que essa era a vontade de uma parte considerável do grupo, que inclusive me acompanha na minha pré-candidatura, e eu aproveito para reforçar que para mulher na política, ela tem alguns obstáculos e até mesmo para demonstrar que a candidatura é séria e para valer”, explicou.

Advertisement

Confira os principais trechos da entrevista com a pré-candidata a presidência da OAB-GO, Valentina Jungmann:

PARIDADE DE GÊNERO NAS ELEIÇÕES:

Eu diria que essa é uma das nossas propostas, mas sem dúvida, fiquei conhecida por causa do projeto Paridade, que foi denominado de Projeto Valentina Paridade Já, pela sua importância, eu diria, nas próximas eleições na OAB. Com esse projeto vamos alterar, aquele percentual previsto mínimo de 30% e máximo de 70% para cada um dos generos na formação da chapa nas próximas eleições, adotando o percentual igualitário de 50% de homens e mulheres não só no Conselho, mas também nas diretorias das subseções, da seccional, Conselho Federal e da Caixa de Assistência.

PARTICIPAÇÃO DAS MULHERES DEVE SER FORTALECIDA:

Eu diria que na história da OAB, ela demonstra que apesar das mulheres terem uma participação ativa na Instituição e sermos hoje mais da metade dos inscritos, infelizmente a participação da mulher advogada nos espaços de decisão da OAB, essa participação é ínfima. Se você observar que nós temos uma diretoria no Conselho Federal com cinco cargos, são cinco cargos ocupados por homens. Dizem que o sistema da OAB é presidencialista. Nas 27 seccionais, os 27 presidentes eleitos são homens. Na OAB Goiás em 80 anos nós nunca tivemos uma candidata mulher. Isso demonstra que há a necessidade de se adotar ações e medidas para tornar mais igualitária, ainda que numericamente a participação de mulheres. Foi esse o objetivo do Projeto Paridade, possibilitar que mulheres que não fazem parte do sistema OAB, a jovem advogada tivesse um espaço para contribuir com sua experiência, necessidades e dificuldades para que adotássemos medidas para diminuir essas dificuldades no exercício profissional, mas eu diria, que é muito importante que a OAB ela tenha a cara da advocacia brasileira na atualidade.

EQUIDADE RACIAL NA OAB

E, se formos olhar, o projeto Paridade caminhou de mãos dadas com outro projeto muito importante que é o equidade racial, nós teremos também nessa eleição para registro das chapas, terão de vir formadas não só por 50% de homens e mulheres, nos cargos de titulares e suplentes, mas também terá de vir formada com 30% da advocacia preta e parda. Porque são mulheres e integrantes das advocacia preta e parda que sabem quais são as dificuldades que elas passam no dia-a-dia profissional e quais as ações e medidas que deverão ser adotadas para adequar a participação no exercício profissional. É por defender essas bandeiras que esse projeto de pluralidade, de maior representatividade na OAB, de maior proximidade da nossa instituição com a advocacia inscrita em Goiás, é sim, uma das nossas metas e projetos.

DESAFIOS FRENTE À GESTÃO

Eu diria nas gestões passadas, principalmente quando assumimos a gestão no primeiro mandato, eu diria que tivemos de por ordem na casa. Hoje o que nos chama a atenção é a pandemia. Sabemos que alguns segmentos não sofreram tanto impacto com a pandemia, mas a advocacia está sim muito sofrida pelos defeitos econômicos da pandemia. Veja que apesar de sermos considerados uma função essencial, tivemos de lutar para reabrir escritórios de advocacia, temos uma Justiça trabalhando ou funcionando de forma remota. Temos segmentos da advocacia que estão tendo mais dificuldades que outros. Por exemplo: a advocacia criminal para conversar com os clientes que estão encarcerados, só para citar um exemplo.

NÃO ABRE MÃO DA CANDIDATURA: ‘É PARA VALER, ESTAMOS MUITO CONFIANTES’

Como a lei eleitoral da OAB é muito rígida ela não nos permite falar ainda neste momento que ainda estamos em candidatura e por isso que falamos em pré-candidatura. Deixo claro, que não há qualquer possibilidade de transacionarem a cabeça de chapa. Já temos um grupo numericamente e com grande representatividade que compõe esse novo grupo que continua na gestão mas que não irá caminhar com o candidato escolhido pelo atual presidente. E somente por uma regra eleitoral que a gente não fala em candidatura. Falamos apenas em pré-candidatura. É para valer, vamos em frente, estamos muito confiantes que o nosso projeto é inclusivo, é um projeto que trará para a OAB mais representatividade, temos muitas propostas de renovar e inovar a própria OAB já que o nosso estatuto é de 1994. Tem questões como eleição direta para Diretoria do Conselho Federal, a revisão da lista sêxtupla para o quinto constitucional. Tudo isso, previsto no nosso estatuto, acreditamos que temos sim que trabalhar para renovar, mas também temos que estar atentos aos reclames diários da advocacia brasileira, e principalmente, da goiana que tem enfrentado dificuldades para exercer com dignidade a sua profissão que nós sabemos que é essencial à Justiça.

ESTRUTURA POLÍTICA

Nós estamos caminhando muito bem. Já temos nosso escritório político que está sendo adaptado para recebermos e trabalhar específicamente buscando fortalecer a nossa pré-candidatura. Já temos um escritório jurídico nos acompanhando, temos o marketing. Estamos tratando com a nossa segunda pesquisa. Acredito que de uma forma organizada vamos conseguir vencer o uso da máquina. Eu acredito que essa eleição será diferenciada em decorrência da pandemia.

(Com edição de Domingos Ketelbey) – Diário de Goiás 

print