Bolsonaro sai em defesa de Nise Yamaguchi: “É uma covardia”

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou nesta terça-feira (1º/6) que a médica Nise Yamaguchi foi “humilhada” durante audiência da CPI da Covid, que investiga ações e omissões do governo federal durante a pandemia de coronavírus.

“Hoje estava lá a Nise Yamaguchi — estudiosa no assunto — e está sendo humilhada. É uma covardia. Covardia. Um cara [Renan] com 17 inquéritos no Supremo [Tribunal Federal]; PhD em corrupção, e tentando fazer o que? Mas olha que ridículo”, desabafou.

A comissão busca saber se Nise integrava um suposto “gabinete paralelo” ao Ministério da Saúde, que teria aconselhado Bolsonaro sobre ações para lidar com a pandemia. Aos senadores, a médica disse que não participa e que desconhece a existência de tal grupo.

Durante conversa com apoiadores, no Palácio da Alvorada, Bolsonaro disse que o relator do colegiado, senador Renan Calheiros (MDB-AL), tem “PhD em corrupção”. A conversa foi compartilhada por um canal simpatizante ao governo federal.

O chefe do Executivo também disse que “ficaram batendo uma hora” na médica, questionando se ela tinha conhecimento de um suposto decreto que tinha o objetivo de alterar a bula da cloroquina para que o remédio fosse recomendado contra a doença; o medicamento não tem comprovação científica contra o novo coronavírus.

“Ficaram uma hora batendo na Nise: ‘A senhora ficou sabendo do decreto para mudar a bula da cloroquina?’. Eu não sabia que se mudava bula com decreto”, ironizou.

Nise Yamaguchi

O nome da médica foi citado em depoimento pelo ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta, que afirmou que ela seria uma das integrantes do suposto “gabinete paralelo”.

Segundo o ex-chefe da Saúde, Nise foi uma das pessoas que tentou consolidar a alteração da bula da cloroquina, para que o remédio recomendasse expressamente a administração em infectados pelo novo coronavírus.

A informação foi confirmada pelo diretor-presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Antonio Barra Torres, a quem coube barrar a investida de médica. Nise, no entanto, negou.

“Nessa situação, não houve minuta de bula. Eu não minutei nenhuma minuta de bula. Não existiu ideia de mudança de bula por minuta nem por decreto”, afirmou. “Não tinha nada a ver com mudança de bula. Era simplesmente o rascunho de como poderia ser disponibilizada uma medicação que estava em falta”, continuou a médica. “Disponibilização da medicação num momento de pandemia”, concluiu.

 

Fonte: Metrópoles

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