Nicarágua: principal candidata da oposição é inabilitada e não vai concorrer com Daniel Ortega, que está no poder desde 2007

Cristiana Chamorro, a candidata à presidência que tinha mais chances de enfrentar o atual presidente Daniel Ortega na Nicarágua, está praticamente fora das eleições de novembro, depois de ser acusada pelo governo de lavagem de dinheiro.

Cristina, de 67 anos, é filha da ex-presidente Violeta Barrios de Chamorro, que governou entre 1990-1997. Violeta derrotou Daniel Ortega nas urnas em 1990, quando ele tentou a reeleição após o seu primeiro mandato entre 1985 e 1990.

Daniel Ortega, presidente da Nicarágua, em foto de 15 de setembro de 2020, na comemoração da independência do país — Foto: Presidência da Nicarágua/Cesar Perez/Handout via Reuters

Daniel Ortega, presidente da Nicarágua, em foto de 15 de setembro de 2020, na comemoração da independência do país — Foto: Presidência da Nicarágua/Cesar Perez/Handout via Reuters

A candidata começou a ser investigada pelo Ministério Público depois que o ministério do Interior a acusou de irregularidades na administração da fundação que leva o nome de sua mãe (FVBCH), uma organização dedicada à defesa da liberdade de expressão.

O Ministério Público fez interrogatórios durante dez dias e, na terça-feira (1º), acusou Cristina Chamorro de “crimes de gestão abusiva, falsidade ideológica”, além de “lavagem de dinheiro, bens e ativos”.

 

As medidas solicitadas contra ela incluem “retenção migratória, proibição de comunicação com pessoas vinculadas aos fatos sob investigação, além de inabilitação para cargos públicos, por não estar no pleno gozo de seus direitos civis e políticos por encontrar-se em um processo criminal“.

Ela afirma que considera as acusações uma farsa para retirá-la da disputa eleitoral. “Eu sou inocente até que provem o contrário. Não foram capazes de provar nenhuma acusação, portanto, podemos disputar cargos eleitorais”, disse Chamorro na terça-feira.

A opositora não é filiada a nenhum partido, mas mesmo assim tem 21% de intenções de voto, atrás apenas de Ortega (30%), segundo uma pesquisa do instituto Cid Gallup divulgada na semana passada.

As medidas do Ministério Público afetam outras três pessoas, entre elas a correspondente da rede hispânica Univisión María Lili Delgado, ex-funcionária da fundação, e os jornalistas María Arróliga e Guillermo Medrano, que trabalharam na instituição até seu fechamento.

A FVBCH encerrou as operações este ano, depois que uma lei aprovada pelo Congresso de maioria governista intensificou os controles sobre as contribuições que as ONGs recebiam do exterior e para que se declarem agentes estrangeiros.

O governo considera as contribuições um risco de interferência na política interna.

Fonte: G1

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