“CPI não investiga corrupção deslavada de governadores”, diz Bolsonaro

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) voltou a direcionar sua metralhadora giratória contra governadores, prefeitos e a CPI da Covid-19, instalada no Senado para investigar a gestão do governo federal no combate à pandemia. Na noite desta segunda-feira (19/7), em entrevista à TV Brasil, o presidente novamente criticou a comissão: “Infelizmente, essa CPI que está andando no Parlamento não investiga a corrupção deslavada de alguns governadores e prefeitos”.

Segundo Bolsonaro, o governo federal deu todo o apoio finaceiro a estados e municípios. “Nos endividamos no ano passado com um total de R$ 700 bilhões. Dinheiro que foi para estados e municípios, uma parte considerável, para tratar das pessoas com Covid”, ressaltou.

Como exemplo de corrupção, o presidente citou o Consórcio Nordeste, que reúne os nove governadores da Região, e seu secretário-executivo, Carlos Eduardo Gabas, cuja convocação foi rejeitada pela maioria dos integrantes da CPI.

“Só numa ação do senhor Carlos Gabas, foram R$ 48 milhões que sumiram. Ele comprou respiradores e não recebeu nada. Comprou, inclusive, na casa de maconha. E a CPI não quer investigar isso daí. Se a CPI estivesse fazendo um trabalho sério, estaria colaborando para inibir a corrupção e combater os efeitos maléficos da Covid”, destacou Bolsonaro.

O presidente também disse que o governo federal faz a sua parte e não fica “cacarejando”. “Estamos fazendo nossa parte. Aqui em Brasília, se uma ou outra autoridade não nos atrapalhasse, o Brasil estaria muito melhor”.

Vale ressaltar no entanto, que o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, em junho, barrar as convocações de governadores na CPI da Covid. Para o Supremo, o papel de investigar os estados cabe às respectivas assembleias legislativas.

Veto ao Fundão

Na entrevista, Bolsonaro também afirmou que não irá sancionar o fundo eleitoral de R$ 5,7 bilhões, aprovado pelo Congresso Nacional na semana passada.

“O valor é astronômico, mais de R$ 6 bilhões para se fazer campanha eleitoral. […] Então, é uma cifra enorme, que no meu entender está sendo desperdiçada, caso ela seja sancionada. Posso adiantar para você que não será sancionada”, disse.

“Eu tenho que conviver em harmonia com o Legislativo. E nem tudo que eu apresento ao Legislativo é aprovado. E nem tudo que o Legislativo aprova, vindo deles, eu tenho que sancionar do lado de cá. Mas a tendência nossa é não sancionar isso daí em respeito ao trabalhador, ao contribuinte brasileiro”, completou.

 

Fonte: Metrópoles

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