Goiás registra seca em mais de 90% do território

Antes mesmo do período mais crítico do ano, Goiás já registra desde o mês de junho dados expressivos de seca. Em 93,36% do território goiano foi registrado seca em junho, sendo que em 22,82% da área do Estado ocorreu seca grave. O maior percentual entre as 15 unidades da federação acompanhadas pelo Monitor de Secas. Os dados são da Agência Nacional das Águas (ANA), que acompanha o surgimento, o desaparecimento, a evolução ou a involução do fenômeno da seca no País.

De acordo com a ANA, os dados de junho apontam que em Goiás, as chuvas abaixo da média nos últimos meses, principalmente no sul, noroeste e centro goiano têm contribuído para a piora dos indicadores de seca. Desse modo, houve um aumento da área de seca fraca e seca moderada em direção à divisa com Minas Gerais, baseado nos indicadores combinados de curto e de longo prazo. Também ocorreu um aumento da área de seca grave em direção ao noroeste, com as evidências baseadas nos indicadores. Nesse sentido, devido à piora dos indicadores, houve avanço da seca extrema na região sul, o que faz com que os impactos permaneçam de curto prazo no leste e de curto e longo prazo nas demais áreas do Estado.

Sobre essa questão, o gerente do Centro de Informações Meteorológicas e Hidrológicas de Goiás (Cihmego), André Amorim, afirma que a máxima de que “quanto mais quente está menos umidade se tem” é verídica, já que o calor rouba a umidade relativa do ar. “O monitor de secas que nos auxilia com essas medições, vem demonstrando que, desde que começamos a monitorar esta questão, é possível entender que há vários graus de seca. A seca relativa, por exemplo, vai e volta, acelera e desacelera, e, com isso, acabamos notando a expansão de secas que foram se intensificando no último período”, destaca.

Segundo ele, isso faz com que regiões como a sudoeste de Goiás apresente uma seca considerada grave, e que, outros pontos do Estado apresentem, ainda, uma seca extrema. “Se há uma situação de seca, há a demonstração de que há menos período de chuva, então a tendência é que a umidade diminua mais rapidamente, e essa poderia ser uma das explicações sobre a situação de secas que estamos enfrentando no Estado”, ressalta.

Comparativo

Em Goiás, segundo a ANA, a seca se intensificou na porção central do Estado, passando de moderada para grave. Além disso, houve um pequeno avanço das secas fracas e moderadas na região leste do Estado. Os impactos permanecem de curto prazo – podem afetar a agricultura e a pastagem – no leste e de curto e longo prazo nas demais áreas – podendo atingir áreas como ecologia e recursos hídricos. No mesmo período do ano passado, o Estado também registrou piora nos indicadores. Segundo dados da ANA, em junho de 2020, houve um aumento da área de seca fraca e seca moderada em direção à divisa com Minas Gerais, baseado nos indicadores combinados de curto e de longo prazo. Houve também um aumento da área de seca grave em direção ao noroeste, com as evidências baseadas nos indicadores de seca.

Alerta

No mês anterior ao que se refere o relatório da ANA, órgãos oficiais emitiram um alerta de emergência hídrica, devido à escassez de chuvas. À ocasião, o alerta demonstrava que a área atingida seria a região da bacia hidrográfica do Paraná, que compreende os estados de Goiás, Minas Gerais, Paraná, São Paulo e Mato Grosso do Sul, durante o período de junho a setembro deste ano.

O aviso foi divulgado após pesquisa do Sistema Nacional de Meteorologia (SNM), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (CENSIPAM), liderados pelo Inmet, com participação do Centro Nacional de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (CEMADEN). De acordo com o comitê, as afluências permaneciam abaixo dos valores médios registrados em 91 anos de história de monitoramento. A falta de água é tida como “comportamento típico da estação seca, condição que deverá se manter nos próximos meses especialmente na região Sudeste/Centro-Oeste”.

 

Fonte: O Hoje

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