Pacheco tenta ser mais um a tutelar Bolsonaro com recusa de impeachment no STF

A ação do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), de publicamente afirmar nesta terça-feira (17) que não deve pautar pedidos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) é mais uma tentativa do Congresso em tentar “tutelar” o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), na visão dos comentaristas de política da CNN Caio Junqueira e Thais Arbex.

Pacheco afirmou nesta terça que “precipitarmos uma discussão de impeachment, seja do Supremo, seja do presidente da República ou qualquer tipo de ruptura, não é algo recomendável”. Bolsonaro afirmou nas redes sociais no último sábado (14) que encaminharia ao Senado o pedido de impeachment dos ministros do STF Alexandre de Moares e Luís Roberto Barroso. o presidente estuda levar pessoalmente os pedidos.

Na visão de Junqueira, a atitude de Pacheco em enfrentar o presidente o coloca como mais um “player” no jogo institucional que tenta conter as atitudes mais autoritárias de Bolsonaro. As decisões do STF contra o presidente e a recusa das eleições com voto impresso na Câmara, após a decisão de Arthur Lira (PP-AL) de pautar o tema no plenário, são outros exemplos do jogo entre poderes. A dificuldade está no fato de o chefe do Executivo ter se mostrado “intutelável” até o momento.

Segundo Arbex, as falas do presidente do Senado mostram um Bolsonaro ainda mais isolado institucionalmente. Mesmo assim, isso deve ser uma preocupação menor para um político com mais interesse nem mobilizar os seus apoiadores em um discurso de “todos contra ele” neste momento.

Mesmo assim, a analista de política ressalta que é importante tal posicionamento do Congresso brasileiro. Apesar de deter um eleitorado menor do que o do presidente, tais ações mostram um Legislativo disposto deixar público que está trabalhando dentro das quatro linhas da constituição.

 

O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), em entrevista à CNN
O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), em entrevista à CNN (09.jul.2021)
Foto: Reprodução / CNN

 

Fonte: CNN

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