Uerj investiga morte de baleia jubarte de 15 toneladas encontrada no RJ

O Laboratório de Mamíferos Aquáticos e Bioindicadores (Maqua) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) vai investigar a morte de uma baleia jubarte de 15 toneladas e quase 9 metros encontrada na manhã desta quarta-feira (18) na praia de São Conrado, na capital fluminense.

Pesquisadores retiraram amostras de pele, gordura e músculo da baleia para pesquisar a presença de agentes contaminantes.

O corpo do animal foi retirado depois de horas de trabalho de equipes da Comlurb. A agência de limpeza da prefeitura do Rio de Janeiro informou que a carcaça vai para o Centro de Tratamento de Resíduos na cidade de Seropédica, em uma viagem de cerca de 100 quilômetros.

Trabalho de resgate

Os Subgrupamentos de Operações de Praia e Náuticas da Guarda Civil do Rio de Janeiro ajudaram no trabalho considerado “difícil” pelas equipes da prefeitura, e que demandaram o uso de escavadeira e cordas grossas.

“É uma carcaça que certamente chegou na praia de uma baleia já morta, já dava para ver que havia algum início de decomposição. O animal não bateu na praia e morreu ali, ele já veio derivando, o que é o mais comum”, afirmou à CNN o pesquisador Rafael Carvalho, do Maqua-UERJ.

Imagens feitas por drone pelo fotógrafo André Portugal mostram que uma serra elétrica precisou ser usada para conseguir retirar a carcaça do mar. Cerca de 30 banhistas acompanharam os trabalhos na faixa de areia.

Equipes resgataram animal na praia carioca
Equipes resgataram animal na praia carioca
Foto: Comlurb/Divulgação

O pesquisador Rafael Carvalho ainda afirma que é difícil precisar o tempo de investigação, mas que é esperado que algumas baleias sejam encontradas nessa época do ano na costa brasileira.

Causa da morte

Uma das possibilidades é que o animal tenha ficado “desorientado”. Baleias dessa espécie quando adultas podem chegar a 15 metros, segundo Rafael.

“Não foi verificado nada que pudesse dizer com clareza qual pode ter sido a causa de morte. Os animais podem estar doentes, podem ter alguma patologia, ou morrer de causas consideradas naturais. São várias as possibilidades, nem sempre a gente consegue ter clareza”, disse.

Segundo o Projeto Baleia Jubarte, com sede na Praia do Forte (BA), essa espécie de mamífero habitou a Baía de Guanabara e acabou deixando na cidade do Rio de Janeiro um legado arquitetônico. É que o óleo extraído da baleia virou argamassa que ergueu prédios do período colonial na região do Arpoador, na zona sul da cidade.

Ao mesmo tempo, a caça predatória quase levou à extinção da espécie. Com o tempo, isso foi revertido e o litoral fluminense acabou se consolidando como um grande corredor migratório das baleias jubartes brasileiras. O movimento de migração começa por volta do mês de maio e vai até novembro.

É um período em que as baleias saem de águas geladas do sul do Atlântico, onde ficam as principais áreas de alimentação, vêm para a costa brasileira para reprodução e depois retornam.

O destino final das baleias costuma ser o Arquipélago de Abrolhos, na Bahia, mas o litoral de outros estados, como Espírito Santo e Rio de Janeiro, também tem registros frequentes das baleias jubartes, exibindo as longas caldas em saltos próximo à beira do mar.

Equipes resgataram animal na praia carioca
Foto: Comlurb/Divulgação

O que fazer quando encontrar uma baleia encalhada

Rafael afirmou que a recomendação dos pesquisadores ao encontrar uma baleia encalhada é manter a distância sempre. Isso porque o animal pode ter algum tipo de doença ou agente contaminante, que pode oferecer riscos ao ser humano.

Para ele, o melhor caminho é acionar projetos que cuidam desse tipo de animal, mas também a prefeitura e o Corpo de Bombeiros.

 

Fonte: CNN

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