Busca e apreensão contra presidente da Aprosoja divide agronegócio

A busca e apreensão da Polícia Federal na manhã desta sexta-feira (20) no imóvel do presidente da Aprosoja, Antonio Galvan, em Sinop, Mato Grosso, intensificou dentre as lideranças do agronegócio o debate sobre a necessidade de se posicionar em relação à crise institucional no Brasil.

Galvan é Bolsonarista declarado, levou a Aprosoja a realizar uma assembleia no dia 12 de agosto, na qual manifestou apoio às manifestações de 7 de setembro. Ele também tem defendido a realização de uma greve de caminhoneiros em apoio a Bolsonaro.

No entanto, sua posição gerou críticas de outras lideranças, como o ex-presidente da Aprosoja Blairo Maggi. “É muito radicalismo para o meu gosto”, disse Blairo à CNN.

Ele e outras lideranças do setor têm criticado o posicionamento de Galvan, mas ainda há receio de se posicionarem com maior ênfase porque as entidades associativas temem desagradar as bases, que apoiam Bolsonaro.

Segundo lideranças do setor que preferiram falar sob reserva, produtores rurais em geral mantém o apoio a Bolsonaro mas as cúpulas das associações estão cautelosas. No entanto, para não desagradar as bases, permanecem em silêncio. Nesta semana por exemplo, antes mesmo  da operação da PF nesta sexta, tentou-se articular uma nota pública de lideranças para mostrar um posicionamento distinto da de Galvan, mas sem sucesso.

Hoje, após a operação, a própria Aprosoja acabou por articular uma nota na qual diz que “não possui qualquer ligação com atos que defendam “invadir” ou “quebrar” o STF, não responde institucionalmente pela organização de nenhum movimento e repudia qualquer publicação que vincule a associação a movimentos violentos ou ilegais.”

Questionado, Galvani disse a CNN que o apoio ao 7 de setembro na Aprosoja foi unânime. “Foi feita assembleia no dia 12 em Brasília. Foi unânime apoiar esse movimento que vem sendo liderado por vários movimentos a nível de Brasil. Tem dois ou três mega empresários que são contra. Pensam somente em dinheiro. A maciça maioria pensa no Brasil. Na liberdade dos brasileiros.”

Sobre a operação desta sexta-feira da qual foi alvo, disse que “é pura intimidação pelo falo de estarmos conclamando à população brasileira a se manifestar no dia 7 de setembro, contra os abusos que alguns ministros estão cometendo sobre pessoas de bem do nosso país”. Falou ainda que “isso nos dá ainda mais força”.

 

Fonte: CNN

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