Luiz Reis, diretor do Sírio: “Terceira dose evitará quebra de proteção”

Com o anúncio de que o Brasil deve começar a aplicar a terceira dose da vacina contra a Covid-19 em idosos e pessoas imunossuprimidas, as dúvidas sobre o reforço do imunizante se multiplicaram. A indicação é que, independente de qual fórmula foi aplicada nas duas primeiras doses (ou na única aplicação, no caso da Janssen), os grupos específicos procurem um centro de saúde para tomar mais um reforço de acordo com o calendário estipulado pelos estados.

Em entrevista ao Metrópoles, Luiz Fernando Reis, diretor de Ensino e Pesquisa do Hospital Sírio-Libanês, explica que, de acordo com os estudos publicados até o momento, a mistura de vacinas é segura. No Brasil, quem estiver na fila da terceira dose deverá tomar, preferencialmente, o imunizante da Pfizer, independente de qual foi a vacina administrada no calendário vacinal.

O diretor esclarece a diferença entre a terceira dose e o booster (do inglês, impulsionador). A primeira é para um determinado grupo de pessoas que, dentro de uma população vacinada, não atingiu níveis comparáveis ao restante dos imunizados. O segundo é um estímulo para aumentar a resposta imunológica que vai caindo ao longo do tempo.

No caso dos idosos, Reis conta que, assim como os órgãos vão envelhecendo, o sistema imunológico também perde um pouco da capacidade de montar uma defesa contra os invasores. Em pessoas que tomaram a Coronavac, por exemplo, os dados mostram que mais uma dose pode ajudar a completar o estímulo e manter o nível de anticorpos desejado.

Porém, isso não significa que todas as pessoas, de todas as idades, deverão tomar uma terceira dose. “Para outras vacinas, os dados até agora mostram que o booster não se justificaria. O importante é dizer que, para esses grupos que falamos em terceira dose, é para protegê-los frente à variante Delta. Mas, para o controle da pandemia, é melhor vacinar o maior número possível de indivíduos com as duas primeiras doses. É prioritário que a gente aumente a cobertura vacinal”, explica.

“São duas estratégias que precisam correr em paralelo, proteção dos grupos mais vulneráveis e continuidade de um programa de vacinação para o maior número de pessoas”, completa. Ele lembra que a vacina ainda é um bem escasso, e é preciso de estratégias bem fundamentadas para que não faltem doses.

Delta

O diretor do Sírio-Libanês lembra ainda que, apesar do avanço na vacinação no Brasil, a cobertura ainda é reduzida e não é hora de flexibilizar as medidas de distanciamento, máscara e medidas de higiene.

“Não podemos ter a falsa ilusão que a pandemia acabou. A variante Delta tem um poder de infecção muito mais elevado, e é algo que nos preocupa. Existe aqui um abandono das medidas de proteção prematuro, e esse vai e volta não é benéfico para o espalhamento do vírus”, alerta.

Fonte: Metrópoles

 

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