Convocados enviam atestado médico para não comparecer à CPI da Pandemia

Dois dos convocados a prestar depoimento nesta semana à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pandemia apresentaram atestados médicos para não comparecer às suas respectivas sessões no Senado. O empresário Marcos Tolentino e o “lobista” Marconny Faria apresentaram documentos assinados por profissionais que atendem no Hospital Sírio-Libanês com licença-médica de 20 dias.

Contrariado com as justificativas dos convocados, o senador presidente da comissão, Omar Aziz (PSD-AM), ligou para o diretor-clínico do hospital para solicitar uma apuração dos atestados médicos. Segundo ele, caso o diagnóstico do Sírio-Libanês fosse diferente ao dos profissionais que assinam as cartas, os médicos seriam “convocados à CPI também”.

Segundo as cartas enviadas à CPI, lidas por Aziz, o empresário Marcos Tolentino entrou no hospital na unidade em São Paulo com “formigamento no corpo” e o “lobista” Marconny com “dor pélvica” na unidade de Brasília.

“Estou em contato com o diretor do Sírio-Libânes em São Paulo, porque, segundo me consta, o médico trabalha no hospital, mas não assinou pelo Sírio. É a mesma situação do outro [Marconny]. É uma armação. Estão com medo de vir na CPI. Ele não ficará 20 dias internado”, afirmou Aziz.

Atestados

Marconny Faria, convocado a depôr nesta quinta-feira (2), enviou um documento à CPI no final da sessão desta quarta-feira (1º). Segundo o documento lido pelo vice-presidente da comissão, senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), ele não poderia comparecer à oitiva, pois “padecia de dores pélvicas”.

Horas após o final da sessão, em suas redes sociais, Rodrigues afirmou que o médico que concedeu o atestado a Faria entrou em contato com os membros da CPI e reconheceu o documento, mas relatou ter notado “uma simulação por parte do paciente” e que, por isso, deseja cancelá-lo. Com isso, disse o vice-presidente da comissão, o lobista será ouvido nesta quinta-feira (2).

Marconny Faria é apontado pela CPI da Pandemia como um “lobista” que tentaria privilegiar a Precisa Medicamentos junto ao Ministério da Saúde.

Já Marcos Tolentino, que deveria ser ouvido nesta quarta-feira (1º), enviou uma carta à CPI alegando estar internado no hospital Sírio-Libanês. Ele teria passado mal antes mesmo de embarcar para Brasília para depor.

Às 19h desta quarta-feira, em nota, o hospital informou que Tolentino deu entrada no pronto-atendimento na unidade de São Paulo nesta terça-feira (31) “com queixas de desconforto precordial e formigamento de membros”.

“O paciente foi internado e submetido a exames laboratoriais e de imagem. Exames laboratoriais revelaram hipopotassemia grave (potássio de 2,6), que pode induzir arritmia cardíaca. Aplicou-se terapia de reposição endovenosa de potássio e novos exames do aparelho digestivo, cardíacos e neurológicos estão sendo feitos. No momento, o paciente encontra-se estável. Não há previsão de alta hospitalar. O paciente é acompanhado pelas equipes médicas coordenadas pelo Dr. Luís Fernando Corrêa Zantut”, diz a nota.

O empresário é suspeito de ser um sócio oculto do FIB Bank, entidade que teria emitido uma carta de fiança irregular usada pela Precisa Medicamentos na negociação da compra pelo governo federal de vacinas da Covaxin.

Motoboy da VTCLog diz que entregou pen drive ao Ministério da Saúde

Após as mudanças de última hora no calendário, a CPI da Pandemia ouviu nesta quarta-feira (1º) o motoboy da VTCLog Ivanildo Gonçalves, responsável por sacar R$ 4,7 milhões a pedido da empresa e de ter supostamente pagado boletos direcionados a Roberto Dias, ex-diretor do Departamento de Logística do Ministério da Saúde.

O motoboy confirmou que esteve no Ministério da Saúde em 2021 para “entregar um pen drive” no 4º andar — local onde está localizado o Departamento de Logística da pasta. Ele disse que não sabia especificar ao certo quem era a pessoa, mas afirmou que se tratava de uma mulher.

Segundo Ivanildo, ele retornava ao Ministério da Saúde para entregar faturas e protocolos dos pagamentos realizados em setores e salas diferentes.

Questionado sobre se conhecia Roberto Dias, Ivanildo negou e disse nunca ter conversado com ele. Mesmo quando passou a pagar boletos para a empresa, ele também afirmou que “nunca entregou dinheiro para ninguém”.

Ivanildo disse que os saques e depósitos eram feitos sempre no banco Caixa Econômica Federal, na agência do Aeroporto Internacional de Brasília.

Quando não conseguia realizar os procedimentos no local, Ivanildo ia para o banco Bradesco, na agência do Setor Comercial, segundo depoimento. A suspeita é que os pagamentos levavam dinheiro vivo para o setor financeiro da empresa.

Na sessão da CPI da Pandemia, os senadores aprovaram um requerimento que prevê a quebra de sigilo de Ivanildo Gonçalves, bem como o pedido de busca e apreensão de seu celular. O depoente negou-se a oferecer o aparelho para a perícia do Senado.

 

Fonte: CNN

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