A cada hora cinco goianos são vítimas de golpes financeiros

A pandemia da Covid-19 impulsionou a virtualização das relações humanas. Porém, apesar dos efeitos positivos dessa “nova realidade”, uma onda de crimes pela internet emergiu em meio à crise. Ao comparar os dados de ocorrências registradas na Delegacia Estadual de Repressão a Crimes Cibernéticos (Dercc), durante os seis primeiros meses de 2019 e o mesmo período deste ano, o número de denúncias de estelionato em Goiás quase triplicou. Foram 205 a mais neste ano do que em 2019, um aumento de 275%.

Segundo dados levantados pela Secretaria de Segurança Pública de Goiás, relativos aos crimes de estelionato, as ocorrências registradas de janeiro a junho de 2021 já superam o ano de 2019 inteiro. São 24 mil denúncias este ano contra 22 mil antes da pandemia. Estes crimes são, comumente, conhecidos pelos golpes do “Bença, tia”, “Número novo”, “Falsas premiações”, “Desbloqueio de conta” e “Sexestorções”, que são chantagens com uso de vídeos íntimos. Os criminosos entram em contato com as vítimas através de ligações, mensagens de texto (SMS) ou em aplicativos de conversa e links na web.

Para alguns é engraçado receber SMS de números desconhecidos solicitando acesso a um link, pois o banco liberou mais limite de crédito ou para desbloqueio da conta bancária e do aplicativo. Entretanto, esta mesma situação se torna um pesadelo para outras pessoas. Como é o caso da estudante Stéfany Malta, 22 anos, que mesmo sendo uma estagiária em um banco, foi uma vítima desses criminosos.

“Eu estava passando por uma dificuldade familiar muito grande e estava muito desesperada por dinheiro naquela época. Então, um dia eu recebo uma ligação de um desconhecido e, mesmo nunca atendendo essas ligações, neste dia atendi. Na ligação, um homem dizia que eu havia ganhado uma premiação de R$ 15 mil e, na necessidade que eu estava, meus olhos cresceram. Ele afirmava que eu não deveria desligar a ligação para não perder o prêmio e não comentar com outras pessoas para não ser roubada,” conta.

“Eu não tinha participado de nenhuma premiação, mas estava muito desesperada por dinheiro e eles perceberam isso. Então, me enrolaram de muitas formas. Me falaram que eu era vencedora, que Deus tinha me abençoado e que este dinheiro iria me ajudar a fazer várias coisas. Isso me fez cair no golpe. Eu tinha R$ 800 na conta e transferi todo o meu dinheiro para o bandido. Fiz isso no automático como se estivesse em uma lavagem cerebral,” finalizou Stefany.

Falta de conhecimento

A delegada titular da Dercc, Sabrina Leles, explica como os usuários facilitam a atuação desses criminosos na internet. “Percebemos uma deficiência de conhecimento do usuário. Ele não lê a política de privacidade e segurança dos aplicativos que está usando, não desconfia de ofertas muito boas e de relacionamentos muitos mirabolantes, não usa as possibilidades de segurança de aplicativos como a verificação em duas etapas e, com isso, se torna uma vítima fácil para esses crimes,” afirma.

Segundo ela, a atuação da delegacia tem sido “eficaz” e reiterada no combate a esses crimes. “Além de atuar na repressão, investigação do crime e na identificação do autor, nós atuamos muito na prevenção. Temos várias atividades com apostilas, panfletos e palestras realizadas em escolas, faculdades e empresas para ensinar as pessoas a se prevenir e não serem vítimas desses crimes,” finalizou Sabrina.

Em meio à complicada situação sanitária provocada pelo coronavírus, à crise econômica no país, os criminosos encontram cada vez mais espaço para aplicar seus golpes. “As vítimas desses golpes seguem o que os criminosos estão pedindo, pois estão sendo motivadas por falsas promessas de mudança de vida e conseguir recompensas de forma rápida”, explica a psicóloga Ariane Mendes.

Na contramão do senso comum, em que idosos são definidos como vítimas fáceis para esses tipos de golpes, a Serasa Experian divulgou que o aumento no número de fraudes no Brasil foi puxado, principalmente, pelas ações contra pessoas de até 25 anos de idade. O Indicador de Tentativas de Fraude mostra que, no primeiro semestre de 2021, houve uma movimentação possivelmente fraudulenta a cada 8 segundos. Foram 1,9 milhão de ataques ao longo dos seis primeiros meses deste ano, um aumento de 15,6% com relação ao mesmo período de 2020.

 

Fonte: O Hoje

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