PC-GO prende mais de 50 pessoas por pornografia infantil em 4 anos

Mais de 50 pessoas foram presas em Goiás, nos últimos quatro anos, por crimes relacionados a abuso sexual e pornografia infantil na internet, de acordo com dados da Polícia Civil de Goiás (PC-GO). O último caso aconteceu ontem (14), em Itaberaí, onde um pastor foi preso suspeito de estuprar seis crianças na cidadeTrata-se de Willian de Sousa Adriel, 53, que foi localizado na própria residência.

A PC autorizou a divulgação do nome e imagem do detido para que eventuais outras vítimas o reconheçam. De acordo com o delegado Kristian Felipe da Rosa, os supostos abusos tiveram início ainda nos anos 2000 e foram sendo praticados ao longo da década. As vítimas tinham entre três e quatro anos na época.

As investigações apontam que Willian se aproveitava do cargo que tinha em um igreja evangélica para poder abusar sexualmente das crianças. “Ele se aproveitava da confiança que as famílias depositavam nele para praticar atos libidinosos contra as vítimas”, destaca. O homem foi autuado por estupro de vulnerável. A pena é de oito a 15 anos de prisão. O pastor está à disposição da Justiça no presídio de Itaberaí.

No último mês, a Polícia Federal cumpriu no Estado três mandados contra pornografia infantil em Goiânia, Edéia e Pires do Rio. Foram cerca de 20 policiais na Operação “Proteção da Infância 2”, que realizou buscas e apreensões em um endereço de cada cidade.

As investigações mostraram que os locais visitados pelos agentes são a origem de compartilhamentos e divulgações de imagens de pornografia infantil. As imagens de conteúdo sexual envolviam crianças e adolescentes, segundo a PF. O crime de disponibilização e armazenamento de pornografia infantil pode levar à pena de até seis anos de prisão, além de pagamento de multa.

Zeloso Guardador

Em maio deste ano, oito pessoas foram presas suspeitas de produzir, armazenar e compartilhar imagens envolvendo crianças e adolescentes.

A titular da Delegacia Estadual de Repressão a Crimes Cibernéticos (Dercc), Sabrina Leles, destacou que a apuração destes crimes precisa ser contínua. “Um investigado figurou em duas etapas dessa operação, na primeira e na terceira”, explica. Segundo ela, quando esses criminosos retornam à atividade buscam formas mais eficientes de praticar o crime. “Essas prisões, em vez de nos deixar mais tranquilos, nos faz ficar mais alertas porque sabemos que essa pessoa vai buscar novas formas de burlar as regras”.

Cultura machista 

A delegada da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) de Goiânia, Ana Elisa Gomes acredita que os abusos sexuais estão relacionados com a cultura machista enraizada na sociedade. Ela informa que a maioria das vítimas são mulheres com idade entre 7 e 13 anos. E o pior, quase sempre os abusos são cometidos por pessoas próximas. “A maior parte do tempo elas estão acompanhadas por algum responsável. Um estupro com autor desconhecido é mais raro”, afirma.

O que diz a lei

A criança e o adolescente gozam dos direitos fundamentais inerentes à pessoa humana, sendo-lhes asseguradas a proteção integral e as oportunidades e facilidades para viver sem violência e preservar sua saúde física e mental e seu desenvolvimento moral, intelectual e social, e gozam de direitos específicos à sua condição de vítima ou testemunha.

De acordo com a Lei 13.431, o abuso sexual é entendido como toda ação que se utiliza da criança ou do adolescente para fins sexuais, seja conjunção carnal ou outro ato libidinoso, realizado de modo presencial ou por meio eletrônico, para estimulação sexual do agente ou de terceiro. Se da conduta resulta lesão corporal de natureza grave a pena pode chegar a 20 anos.

 

Fonte: O Hoje

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