Descoberta precoce do câncer de mama eleva chance de cura para até 90%

O mês de outubro é tradicionalmente dedicado à campanha para prevenção do câncer de mama. O movimento foi criado no início da década de 90 e tem como objetivo incentivar as mulheres a realizarem exames preventivos para, caso haja alguma alteração na mama, seja diagnosticada o mais cedo possível.

O diagnóstico precoce foi essencial na vida de Maria das Graças Carvalho. O acompanhamento e a prevenção pouparam a ex-vigilante de passar por processos agressivos. “Estou curada e agradecida a Deus. Não passei pelo processo de quimioterapia e radioterapia. Descobri no início, era um nódulo 1,88 cm em estágio inicial”, contou.

Em janeiro de 2018, Maria das Graças recebeu o resultado de uma biópsia em que constatou o câncer. Apenas quatro meses depois, foi submetida a uma cirurgia de adenomastectomia. “Quando fui diagnosticada, perdi o chão. Não é fácil, mas, com a ajuda da minha família, me reergui”, disse a ex-vigilante.

Hoje com 48 anos, os únicos tratamentos são com medicamento e fisioterapia, além de constante acompanhamento. “Conscientizo todas as mulheres a fazerem o alto exame. Prevenir é melhor do que remédio. O tratamento do câncer é angustiante, desde o diagnóstico até o término. Afeta nosso emocional, envolve todos a nossa volta”, lembrou Maria das Graças.

Renovada, a ex-vigilante revelou a importância de receber apoio. Apesar de se sentir abandonada por muitas pessoas que considerava queridas, foi recebida de braços abertos pela Associação dos Portadores de Câncer de Mama (APCAM).

Durante o tratamento, a instituição promoveu concurso de rendeu o título de Miss à Maria das Graças. “Todo ano tem o concurso. É um incentivo às pacientes para aumentar a autoestima”, disse a Miss 2018.

Além do trabalho de auxílio psicológico, a APCAM promove campanhas para arrecadação de produtos e fundos para os pacientes. Em outubro, o trabalho é intensificado para promover o incentivo da prevenção.

Segundo o médico oncologista do Hemolabor, em Goiânia, Francisco Pereira Borges, os resultados da campanha são vistos dentro dos consultórios. “Tanto como Outubro Rosa, quanto com o Novembro Azul, que conscientiza os homens a fazerem exame de próstata, vemos aumento de casos de câncer em pessoas assintomáticas. Mas, quando o diagnóstico é feito de forma precoce, aumentam-se as chances de cura”, pontuou o especialista.

A orientação é que mulheres com mais de 40 anos façam mamografia anualmente. No entanto os cuidados devem ser incentivados desde o início da vida sexual. “A mama da com menos de 40 anos é dura e elástica, portanto, a mamografia não é tão eficiente. Além disso, a radiação da mamografia, apesar de ser pequena, não é orientada para mulheres jovens. Essas devem fazer exames regularmente com ginecologista, como ultrassom de mamas. A partir dos 40, além do ultrassom, precisa da mamografia”, orientou o oncologista.

O especialista afirmou que 80% dos casos de câncer de mama estão ligados ao estilo de vida da mulher. Sedentarismo, obesidade e cigarro são fatores prejudiciais. Além disso, o fato de mulheres adiarem a gravidez contribui para o aumento de hormônios nas regiões das mamas e dos ovários.

Quanto aos outros 20%, fatores genéticos são considerados. Segundo o médico, existem exames que podem ser feitos para verificar mutação genética que aumente as chances de câncer. “Foi o caso da Angelina Jolie. Por ter muitos casos na família, ela fez o exame. Depois de detectar a mutação no gene, retirou as mamas e os ovários. Os dois cânceres têm relação”, exemplificou Francisco Pereira Borges.

O médico enfatizou a necessidade de serem realizados exames preventivos para diagnosticar a doença. Segundo o especialista, para verificar um caroço com teste clínico, é preciso que o nódulo tenha cerca de 1 cm. Por outro lado, a mamografia consegue identificar alterações de até 0,1cm. “Quando identifico uma doença precocemente, a chance de cura é de 90%. Quando está avançada, cai pra 40% ou 50%. Isso se já saiu da mama e espalhou. Nesse caso, não tem cura”, pontuou o oncologista.

 

Fonte: Jornal Opção

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