Mulher de 56 anos com câncer de pulmão completa Caminho de Santiago

Um exemplo de inspiração, coragem e superação. A história da servidora pública aposentada Claudia Lopes, de 56 anos, vai além da esperança e mostra como existe vida após o diagnóstico de câncer. A moradora do Distrito Federal, apaixonada por viagens e corridas, percorreu entre setembro e outubro de 2021 quase 800 km a pé para completar o Caminho de Santiago de Compostela, que começou na França e terminou na Espanha.

Claudia tem câncer de pulmão em fase avançada e já retirou 40% da parte direita do órgão. Mesmo com a realidade em que vive, o maior desejo é que a história dela seja fonte de esperança para muitos pacientes com câncer. Hoje, a mulher também atua como voluntária no Instituto Oncoguia.

Todos os anos, milhares de pessoas de várias partes do mundo desembarcam na Europa com um objetivo: peregrinar pelo Caminho de Santiago. São diversos os percursos possíveis, com níveis de dificuldade, paisagens e tempo de deslocamento diferentes. Independentemente do escolhido, a experiência é “transformadora”, como dizem a maior parte dos peregrinos que já se aventuraram nessa missão que traz, sobretudo, reflexão e autoconhecimento.

“As fronteiras abriram no dia 23 de agosto e esperamos até o último minuto para ter certeza de que iríamos. Era algo que queríamos ter feito em 2020, mas com a pandemia adiamos. Eu queria fazer para saber se eu conseguiria e tinha condições físicas de caminhar por tantos dias”, conta Claudia.

Apesar de não se considerar uma pessoa religiosa, Claudia diz que tem muita fé e classificou a oportunidade como desafiadora e única.

“É um caminho que tem um lado espiritual maravilhoso e, principalmente, uma possibilidade de autoconhecimento muito grande. Também encontramos com pessoas e situações que nos agregam e nos ensinam. Vivenciamos o caminho na sua plenitude. Foi um momento de agradecimento por tudo o que Deus tem me proporcionado viver e por estar tão bem tendo um problema como o que eu tenho.”

Há sete anos, à época do diagnóstico, ela fez cirurgia para retirar parte do pulmão direito comprometido pelo câncer agressivo. Hoje, como paciente estágio 4 (com câncer incurável), vive um dia de cada vez sem planejar a vida por longos períodos. “A gente não sabe como vai ser o futuro”, pontua. O objetivo dela é viver o máximo que pode com toda a intensidade possível.

O tratamento é paliativo. Ele não tem o objetivo de curar. “Tem o objetivo de controlar a doença e me dar qualidade de vida. Conseguir viver a vida da forma que eu vivo e estar com saúde para fazer um caminho desse, eu não tinha outra coisa para fazer lá a não ser agradecer”, celebra Claudia.

A viagem para realizar a caminhada foi feita ao lado do marido, o servidor público Marcelo Lima, 50, e compartilhada quase que diariamente por Cláudia nas redes sociais. No total, o casal levou 36 dias na experiência até chegar em Santiago, sendo 34, de caminhada. Desta vez, eles realizaram o percurso Francês.

Claudia ficou resfriada e também enfrentou dores com uma bolha no pé.

Essa é a segunda vez que eles fazem a viagem. Da primeira vez, em 2019, eles realizaram o itinerário saindo de Portugal. Na outra oportunidade percorreram 240km em 10 dias.

Em um dos trechos mais difíceis do caminho, durante a subida do Cebreiro, de cerca de 480 metros de altitude e desnível, com pouco menos de 6km, Claudia fez uma dedicatória ao único neto, o pequeno Zack Vallone, de 1 aninho.

“Dizemos que a vida de um paciente oncológico é como uma montanha-russa. O que me move é a vontade de viver para deixar lembranças em meu neto Zack”, escreveu.

“A gente vai começar um zigue-zague e, Zack, a vida da sua avó não vai ser retinha, vai ser um zigue-zague também. Mas vou fazer tudo meu amor, para viver o suficiente para que você tenha lembranças de mim”, narrou Claudia emocionada no vídeo.

A servidora pública aposentada sempre investiu em alimentação saudável e a prática de exercícios físicos regulares. Inclusive, quando sentiu os primeiros sintomas do câncer, Cláudia estava numa prova de corrida de 10km.

“Eu já corria antes do diagnóstico. Eu continuei correndo mesmo não tendo parte do meu pulmão. Não tive perda respiratória. Sempre foquei no benefício que o condicionamento físico poderia fazer para me ajudar a manter o câncer sob controle”, conta.

A próxima intenção de Cláudia é correr uma meia maratona. “Eu queria ter feito em 2020, mas a Covid-19 me impediu. Estava inscrita na meia de Florianópolis (SC), em novembro, mas tive uma fratura em um dos pés durante o Caminho de Santiago e não vou poder ir”, lamenta.

“O meu próximo projeto é correr uma meia maratona que deve ficar para o início do ano que vem”, finaliza.

Fonte: Metropoles.

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