Viagem de Mourão para Atenas, Cairo e Dubai custou R$ 1,15 milhão

O governo federal gastou ao menos R$ 1,15 milhão com a viagem da comitiva do vice-presidente da República, Hamilton Mourão (PRTB), ao Cairo, a Dubai e Atenas. Desse total, R$ 791,8 mil são referentes às diárias e passagens de servidores da própria Vice-Presidência, e R$ 358,9 mil correspondem às despesas do Gabinete de Segurança Institucional (GSI).

A segurança de Mourão, assim como a do presidente Jair Bolsonaro, é realizada pelo GSI, por meio da Secretaria de Segurança Presidencial (SPR).

Os custos do tour do general e equipe nas três cidades – situadas em três continentes diferentes, África, Ásia e Europa – foram apurados pelo Metrópoles no Painel de Viagens, do Ministério da Economia. A reportagem considerou as informações de setembro e outubro, com destino ao Cairo, a Dubai e Atenas, dos dois órgãos. Integrantes do Itamaraty também registraram despesas para três cidades no mesmo período, mas os gastos do órgão não serão analisados neste levantamento.

Mourão partiu em 26 de setembro e retornou ao Brasil no dia 7 de outubro. O roteiro incluiu o Egito, os Emirados Árabes, onde discursou na ExpoDubai, maior exposição de tecnologia e inovações do mundo, e a Grécia.

Antes de viajar, o vice-presidente disse que a ida aos países serviria para estreitar laços, uma vez que, segundo ele, são nações parceiras do Brasil, mas que não recebiam visitas oficiais de representantes brasileiros há um bom tempo.

Do valor de R$ 1,15 milhão gasto no itinerário Cairo-Dubai-Atenas, R$ 539,5 mil foram com diárias, e R$ 586,9 mil, passagens. No total, a União pagou 302 diárias a 33 servidores da Vice-Presidência. Trinta e nove funcionários do GSI viajaram para essas localidades no período.

Egito

No Egito, o general esteve com o presidente Abdul Fatah Khalil Al-Sisi e com o ministro da Defesa Mohamed Ahmed Zaki. Além dos encontros com líderes egípcios para firmar acordos comerciais, a imprensa local repercutiu os passeios que o vice-presidente e a esposa, Paula Mourão, fizeram pelos principais pontos turísticos do Cairo.

No país, Al-Sisi e Mourão firmaram acordo para promover cooperação entre os dois países em diferentes âmbitos, especialmente nas áreas militares, de segurança, comerciais e econômicas, além de aproveitarem as chances de investimento disponíveis no Egito e incentivarem o turismo brasileiro no país africano.

A imprensa local deu bastante visibilidade à visita da autoridade brasileira, com destaque para o passeio que o general fez às pirâmides de Gizé, sítio arqueológico localizado no planalto de Gizé, nos arredores do Cairo. O Elwatan News noticiou que Mourão e Paula ficaram fascinados com a construção e com o tour guiado.

O presidente do Egito, assim como Mourão, é general. Al-Sisi deu um golpe de Estado no então mandatário, Mohamed Morsi, quando era ministro da Defesa, em 2014. No ano seguinte, Morsi foi condenado a 20 anos de prisão, mas morreu quatro anos depois, durante uma audiência. Al-Sisi é famoso por governar o país com forte controle das Forças Armadas e perseguir, torturar e executar opositores.

Emirados Árabes

Nos Emirados Árabes, o vice-presidente, acompanhado pelo ministro do Turismo brasileiro, Gilson Machado, e pelo secretário de Aquicultura e Pesca, Jorge Seif Junior, inaugurou o pavilhão do Brasil na ExpoDubai. O general foi recepcionado pelo embaixador brasileiro nos Emirados Árabes, Fernando Igreja.

Mourão, que também preside o Conselho Nacional da Amazônia – órgão que atua diretamente na preservação da Amazônia, falou no segundo dia da feira sobre meio ambiente: “Juntos pelo Desenvolvimento Sustentável: natureza, pessoas e amanhã” foi o tema do painel que abriu as atividades do pavilhão brasileiro.

“Como nosso pavilhão está no vetor sustentabilidade, aproveitamos para fazer uma palestra para a comunidade internacional sobre a situação da Amazônia. Tivemos um fórum de sustentabilidade, com a presença de representantes da comunidade internacional, e vários diálogos bilaterais com investidores e empresários. Alguns já têm negócios no Brasil e querem aumentar, e outros estão procurando oportunidades para investir”, salientou o vice-presidente, após retornar a Brasília.

Além do discurso focado em angariar investimentos financeiros para o país e, principalmente, para as ações estratégicas de desenvolvimento sustentável da Amazônia, Mourão participou de audiências com empresários dos Emirados Árabes.

A quantidade de mortes pela Covid-19 no Brasil também esteve entre os assuntos comentados durante a viagem do vice-presidente. Em uma publicação da União das Câmaras Árabes, a organização ressalta que, no ano de 2020, as relações entre Emirados Árabes e Brasil continuaram a crescer, apesar das reverberações catastróficas da pandemia e suas repercussões negativas no comércio internacional.

Grécia

Na Grécia, Mourão teve encontros com o presidente do Grupo Parlamentar de Amizade Brasil-Grécia, Maximos Senetakis, com o vice-primeiro-ministro grego, Panagiotis Pikrammenos, e com o copresidente do Conselho Empresarial Brasil-Grécia, capitão Panagiotis Tsakos.

Segundo os relatos do vice-presidente, as conversas em Atenas tiveram como foco a segurança, com confluência de posições entre os dois países em temas como desenvolvimento sustentável e segurança internacional. No segundo dia de visita, o general conheceu o centro de treinamento e simulação para navios mercantes.

Ao jornal grego Cretalive Maximos Senetakis afirmou que o combate ao desmatamento e às queimadas ilegais na Amazônia é um “campo que diz respeito a todos nós”. Pontuou ainda que o país fica satisfeito com a promessa do vice-presidente brasileiro de estabelecer metas para reduzir a emissão de gases do efeito estufa.

Outro lado

Procurada, a assessoria da Vice-Presidência da República informou que não irá se manifestar.

Fonte: Metropoles

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