Agronegócio ganhará espaço na Bolsa, diz CEO da Boa Safra Sementes

Marino Colpo, CEO da Boa Safra Sementes é o entrevistado do Poder360 entrevista, por Marina Barbosa | Sérgio Lima/Poder360 04.nov.2021

O agronegócio representa cerca de 26% do PIB (Produto Interno Bruto) do Brasil, mas ocupa menos de 2% da B3 (Bolsa de Valores de São Paulo). Uma das poucas representantes do setor na Bolsa é a Boa Safra Sementes. A companhia é comandada por Marino Colpo, que prevê uma expansão do agro na B3 nos próximos anos.

Marino Colpo tem 37 anos de idade, é sócio e cofundador da Boa Safra Sementes, empresa goiana líder na produção de sementes de soja no Brasil. Ele comandou o IPO (oferta pública inicial, na sigla em inglês) da Boa Safra em abril deste ano e viu as ações da empresa valorizarem cerca de 40% desde então, diferente de outras companhias que estrearam na B3 em 2021 e estão caindo junto com o Ibovespa.

O empresário credita o bom resultado da Boa Safra ao interesse do mercado no agronegócio. Ele diz que o investidor quer participar do crescimento do setor, que tem tido bons resultados mesmo em momentos de crise. Por isso, incentiva outras empresas do campo a entrarem na Bolsa e prevê novos IPOs do agro nos próximos anos.

“Acredito que, nos próximos 10 anos, o caminho do agronegócio é para a Bolsa e que o gap de 26% do PIB para 2% da Bolsa vai ser corrigido. Acredito em muitos IPOs de empresas do agro na próxima década”, afirmou o CEO da Boa Safra Sementes.

Segundo Marino Colpo, o agronegócio brasileiro caminha para mais uma “década do ouro”. Ele aponta 2 fatores que tendem a puxar o crescimento do setor: 1) o aumento de população mundial e 2) o crescimento da renda per capita.

“O mundo tem 7,4 bilhões de pessoas e em 2030 deve chegar a 8,2 bilhões de pessoas. A população vai crescer em 800 milhões de pessoas que vão precisar comer”, disse. Ele seguiu: “Pode haver solavancos, um problema ou outro, mas o agro tem crescido há 30 anos no Brasil e no mundo e tudo mostra que vai continuar crescendo nos próximos 10 ou 20 anos”.

O mercado de insumos, no qual se encaixa a Boa Safra Sementes, cresce em média 7,2% ao ano, segundo Marino Colpo. Já a companhia vem crescendo em torno de 25% ao ano em volume e 38% ao ano em faturamento. Para continuar nesse ritmo, a Boa Safra vai reinvestir todo o recurso levantado no IPO –cerca de R$ 460 milhões.

O plano da Boa Safra é construir novas plantas industriais e centros de distribuição em todo o Brasil, para aumentar a participação no mercado nacional. Hoje, a empresa é líder do mercado nacional de sementes de soja, com 5,8% de market share.

“Estamos ampliando as unidades de Goiás e Minas e construindo uma unidade nova na Bahia. Para o ano que vem, tem mais 3 unidades. Nos próximos 5 anos, são 12 novas, sendo 5 plantas e 7 centros de distribuição”, disse o CEO da empresa.

JUROS E FERTILIZANTES PREOCUPAM

Apesar das perspectivas de crescimento, o agronegócio brasileiro tem 2 pontos de preocupação hoje em dia: 1) a alta dos juros e 2) a crise dos fertilizantes.

No Poder Entrevista, Marino Colpo preferiu não discorrer sobre o cenário econômico brasileiro, mas disse que a alta dos juros preocupa. A taxa básica de juros está em 7,75% e subirá mais pela alta da inflação. “O agronegócio é muito dependente de crédito. O cenário de alta de juros impacta o setor”, afirmou o empresário.

O CEO da Boa Safra Sementes disse, contudo, que a crise dos fertilizantes só deve impactar a safra de 2022/2023. Ele disse que os agricultores já compraram os insumos necessários para a safra de 2021/2022, pois a plantação já está em curso. Depois disso, os preços dos fertilizantes subiram pela redução da produção chinesa.

“Não vejo grande problema para agora, porque todo mundo já comprou os insumos antes da escalada de preços e da falta de matéria-prima. A safra está indo bem e tudo me leva a crer que teremos outra safra recorde. Para o ano que vem, o cenário mudou. Na safra 2022/2023, a conta já é bem mais apertada, com os insumos mais caros”, afirmou o empresário.

MUDANÇAS CLIMÁTICAS

As mudanças climáticas também têm influência sobre o agronegócio. Em 2021, a seca e as geadas afetaram a produção de milho e café. Em entrevista ao Poder360, Marino Colpo disse que é preciso preservar o meio ambiente e melhorar a imagem brasileira no exterior. Porém, afirmou que “não pode ser uma preocupação só do Brasil, tem que ser uma preocupação global”.

“A gente está com uma imagem muito ruim de preservação ambiental. A gente tem uma boa legislação, apesar de em algumas regiões ter problemas pontuais. É um desafio para o país e para o agro trabalhar melhor essa imagem”, falou. E seguiu: “A grande maioria dos agricultores quer preservar o meio ambiente. O que acontece é que, obviamente, tem alguns agricultores que não pensam dessa forma”.

PREÇOS DOS ALIMENTOS

Os preços dos alimentos dispararam na pandemia de covid-19. Na avaliação de Marino Colpo, os preços da soja não devem mais subir, mas levarão pelo menos um ano para começar a ceder e não voltarão ao nível pré-coronavírus.

“A tendência é mais de manter os preços, principalmente para a soja. Se não ao longo do ano que vem, ao longo de 2023, as cadeias globais devem se organizar e a coisa voltar –não digo a patamares pré-pandemia, mas reduzir um pouco”, disse o CEO da Boa Safra Sementes.

 

 

Fonte: Poder 360.

print