PM xingado por beijo gay volta ao trabalho após 8 meses afastado

Após oito meses de afastamento – para tratar a depressão e ansiedade causadas pela reação de outros policiais à foto dele beijando o companheiro na formatura da corporação em 2020 – o soldado Henrique Harrison voltou a trabalhar na Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) nessa segunda-feira (22/11). “Mas ainda há bastante medo”, disse o policial, que, inicialmente, realiza apenas funções administrativas.

O retorno ocorre, segundo o soldado, antes do recomendado pelo psiquiatra com quem faz acompanhamento. A decisão de volta ao trabalho foi tomada diretamente pela junta médica da PMDF. “Minhas conversas com o psiquiatra e psicólogo já traziam uma possibilidade de retornar ao trabalho por, de fato, estar bem melhor”.

Sabendo da decisão, o profissional que acompanha Harrison condicionou o regresso à adoção de algumas restrições, como atividade apenas no administrativo da corporação. “Eu penso que retornar era uma opção, mas achei estranho que antes de eu levar o atestado, já tinham decidido. Mas eu não vou brigar por isso. Apesar de tudo, penso sempre no melhor da corporação.”

Henrique está lotado no 1º Batalhão da PM, na Asa Sul, e afirma que escolheu o local por conta das ameaças que recebeu. “Eu queria trabalhar em Sobradinho, mas fui ameaçado por um policial da cidade, então trabalho a 35 km de casa por conta desse episódio”, lamenta.

O que diz a PMDF

Procurada, a PMDF informou que “possui uma junta médica especializada que avalia todas as licenças médicas dos policiais militares”.

De acordo com a corporação, “os médicos da corporação chegaram à conclusão que o referido policial possui condições de executar serviços administrativos, desta forma não acarretando prejuízos ao andamento de seu tratamento de depressão e ansiedade”.

Sindicâncias internas e processo na Justiça

A volta ao trabalho de Henrique ocorre em meio a sindicâncias que ocorrem dentro da PM e processos na Justiça movidos pelo soldado contra colegas de corporação.

Ele chegou a receber uma punição chamada de “repressão” por publicar um vídeo no canal dele no YouTube comentando questões sobre “como a homossexualidade é tratada em ambientes militares”. Ele recorreu, mas não obteve sucesso.

Por outro lado, foi ouvido como vítima em um Procedimento Investigativo Preliminar (PIP) que apura os ataques homofóbicos que recebeu.

Ao mesmo tempo ingressou na Justiça com 12 ações indenizatórias pelas palavras proferidas contra ele. Em um dos casos, o soldado já conseguiu indenização de R$ 5 mil, mas recorreu por considerar o valor baixo.

 

 

Fonte: Metropoles.

print