Coordenador do maior estudo de Covid do país acredita que a onda da ômicron deve cair em algumas semanas no Rio

Após mais um dia de recorde no número de novos casos conhecidos de Covid no Rio de Janeiro – sem contar os casos represados – especialistas começam a projetar o fim da onda de contaminação provocada pela variante ômicron.

Para o epidemiologista Pedro Hallal, responsável pelo Epicovid, trabalho desenvolvido pela Universidade Federal de Pelotas, no Rio Grande do Sul, a curva de transmissão da doença deve começar a cair nas próximas semanas.

Segundo o coordenador do projeto, que é considerado o maior estudo sobre a prevalência da Covid no país, a tendência é que o número diário de novos casos conhecidos da doença caia bastante até o final de fevereiro.

“Essa explosão de casos, observada na cidade do RJ, é similar ao que vem se observando em todos os lugares do mundo (…) Todos os modelos estatísticos preveem que esta onda não vá demorar muito tempo. Então, provavelmente, dentro de algumas semanas esta onda da Ômicron também esteja encerrada”, concluiu o especialista.

 

Explosão de novos casos no Rio

A previsão otimista do epidemiologista Pedro Hallal, com base em dados da pandemia em outros países, chega em um momento de muita apreensão no Rio de Janeiro. O cenário atual mostra a alta velocidade de proliferação da variante ômicron no estado e as consequências da explosão do número de novos casos da Covid no sistema de saúde.

Na sexta-feira (14), o estado do Rio de Janeiro registrou 16 mil novos casos conhecidos de Covid, em mais um recorde consecutivo. O número de mortes foi de 14 pessoas.

“A verdade é que a quantidade de casos ainda está subestimada porque o Brasil e o Rio testam muito pouco. Então, pode ter certeza que a quantidade de casos é ainda maior do que aparece na estatística. Qual é a boa notícia? A boa notícia é que a maioria desses casos são bem leves”, acrescentou Pedro Hallal.

A média móvel de casos também atingiu a maior marca da pandemia – se excluídos períodos de inclusão de dados represados. Agora, são 9 mil casos por dia em média, com uma alta de quase 3.000% em relação a duas semanas atrás.

Represamento de dados

O número de casos registrado no painel do governo, que já é o mais alto da pandemia, na verdade era para ser ainda maior.

Segundo apurou o blog do Edimilson Ávila, de terça (11) a quinta-feira (13), a cidade do Rio de Janeiro teve 85 mil testes positivos – só na rede pública.

Ou seja, pelo menos 1,5% da população carioca (de 6,75 milhões, segundo o IBGE) descobriu que tinha a doença em apenas três dias, sem contar os testes feitos na rede particular.

O blog apurou que, na quarta-feira e na quinta, foram realizados 200 mil exames (100 mil por dia), e cerca de 30% deles acusaram que o paciente tinha Covid. Outros 24 mil resultados positivos foram detectados na terça-feira (11).

  • Dia 11 – quase 80 mil testes realizados; cerca de 24 mil positivos
  • Dia 12 – mais de 100 mil testes realizados; cerca de 30 mil positivos
  • Dia 13 – mais de 102 mil testes, quase 31 mil positivos

Até o fim da tarde de sexta, a capital tinha 58% dos leitos de Covid ocupados, com 364 pessoas estavam internadas. Em uma semana, houve alta de 900%.

Subnotificação no Rio

Todos os postos de saúde e clínicas da Família da Prefeitura do Rio fazem testes de Covid. Mas, nas UPAs e nos hospitais, a testagem é feita apenas nos pacientes que precisam de internação.

As unidades têm senha para inserir os dados nos sistemas do Ministério da Saúde, mas por causa da instabilidade nos sistemas do ministério, as informações não podem ser anexadas em tempo real.

Além disso, a prefeitura também possui várias unidades extras, onde não há computador ou internet. Sendo assim, todos os atendimentos desses postos são anotados em planilhas de papel e depois precisam ser digitados no sistema, o que nem sempre dá para fazer no mesmo dia, tanto pelo grande volume de dados, quanto pela instabilidade dos sistemas do governo federal.

A Secretaria Municipal de Saúde afirma que boa parte das informações fica represada por dias.

A secretaria também acredita que hoje haja muita subnotificação – ou seja – casos que ficam de fora das estatísticas oficiais, porque a velocidade de disseminação da ômicron é 70 vezes maior do que a delta.

Há ainda as pessoas que adoecem e não são testadas – nesta nova onda da Covid, há muitas pessoas infectadas mas que não desenvolvem qualquer sintoma da doença.

Nos primeiros dias de funcionamento dos centros de testagem, cerca de 12% dos assintomáticos estavam infectados pelo coronavírus.

Mapa de risco

Na sexta-feira, o Governo do Rio de Janeiro divulgou o novo Mapa de Risco da Covid no estado.

Mapa de risco da Covid-19 no Estado do Rio de Janeiro — Foto: Reprodução TV Globo

Mapa de risco da Covid-19 no Estado do Rio de Janeiro — Foto: Reprodução TV Globo

A publicação mostra que houve uma ligeira piora em relação a semana passada, quando cinco das nove áreas ainda estavam em verde.

Na última atualização, todas as regiões do estado aparecem em amarelo, o que representa um risco baixo de transmissão.

Fonte: Portal G1.

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