“Apesar de bom estrategista, Paulo Guedes não foi bom executor das propostas”, avalia Meirelles

Após criticar intenções de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de revogar a reforma trabalhista promulgada em 2017, o atual secretário da Fazenda e Planejamento do Estado de São Paulo, Henrique Meirelles avaliou ao Jornal Opção que não considera que as estratégias e o planejamento econômico do ministro da Economia, Paulo Guedes, e sua equipe, venham sendo bem executados. Para ele, apesar de bom estrategista, o líder da pasta se mostrou um mal executor durante seu tempo no Ministério.

“Para que um projeto tenha sucesso, não é necessário apenas uma boa estratégia, mas uma boa execução. E por alguma razão, seja por conta dele próprio ou do governo, a execução não está boa. Ele está tendo muita dificuldade na implementação de seu projeto”, declara, apesar de admitir que, ao ser integrado na equipe econômica para chefiar a pasta, o mercado chegou a ficar entusiasmado com o nome de Guedes – expectativa que, segundo ele, acabou caindo por terra ao decorrer da gestão.

A avaliação de Meirelles, segundo ele, é baseada justamente nos resultados vistos ano a ano. “A previsão para a economia brasileira este ano é a estagnação. Além disso, o país está num patamar de risco que poderia ser muito menor, a um nível de incerteza está muito elevado. Também tem o fato de que o próprio dólar está num valor elevado apesar do saldo comercial brasileiro e das exportações de commodities, entre outras coisas”, detalha o secretário.

Para contextualizar, é preciso lembrar que o dólar comercial terminou o ano de 2021 cotado aos R$ 5,58, com alta acumulada do ano de 7,46%. Essa, inclusive, é a maior cotação nominal para a moeda dos Estados Unidos para o fim de um ano. O ano de 2021 começou com a moeda aos R$ 5,19, após subir 29% em 2020, alta potencializada pela pandemia da Covid-19. Ao todo, a alta acumulada dos últimos dois anos foi de 38,9%.

Para Meirelles, as eleições deste ano são primordiais para ter uma ideia sobre o rumo que a economia deve tomar nos próximos anos. Isso, porque além de afirmar que não se deve haver a revogação da reforma trabalhista, o secretário reitera a necessidade de que a equipe econômica do próximo governo aplique políticas fiscais e econômicas eficientes e façam uma boa gestão. Inclusive, ele afirma ser só a partir da recuperação econômica – após o fim da pandemia -, gerida por uma boa gestão, é que será possível saber quais são as políticas que realmente precisam ser aplicadas para potencializar os resultados.

“Primeiro nós temos que ver o que está funcionando numa economia que está de fato indo a plano vapor. Que está funcionando bem. Senão as medidas seriam precipitadas”, pontua, sobre a sugestão de políticas monetárias.

Fonte: Jornal Opção.

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