Governo monta os laboratórios do bem e do mal para derrotar Lula

São dois grupos, formados por ministros, assessores do presidente Jair Bolsonaro e líderes de partidos que apoiam o governo. A composição de cada um ainda não é definitiva.

O laboratório do bem foi encarregado de sugerir medidas e ações capazes de resultar em mais votos para reeleger Bolsonaro; o do mal, de pensar em tudo que possa enfraquecer Lula.

Dentro do Palácio do Planalto dá-se por certo que os candidatos da chamada terceira via não crescerão nas pesquisas. Portanto, o desafio é diminuir a vantagem de Lula sobre Bolsonaro.

Qualquer governo, independentemente de restrições orçamentárias, dispõe de meios e modos para gastar muito em ano eleitoral. É o que fará o governo Bolsonaro, valendo-se para isso da pandemia.

Se a Covid-19 lhe fez mal, como de resto fez a tantos governos do mundo, está no momento de aproveitá-la em nome do bem que poderá ser feito aos brasileiros em geral, especialmente os pobres.

Bolsonaro confirmou ontem que prepara uma Proposta de Emenda à Constituição para reduzir tributos sobre combustíveis e energia elétrica, o que aliviaria o bolso dos consumidores.

Caso o governo zere alíquotas de PIS/Cofins sobre gasolina, diesel e etanol, o impacto na arrecadação será da ordem de R$ 50 bilhões ao ano, como admitem fontes do governo.

Diz a Lei de Responsabilidade Fiscal que algo assim só é possível com o aumento de outros impostos que compensem a perda de arrecadação. Mas, para combater os efeitos da pandemia…

Sabe como é: o Centrão dará um jeito quando a proposta chegar ao Congresso. E como a oposição ficará contra? Não ficou quando o governo criou o Auxílio Brasil e enterrou o Bolsa Família.

O teto de gastos já foi para o espaço. Aplicou-se o calote no pagamento de dívidas judiciais vencidas. Terá que ser providenciado um novo arcabouço fiscal. Até Lula gosta da ideia.

O laboratório do mal dispensa a colaboração do Congresso para infernizar a vida de Lula. Contra ele serão usadas todas as armas disponíveis, entre as legais e as ilegais – essas, com cuidado.

O acelerado processo de “beatificação” de Lula preocupa Bolsonaro e os que o cercam. Haverá que ser detido a qualquer preço para impedir que a eleição seja liquidada no primeiro turno.

Considera-se que Lula não tem idade, nem saúde e nem disposição para circular pelo país no mesmo ritmo de Bolsonaro. O presidente quer ser visto em vários lugares em um mesmo dia.

A propaganda de Bolsonaro baterá em Lula da cintura para cima, mas principalmente para baixo. Espera-se com isso despertar a fúria dos bolsonaristas e provocar seu engajamento na campanha.

Uma comunicação em tom estridente, se não servir para impedir a eleição de Lula, servirá no mínimo para abrir fissuras em sua imagem. Ele governaria com maiores dificuldades.

Sem falar do Banco Central que não tinha autonomia quando Lula foi presidente e que agora tem. Sem falar de um Congresso poderoso e dono do Orçamento secreto.

Bolsonaro sairá de cena se perder e irá desfrutar a vida, mas o bolsonarismo, não. O ex-juiz Sergio Moro é desde já candidato a tentar juntar os cacos do que sobrar.

Fonte: Metrópoles.

print