Sentimento de abandono na política e falta de propostas diminui número de jovens eleitores

Dados divulgados nesta quarta-feira (20) pelo Tribunal Regional Eleitoral de Goiás (TRE-GO) mostraram que mais de 4,7 milhões de pessoas estão aptas para votar no estado. Do total, 52.51% do eleitorado é composto por mulheres e os outros 47.49% por homens. Até o momento, 44,2 mil adolescentes de 16 e 17 anos fizeram o alistamento eleitoral, um percentual de apenas 0,93%. Já adolescentes de 15 anos que completarão 16 anos até dois de outubro totalizam cerca de 1,5 mil com o documento.

Para o mestre em Direito Eleitoral e servidor do TRE-GO, Alexandre Azevedo, a tendência de eleitores na faixa etária de 16 e 17 anos é de queda, o que preocupa a Justiça Eleitoral e, também, os próprios atores políticos. Para o especialista, o desinteresse pode reverberar no futuro, levando essa indiferença com a política para outras faixas etárias.

“É possível verificar vários fatores para essa tendência, mas o principal é o sentimento de abandono que esses jovens sentem na política. É necessário que tanto a Justiça Eleitoral quanto os demais atores políticos falem a linguagem dessa faixa etária para atraí-los para o exercício do sufrágio”

O especialista complementa que há uma ineficiência na comunicação entre políticos e jovens. “Infelizmente, a comunicação dos atores políticos com os jovens não tem sido eficaz, exatamente por não apresentarem propostas que sejam de seus interesses ou que atendam aos seus anseios. É necessário conhecê-los para, então, conseguir atingi-los”, afirma.

Incentivo

O TRE informou ao O Hoje que, para contornar essa situação, vem realizando campanhas nas redes sociais da instituição e realizando entrevistas que incentivam e convidam o jovem eleitor para tirar o título e votar nas eleições.

Além disso, o tribunal possui um programa chamado Eleitor do Futuro, que é desenvolvido pela Escola Judiciária. O programa promove palestras e eventos interativos junto aos alunos da rede pública e privada de ensino. O objetivo, segundo a instituição, é informar as crianças e adolescentes sobre os seus direitos e deveres como cidadãos e futuros eleitores.

O coordenador do projeto, Lafaiete Ribeiro, afirmou que o programa leva uma equipe até a escola e realiza palestras com assuntos como democracia, necessidade da participação feminina na política, representatividade LGBTQIA+, entres outros. Caso a escola manifeste interesse, também é possível promover atividades imersivas, como uma eleição simulada.

“Na eleição simulada,  treinamos mesários, separamos eleitores e candidatos. Tudo funciona com a seriedade de uma eleição real, chegamos até a realizar uma parceria com o ‘Parlamentar Jovem’ da Câmara Municipal, em que os estudantes propunham projetos de lei”, explicou Lafaiete Ribeiro.

Para o coordenador, o projeto encontra obstáculos para execução, sobretudo durante a pandemia. “Estamos retomando agora. Era muito complicado promover ações remotas em escolas públicas, pois não havia recursos, então era difícil de acessar. Além disso, temos uma equipe pequena para atender essas escolas”, aponta.

A estudante Débora Barcelos, que fará 16 anos em agosto, chama a atenção para a importância do voto e afirmou que está se preparando para tirar o título de eleitor. “Acredito que é de suma importância votar, porque assim fazemos nosso papel como cidadão”, afirmou. O prazo para o alistamento eleitoral termina no dia 4 de maio e pode ser feito no site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Fonte: O Hoje

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