Bolsonaristas atacam revista ‘Time’ por entrevista com Lula, mas até dezembro pediam capa com Bolsonaro

“Agradeço aos 2.160.000 eleitores que votaram em mim. Esperamos que Revista TIME nos conceda, de fato, o título respeitando o resultado das eleições”. Esse foi o pedido que o presidente Jair Bolsonaro (PL) fez à Time em dezembro do ano passado ao vencer uma votação popular em meio à internet. A enquete promovida pela revista visava escolher a ‘Personalidade do ano’. O pedido não foi atendido, e o título com direito à capa foi para o bilionário Elon Musk. Hoje, cinco meses depois, bolsonaristas atacam a revista por estampar o ex-presidente Lula (PT) com os dizeres: “O líder mais popular do Brasil”.

A entrevista com Lula foi divulgada pela Time nesta quarta-feira (4), com data de publicação prevista para 23 de maio. Na capa, o veículo de mídia dizia: “O segundo ato de Lula – O líder mais popular do Brasil buscar retornar à Presidência”. Segundo informações, Lula foi questionado em entrevista sobre o que pensa a respeito da invasão russa na Ucrânia e o que ele faria, se fosse presidente do Brasil, para tentar amenizar o conflito.

Ao responder, Lula criticou a postura que Zelenski tem adotado. Para Lula, o presidente ucraniano poderia ter trabalhado mais. “As vezes fico vendo o presidente da Ucrânia na televisão como se estivesse festejando, sendo aplaudido em pé por todos os parlamentos. Esse cara é tão responsável quanto o Putin. Porque numa guerra não tem apenas um culpado. O Saddam Hussein era tão culpado quanto o Bush. Porque o Saddam Hussein poderia ter dito: ‘Pode vir aqui visitar e eu vou provar que eu não tenho armas’”, afirmou Lula na revista.

Lula e eleições

Conforme informações do portal G1, o texto da entrevista lembra que Lula deixou o poder como o presidente mais popular da história recente do país. Cita também a reviravolta na trajetória política dele, condenado e preso após as investigações de corrupção da Operação Lava Jato.

Em seguida, relata a revista, Lula foi solto, após o Supremo Tribunal Federal (STF) considerar que ele foi julgado por um juiz que atuou de forma enviesada, o que afetou a defesa. A revista não cita nominalmente o ex-ministro e ex-juiz Sergio Moro.

‘Dor de cotovelo’

Com Jair Bolsonaro ‘desprezado’ pela revista, a militância saiu em defesa do presidente com a já conhecida tática de atacar os meios de comunicação. O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) disparou em seu perfil no Twitter: “Como fazer a sua revista perder a credibilidade: retrate o maior bandido de um país como a sua esperança”.

Alguns militantes chegaram a comparam a publicação com Lula a outras edições históricas da revista, como em entrevistas com o líbio Muammar Gaddafi e o iraquiano Saddam Hussein.

Fonte: O Hoje

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