Caso Lucilene: Justiça nega pedido de prisão de suspeito de assassinar empresária em Porto Ferreira

A Justiça de Porto Ferreira (SP) negou, nesta terça-feira (3), o pedido de prisão preventiva de Vanderlei Meneses, de 45 anos, suspeito do assassinato da ex-sócia e empresária Lucilene Maria Ferrari, de 48. A informação foi confirmada ao g1 pelo advogado de defesa de Meneses, Natanael Gonçalves Xavier.

O processo sobre a investigação da morte da empresária, que desapareceu em 2019 e teve o corpo identificado em abril de 2022, corre em segredo de Justiça. O g1 não teve acesso à decisão.

Para Xavier, a decisão foi acertada e ponderada dentro das condições do processo. (veja abaixo o posicionamento completo).

A família de Lucilene foi procurada e informou que a advogada vai tomar providências, mas ainda não detalhou quais. Procurado, o Tribunal de Justiça (TJ-SP) informou que não tem informações disponíveis por conta do segredo de Justiça.

O g1 também não conseguiu contato com a Polícia Civil e aguarda posicionamento da Secretaria de Segurança Pública (SSP).

O corpo de Lucilene foi encontrado em outubro do ano passado enterrado em uma mata na cidade. Na última terça-feira (26), um exame de DNA comprovou que a ossada encontrada era da empresária. O corpo foi enterrado na quinta-feira (28).

Meneses chegou a ser preso em fevereiro de 2020, mas foi solto 2 meses depois por falta de provas. Na quarta-feira (27), a Polícia Civil pediu a prisão preventiva do homem.

Defesa de Vanderlei vê decisão acertada

 

O advogado de defesa de Meneses disse ao g1 que alguns requisitos do código de processo penal não foram cumpridos e, por isso, a prisão preventiva não foi decretada.

“O pedido foi precipitado. Talvez não fosse o momento de pedir uma prisão preventiva. Não há nos autos prova suficiente da autoria. Existe a materialidade, o corpo foi encontrado. Aparentemente foi um assassinato brutal, onde houve a destruição do cadáver, a ocultação do cadáver. Os delegados e o promotor de justiça pediram a prisão preventiva e o juiz não acatou, de acordo com todas as fundamentações e argumentações já constantes no processo”, disse.

Xavier disse ainda que, com a repercussão do caso, existe uma preocupação com a comoção social. “Que acaba por condenar alguém que muitas vezes não deve. Nós somos profissionais que atuam em processo e a gente não pode se deixar se levar por isso”, afirmou.

Desaparecimento na véspera de Natal

 

A empresária Lucilene Maria Ferrari desapareceu em dezembro do ano passado — Foto: Arquivo Pessoal

A empresária Lucilene Maria Ferrari desapareceu em dezembro do ano passado — Foto: Arquivo Pessoal

 

Lucilene desapareceu no dia 24 de dezembro de 2019 e o próprio sócio registrou o caso na delegacia dois dias depois, segundo a advogada da família, Sandra Peporini.

No dia do sumiço, ela estava apenas com a roupa do corpo e, segundo o sócio, R$ 1,5 mil. Os dois celulares dela ficaram em casa. A Polícia Civil abriu inquérito e interrogou o homem, mas ele entrou em contradição, segundo a advogada.

Vanderlei disse que Lucilene iria passar a véspera do Natal com a família em Descalvado. Contudo, em conversa com a mãe, no dia 24 de dezembro, Lucilene disse que iria passar a data com o Vanderlei.

Ainda segundo a advogada, a localização do celular de Vanderlei aponta que ele estava em uma área de mata no dia 25 de dezembro. Contudo ele afirma que estava no hotel. A polícia também coletou amostras de sangue no hotel, mas os resultados não foram divulgados.

Lucilene foi encontrada enterrada em Porto Ferreira — Foto: Reprodução/Facebook

Lucilene foi encontrada enterrada em Porto Ferreira — Foto: Reprodução/Facebook

Corpo encontrado e DNA

 

Segundo a Polícia Civil, o corpo de Lucilene foi encontrado em outubro de 2021, em uma área de mata de difícil acesso do município. Um cachorro de trabalhadores rurais encontrou o cadáver.

Ela estava enterrada e o local estava com cimento e cal. Familiares disseram que o corpo estava sem um braço e sem roupas.

Em abril de 2022, o Instituto de Criminalística concluiu o laudo de DNA e confirmou que o corpo encontrado era de Lucilene.

A família disse que o local onde o corpo estava enterrado é o mesmo onde o sinal do celular de Meneses foi rastreado.

No dia 27 de abril, a Polícia Civil pediu a prisão preventiva de Vanderlei Meneses. A polícia ainda não divulgou qual a linha de investigação está seguindo e quais são acusações e provas contra Meneses.

Nas redes sociais, o perfil do suspeito mostra que ele está vivendo em Goiatuba (GO).

Fonte: Portal G1.

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