Incêndios florestais dobram na comparação com o ano passado

O quantitativo de incêndios florestais registrados pelo Corpo de Bombeiros de Goiás (CBM-GO) quase dobrou no último mês em comparação a abril do ano passado. São 558 ações contra 287. Somente neste mês, foram 59 combates a incêndios. Após a chegada do período de estiagem, a tendência é que estes números aumentem ainda mais.

É o que afirma a tenente do Corpo de Bombeiros, Vanessa Furquim. “Nós temos percebido que os incêndios começaram bem cedo. No ano passado, tivemos mais 9 mil ocorrências de incêndios florestais e neste ano pode ser que ultrapassem se não contarmos com a conscientização da população”, avalia.

Os meses considerados mais críticos para os incêndios são agosto, setembro e outubro. “Ainda nem chegamos no período crítico e já temos que atender algumas ocorrências. A nossa preocupação é que quando começar a estiagem piore”, alerta a tenente do CBM.

Ela ressalta que a maioria das ocorrências é causada por ação humana e dificilmente será por algum motivo natural. “99% são provocados pelas pessoas, que colocam fogo no lixo, querem fazer a limpeza dos imóveis. Também há uma série de questões onde os proprietários acham que vão conseguir controlar e o incêndio atinge proporção maior e avançam em locais particulares”.

Crime

No entanto, provocar incêndio em mata ou floresta é crime, conforme descrito na Lei Federal 9.605/98. “Atear fogo em lote baldio também pode configurar crime ambiental de poluição, pois a fumaça resulta em danos à saúde humana e se o fogo expuser a perigo a vida, o responsável pode ser enquadrado por crime de incêndio”.

Outro problema registrado pela corporação são os incêndios às margens das rodovias, que, além de prejudicarem o meio ambiente, podem causar acidentes aos condutores. Com a fumaça, a visão dos motoristas fica comprometida.

Incêndio na Chapada

No último ano, quatro pessoas foram indiciadas pela Polícia Civil de Goiás (PCGO) referentes aos incêndios na Chapada dos Veadeiros, ocorridos no mês de setembro, por mais de dez dias na região do parque. As investigações resultaram no indiciamento de quatro autores, pelos crimes previstos nos artigos 41 e 39 da Lei dos Crimes Ambientais, além do crime de incêndio qualificado previsto no artigo 250, § 1º do Código Penal.

Segundo as investigações, um dos focos do incêndio ocorreu de maneira culposa, pela conduta imprudente de dois autores no manuseio de materiais de construção, ocasionando a queima do condomínio Vale Azul, na cidade de Alto Paraíso.

Uma das testemunhas relatou que o fogo ocasionou o prejuízo de cerca de R$ 150 mil. As outras duas investigações concluíram pela ocorrência de crime doloso. Um deles ocorreu em uma estrada vicinal para o Distrito de São Jorge e o outro, mais grave, ocorreu na Fazenda Cascata, responsável pela queima de 14.183 hectares. As queimas, no total, consumiram uma área de cerca de 28 mil hectares.

Operação Cerrado Vivo

Com objetivo de prevenir novos incêndios, a CBM executa a Operação Cerrado Vivo. As metas da instituição são a de prevenir e combater incêndios em vegetações goianas com o reforço de drones, que monitoram áreas sujeitas aos incêndios nesta época do ano de baixa umidade do ar e aumento da temperatura.

Os drones conseguem oferecer aos bombeiros uma visão panorâmica do terreno e, além disso, os ajudam a determinar para onde o fogo deve se mover em seguida. Isso permite que os profissionais que atuam em seu combate possam tomar decisões rápidas e assertivas sobre o deslocamento da equipe e, se necessário, da evacuação de comunidades que possam ser impactadas.

Desde o início do ano, estão sendo realizadas diversas ações educativas, como palestras. Cartilhas de orientação, visitas a propriedades rurais, oficinas para confecção de abafadores e treinamento de brigadas de incêndio, para atuarem em propriedades rurais e áreas de proteção ambiental, são algumas das atividades já em curso, além das ações de combate efetivo de incêndio em vegetação.

Além do combate às queimadas, a Operação também atua com ações de fiscalização de incêndios urbanos, por meio de parceria com as prefeituras. “As ações preventivas são para preservar o meio ambiente e conscientizar a população, promovendo informações para saber como proteger as propriedades. A operação tem trabalhado em cima dessas questões. O combate é a melhor prevenção e temos visto que ainda é muito alto o número de incêndios florestais”, finaliza Vanessa.

Fonte: O Hoje

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