Polícia investiga ação de guardas que jogaram spray de pimenta em alunos de escola pública de Goiânia

A Polícia Civil está investigando a ação de guardas civis metropolitanos que jogaram spray de pimenta em alunos de uma escola pública de Goiânia. Alunos passaram mal e precisaram ser socorridos. Secretaria Municipal de Educação disse que não tinha conhecimento de brigas na unidade e nem da presença da guarda.

Segundo a delegada Josy Alves, uma aluna foi acompanhada da mãe à delegacia e contou que viveu momentos assustadores na Escola Municipal Professora Dalka Leles.

“Ele relatou que na escola foram momentos de pânico, que houve um pânico coletivo. Algumas crianças estavam passando mal em virtude do gás e outras passaram mal em virtude desse pânico que foi criado na sala”, disse.

A estudante disse ainda que, ao tentar sair da unidade em busca de um local mais seguro, foi atingida por um objeto parecido com uma mangueira. A delegada está ouvindo representantes da escola e pede que pais de alunos que ficaram machucados ou passaram mal durante a ação procurem a Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente.

Alunos passal mal após Guarda Civil usar spray de pimenta dentro de escola — Foto: Reprodução/TV Anhanguera

Alunos passal mal após Guarda Civil usar spray de pimenta dentro de escola — Foto: Reprodução/TV Anhanguera

Versões contraditórias

 

Inicialmente, a Guarda Civil informou que foi ao local devido a constantes registros de brigas na unidade. Porém, o secretário de Educação, Wellington Bessa, disse que a secretaria não tinha conhecimento dessas confusões na escola Dalka Leles.

“Essa informação de histórico de violência não é procedente. Estamos investigando o real motivo dos guardas estarem dentro da instituição. É algo que pegou a Secretaria de Educação de surpresa, uma vez que não sabíamos desse procedimento, que é um procedimento que não deve existir dentro de nenhuma instituição de ensino de Goiânia”, disse.

O assessor de comunicação da Guarda Civil Metropolitana, Janilson Saldanha, disse que uma equipe foi convidada a fazer um policiamento externo durante o período de entrada e saída dos alunos.

“Tivemos um quantitativo de 127 monitoramentos no local, principalmente para fazer a prevenção dessas situações que estavam acontecendo [brigas]. Percebemos que se tratou de um caso isolado e vamos tratar de todas as formas possíveis para que todos os fatos sejam apurados da melhor forma”, disse.

Escola onde houve confusão com Guarda Civil Metropolitana de Goiânia — Foto: Reprodução/TV Anhanguera

Escola onde houve confusão com Guarda Civil Metropolitana de Goiânia — Foto: Reprodução/TV Anhanguera

Pedido de investigação

 

A Defensoria Pública de Goiás encaminhou ofícios pedindo explicações à Guarda Civil Metropolitana, Secretaria Municipal de Educação e direção da escola. No pedido, o órgão aponta indícios de “falta disciplinar […], de atos criminais, tais como, abuso de autoridade, lesão corporal e submissão de crianças a constrangimento”.

“Aparentemente há indícios, sim, dessa violência institucional e o objetivo principal desse procedimento da Defensoria Pública é a superação para que se adotem outras medidas nessas intervenções”, disse o subdefensor público-geral, Tiago Gregório.

O secretário da Comissão de Direitos da Criança e do Adolescente da Ordem dos Advogados do Brasil, Thaller Moreti disse que o uso de spray de pimenta desrespeita as normas do Estatuto da Criança e do Adolescente. “O estatuto proíbe qualquer tipo de violência física, moral e psicológica contra a criança e o adolescente. Qualquer tipo de conduta que vá contra isso é um crime”, afirmou.

Fonte: Portal G1 Goiás.

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