Pai doa órgãos de jovem morto após Hilux capotar durante racha com BMW

Goiânia – Pai do jovem de 20 anos que teve morte cerebral após a caminhonete Hilux em que estava com amigos capotar durante um racha com uma BMW em Goiânia, o gerente administrativo Cleuber Rodrigues de Lima, de 47, decidiu doar os órgãos do filho. Wictor Fonseca Rodrigues é a segunda vítima que morreu após o acidente, ocorrido na madrugada o último sábado (7/5).

 

“Meu filho era uma pessoa do coração muito grande e muito forte. Não deixava ninguém na mão. Era companheiro, amigo, sempre buscava fazer o bem e se preocupava com o outro. Por isso, pensei em amparar um pai ou uma mãe que está angustiada, esperando órgão para seu filho”, disse ele, aos prantos, ao Metrópoles.

 

Veja vídeo abaixo:

Segunda morte

Wictor teve a morte cerebral confirmada na última terça-feira (10/5), três dias depois do acidente. Ele estava na caminhonete Hilux que participou de um racha na Avenida T-9 com uma BMW e capotou. No mesmo veículo, estava a adolescente Marcella Sônia do Amaral, de 15 anos, que foi arremessada para fora do veículo e morreu no local. Ele ficou internado por três dias no Hospital de Urgências de Goiânia (Hugo).

“Eu senti o coração bem tranquilo que eu poderia agora ajudar um pai e uma mãe com o coração apertado. Eu resolvi doar os órgãos do meu filho para, talvez, salvar o filho de um pai e de uma mãe para não passarem pela mesma dor que eu estou sentindo agora”, afirmou. “Todo mundo falava que o meu filho era uma pessoa humilde e solidária, ajudava as pessoas sem ver a quem”.

 

“Qual o propósito?”

Ao lembrar “o sorriso e o coração aberto” de seu filho, Cleuber teve a voz engolida por um choro convulsivo diversas vezes. “Como vai ser recomeçar minha vida agora sem ele? Qual o propósito disso tudo?”, questionou-se, sem conseguir controlar as lágrimas.

O gerente contou que, na sexta-feira (6/5), o filho chegou da faculdade à noite e disse que iria sair com os amigos. “Falei para ele ‘vá com Deus, que Deus te abençoe’”, afirmou Cleuber. O filho dele estudava o primeiro período de agronomia, na capital, e, desde os 11 anos, morava com o pai, a madrasta e a irmã.

Os motoristas da caminhonete e da BMW não compareceram à delegacia da Polícia Civil, o que estava marcado para a terça-feira (10/5). Os advogados das famílias deles disseram que os jovens estavam abalados com a morte de Wictor.

“Não tenho o meu filho”

“Eu estou focado no meu filho, eu não fiz denúncia, não fiz nada. Isso pra mim não faz diferença, porque eu não tenho o meu filho agora comigo. Ele não vai voltar para casa comigo, ele não vai estar no quarto dele, ele não vai estar comigo durante a semana, então, para mim, isso não tem diferença nenhuma”, lamentou Cleuber.

A Polícia Civil apurou que havia seis pessoas na caminhonete e uma na BMW. Todas elas haviam saído de uma boate quando decidiram disputar um racha, que foi registrado por câmeras de segurança na Avenida T-9.

Além de Wictor, outra passageira foi internada no Hugo. O hospital informou que a paciente está com estado geral estável, “na enfermaria, consciente, orientada e em respiração espontânea”.

Uma terceira passageira foi internada no Hospital de Urgências Governador Otávio Lages de Siqueira (Hugol) logo depois do acidente, mas liberada no mesmo dia. Segundo as investigações, havia uma quarta pessoa, mas não há informações se ela foi internada em alguma unidade de saúde.

Também de acordo com a Polícia Civil, Eduardo Henrique de Souza Resende estava dirigindo a caminhonete e Arthur Yuri, que não tem carteira nacional de habilitação (CNH), era o motorista da BMW.

 

Fonte: Metrópoles.

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