Agronegócio goiano deve produzir 29,25 milhões de toneladas de grãos

O Estado deve produzir um volume recorde de grãos, cerca de 20% maior que na safra passada, aponta o 8º levantamento da safra 2021/22, divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Estima-se que Goiás deverá produzir 29,25 milhões de toneladas. A colheita será puxada, especialmente, pela soja, que é o principal produto agropecuário do estado, representando 55% do total da produção de cereais. O resultado deixará Goiás na segunda posição em produção no país, sendo responsável por 13% de toda soja brasileira.

Contudo, o volume de milho a ser colhido em Goiás registrou uma redução em 1,15 milhões de toneladas, ou seja 3,8%, se comparado com o levantamento de abril. Segundo o Instituto para o Fortalecimento da Agropecuária de Goiás (IFAG), a principal motivação para a redução na estimativa produzida foi o corte na produção de milho safrinha (previsão de colheita de 9,39 milhões de toneladas, 11% menor em relação a expectativa abril) e sorgo, de 1,16 milhão de toneladas e 134 mil toneladas, respectivamente.

“A soja é o principal produto de grãos de Goiás, representando 55% de toda produção de cereais”explica Leonardo Machado, coordenador do IFAG | Foto: Arquivo Pessoal

“Tivemos também dados positivos, a Conab elevou ainda mais a estimativa de produção de soja. Agora a produção goiana na oleaginosa alcançou 16 milhões de toneladas, correção de 0,7% em relação ao levantamento de abril. A soja é o principal produto de grãos de Goiás, representando 55% de toda produção de cereais, fibras e oleaginosas do estado”, explica Leonardo Machado, coordenador do IFAG.

Pouca chuva

Além disso, o baixo volume de chuvas em abril são os principais motivadores para esta queda. Cortes na expectativa de produção foram feitos também para o trigo, de 13%, outra cultura de segunda safra no estado. A falta de chuvas no Estado é atribuída ao fenômeno La Niña, que é responsável pela irregularidade das chuvas. É o que afirma André Amorim, gerente do Centro de Informações Meteorológicas e Hidrológicas de Goiás (Cimehgo).

Ele explica que o fenômeno também interfere na produção de frente fria. Além disso, outros problemas acarretam na falta de chuvas de forma regular em Goiás. É um acúmulo de acontecimentos dos últimos anos. “Tivemos uma irregularidade nos últimos cinco anos, com baixos índices pluviométricos.

Produção no país será 6,4% maior 

Em relação aos dados nacionais, o Brasil deve colher no ano agrícola 2021/22, 271,8 milhões de toneladas, uma produção 6,4% maior que na safra passada. O IFAG aponta que, diferentemente do que ocorreu em Goiás, os dados nacionais tiveram um avanço na estimativa de produção de milho 2ª safra, agora a safrinha do país está estimada em 89,3 milhões de toneladas, 0,9% maior que a estimativa de abril. A justificativa para este crescimento está no bom desenvolvimento das lavouras do Mato Grosso do Sul e Paraná, que tiveram sua expectativa de produção elevada em 1,86 milhões de toneladas e 521 mil toneladas, respectivamente.

Cerca de 261 milhões de toneladas

Já a safra brasileira de cereais, leguminosas e oleaginosas deve alcançar 261,5 milhões de toneladas em 2022, aponta o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), divulgado ontem (12) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Segundo a pesquisa, o valor é 3,3% acima (ou 8,3 milhões de toneladas) da safra obtida em 2021 (253,2 milhões) e 1% acima da estimativa de março (2,5 milhões). A Conab, que tem uma metodologia diferente, também estimou alta para a produção brasileira de grãos.

“A safra de verão nas lavouras do Centro-sul do país sofreu com questões climáticas, o que levou à redução de estimativas de produção. Mas com o retorno das chuvas em janeiro, houve recuperação de algumas lavouras”, explica o gerente da pesquisa, Carlos Barradas.

Goiás segue em primeiro lugar no quesito produção. Entre as unidades da federação, as principais altas nas estimativas da produção, em relação ao mês anterior, foram em Goiás (mais 1, milhão de toneladas), no Paraná (624,9 mil), em Minas Gerais (271,6 mil), em São Paulo (191,7 mil), no Ceará (140 mil) e em Rondônia (104,5 mil).

 

Fonte: O Hoje.

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