Sociedade “pode não sobreviver” à guerra de Putin, diz bilionário George Soros

A invasão da Ucrânia pela Rússia pode ter marcado o início de “uma terceira guerra mundial”, e o presidente russo, Vladimir Putin, deve ser derrotado “o mais rápido possível” se o mundo quiser preservar a civilização.

Essa foi a mensagem dura que o bilionário e filantropo húngaro, George Soros, entregou na terça-feira (24) aos participantes do Fórum Econômico Mundial de 2022 em Davos, na Suíça.

“Mesmo quando as lutas pararem, como eventualmente deve acontecer, a situação nunca voltará para como era antes”, alertou Soros, de 91 anos.

“Outras questões que preocupam toda a humanidade — combater pandemias e mudanças climáticas, evitar a guerra nuclear, manter instituições globais — tiveram que ficar em segundo plano nessa luta. É por isso que digo que a civilização pode não sobreviver”.

 

O ex-administrador de fundos de investimento, que agora é presidente da Soros Fund Management LLC e fundador da Open Society Foundations, é famoso por usar sua riqueza para ajudar a promover sociedades abertas e criar democracias inclusivas com governos responsáveis.

Mas após os eventos de 11 de setembro, observou ele, a maré começou a virar contra as sociedades abertas. Como resultado, “regimes repressivos estão agora em ascensão e sociedades abertas estão sob cerco”, disse ele na terça-feira.

“Hoje, China e Rússia representam a maior ameaça à sociedade aberta”.

Sociedades abertas têm governos que são diametralmente opostos aos governos em sociedades fechadas, observou Soros.

 

“Numa sociedade aberta, a regra do estado é proteger a liberdade do indivíduo. Em uma sociedade fechada, o papel do indivíduo é servir aos governantes do estado”.

 

Falando sobre Putin e o líder da China, Xi Jinping, Soros disse: “Eles governam por intimidação e, como consequência, cometem erros incompreensíveis”.

Ele apontou a China e a Rússia como as maiores ameaças às sociedades abertas auxiliadas pelo desenvolvimento de tecnologias digitais e especialmente inteligência artificial.

 

“Em teoria, a Inteligência Artificial deve ser politicamente neutra — pode ser usada para o bem ou para o mal. Mas, na prática, o efeito tem sido assimétrico. É particularmente boa para criar instrumentos de controle que ajudam regimes repressivos e põem em risco a sociedade aberta”, disse Soros.

 

O bilionário também criticou a política de lockdowns “Covid-zero” da China, dizendo que teve “consequências desastrosas, empurrando a economia chinesa a uma queda livre desde março”, com “resultados negativos” para a economia global.

Em uma nota mais animadora, mas ainda sombria, ele elogiou a Ucrânia por lutar pelos valores do mundo ocidental.

 

“Acho que a Ucrânia hoje está prestando um tremendo serviço à Europa, ao mundo ocidental, à sociedade aberta e à nossa sobrevivência, porque eles estão lutando nossa luta”, disse Soros.

 

“Eles têm uma chance muito boa de ganhar. Nós devemos dar a eles todo o apoio que eles pedem”.

 

Fonte: CNN Brasil.

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