Goiânia é a terceira capital com o litro da gasolina mais caro do Brasil

Na contramão do que aconteceu na maior parte do Brasil, a gasolina teve nova alta registrada em Goiás, conforme mostra levantamento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) divulgado nesta segunda-feira (30). Com isso, Goiânia é a terceira capital com o litro mais caro do País. O preço médio chegou a R$7,647 nos postos goianienses. O que reflete um aumento de R$0,4.

No topo do ranking das capitais com os maiores valores praticados, estão Teresina (PI) com R$8,111 e Rio de Janeiro (RJ), R$7,704. Apesar disso, essas cidades estão em estados em que houve recuo do derivado de petróleo, diferente do que ocorreu em Goiás e mais seis unidades da federação, Alagoas, Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Norte, Rondônia, São Paulo e Tocantins.

Com patamar recorde, a terceira alta seguida fez com que Goiás alcançasse o preço médio de R$7,629 na gasolina, o maior já registrado pela ANP nos postos goianos. Assim, o Estado é o quarto com litro mais caro nas bombas. Perde apenas para Piauí (R$8,058), Rio de Janeiro (R$7,803) e Bahia (R$7,647).

Os ajustes refletem também parte da elevação nos patamares internacionais de preços de petróleo, impactados pela oferta limitada frente ao crescimento da demanda mundial, e da taxa de câmbio.

Pressão por gasolina mais cara

Segundo o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo no Estado de Goiás (Sindiposto), Márcio Andrade, um dos motivos para a alta na gasolina estaria na elevação do preço do etanol. “O biocombustível, depois de três semanas consecutivas em queda, também subiu nos postos. O preço médio do litro chegou a R$5,102”, afirma.

Isso porque os valores praticados pelas usinas tanto para o etanol hidratado quanto para o anidro, aquele que é misturado à gasolina, aumentaram na semana passada. O primeiro, 0,56%, de acordo com dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq). Porém, depois houve redução registrada na sexta (-1,46%), o que pode influenciar neste cenário.

Sobre o aumento da gasolina, Andrade avalia que além do etanol ter influenciado no preço ainda há desafios enfrentados com distribuidoras de combustíveis. “Ocasionalmente, tem ficado mais difícil conseguir atender a demanda, o que faz, neste sentido, o dia que não têm (o combustível) ter um valor mais caro um pouco. Esse cenário tem permanecido, infelizmente”, pontua.

Com desafio na oferta, especialmente a partir de Senador Canedo, o presidente do Sindiposto ressalta que há incremento para os consumidores na bomba, o que tem destacado os valores praticados no Estado em relação a outras localidades no País. Enquanto isso, o diesel teve recuo em Goiás. O preço médio registrado pela ANP passou de R$6,999 para R$6,969.

Etanol

Em outro cenário, o etanol registrou novamente queda no preço médio nos postos goianos. O valor do litro passou de R$5,19 para R$5,09. “É um reflexo da safra que influencia a oferta no atacado”, lembra o presidente do Sindiposto.

Com o aumento dos derivados de petróleo, a vantagem dos motoristas em abastecer com o biocombustível também aumentou. Quando o litro do etanol custa menos que 70% do valor da gasolina, há maior competitividade. Em relação à semana anterior, o percentual passou de 68,71% para 66,9% no Estado.

Já o diesel manteve a trajetória de alta depois do anúncio no início do mês de alta pela Petrobras. A média do litro praticado passou de R$6,90 para R$6,99.

Inflação

O novo impulso já impacta a inflação em Goiânia. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) registrou variação de 1,98% em maio, a maior alta dos últimos 16 anos, conforme divulgou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os combustíveis têm peso relevante nessa elevação. Subiram 7,34% e acumulam alta de 28,95% em 12 meses. Houve reajuste no óleo diesel (14,34%), etanol (7,24%) e na gasolina (7,04%).

ANP autua postos de combustíveis em Goiás

A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) autuou seis postos de combustíveis em Goiás por descumprimento de normas. O comércio das cidades de Goiânia, Ceres, Crixás, Rialma e Uirapuru fizeram parte da ação.

Segundo balanço, 26 comércios goianos foram fiscalizados, sendo 20 postos de combustíveis e seis revendas de gás de cozinha. Entre as irregularidades constatadas, dois postos em Rialma foram autuados e tiveram quatro bicos abastecedores interditados.

O problema encontrado foi a divergência nos volumes liberados pelos equipamentos medidores. Um deles ainda não possuía termo densímetro, que precisa estar acoplado às bombas de etanol hidratado, pois controla a qualidade do combustível que vai para os veículos dos consumidores.

Outro problema encontrado neste mesmo local foi a informação incorreta da origem dos produtos. O posto divulgava a marca de um distribuidor, enquanto o combustível comercializado vinha de diversos distribuidores.

Qualidade

Mais duas revendas em Rialma foram autuadas por não ter todos os equipamentos para realização da análise de qualidade dos combustíveis. Um deles também não exibia corretamente os preços dos combustíveis comercializados.

Já em Ceres a equipe da ANP encontrou irregularidades em três locais. Um estava inadimplente com o Programa de Monitoramento da Qualidade dos Combustíveis (PMQC), em outro havia defeito no equipamento termo densímetro e o terceiro foi autuado e teve um bico interditado por irregularidade nos volumes dispensados pelos equipamentos medidores.

Os estabelecimentos autuados pela ANP estão sujeitos a multas que podem variar de R$5 mil a R$5 milhões. As sanções são aplicadas somente após processo administrativo, durante o qual o dono do posto tem direito à ampla defesa e ao contraditório, conforme definido em lei.

 

Fonte: O Hoje

print