Em reunião virtual com Putin e Xi Jinping, Bolsonaro discursa e não cita guerra na Ucrânia

O presidente Jair Bolsonaro participou de uma reunião virtual nesta quinta-feira (23) na qual estavam presentes também o presidente da Rússia, Vladimir Putin, e o presidente da China, Xi Jinping. Em seu discurso, o presidente brasileiro não citou a invasão russa à Ucrânia, principal tema da geopolítica internacional desde fevereiro, quando a ofensiva militar da Rússia começou.

O encontro desta quinta faz parte da reunião de cúpula do Brics, grupo que reúne, além de Brasil, China e Rússia, África do Sul e Índia.

A fala de Bolsonaro foi breve, durou cerca de quatro minutos. Ele lembrou que esteve com Putin em fevereiro, em Moscou. Naquela ocasião, a Rússia já dava sinais de que invadiria a Ucrânia, mas Bolsonaro afirmava à imprensa brasileira que acreditava na intenções de paz do colega russo. Uma semana depois da visita, a guerra começou.

O presidente brasileiro tem buscado neutralidade em relação ao conflito, ao contrário das potências ocidentais, que adotaram sanções contra a Rússia. A guerra é um dos principais fatores para a disparada no preço dos combustíveis, tema de preocupação de Bolsonaro, que teme que a inflação lhe prejudique nas eleições.

Na cúpula do Brics, Bolsonaro usou sua fala para defender mudanças em organismos internacionais, um antigo do desejo do governo brasileiro.

“Devemos somar esforços em busca da reforma das organizações internacionais, como o Banco Mundial, o FMI e o sistema das Nações Unidas, em especial o seu Conselho de Segurança. O peso crescente das economias emergentes e em desenvolvimento deve ter a devida e merecida representação”, disse o presidente.

Conselho de Segurança

O Brasil atualmente ocupa uma das vagas temporárias do Conselho de Segurança, mas gostaria de ter espaço permanente. Desde que a Rússia invadiu a Ucrânia, coube ao conselho se reunir para discutir medidas a respeito do tema.

Em fevereiro, a Rússia, com vaga permanente no colegiado, vetou a resolução que serviria para condenar a invasão da Ucrânia. Foi o único país a votar contra, mas seu voto tem poder de veto.

Promoção da paz

Bolsonaro declarou no discurso que o Brics deve contribuir para geração de emprego e renda e que ele orienta sua política externa pela busca do desenvolvimento do Brasil e de seus parceiros. O presidente ainda destacou que a diplomacia deve produzir a paz.

Fonte: Portal G1.

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