Em cinco anos, oito lideranças políticas foram assassinadas em Goiás

De 2018 até junho de 2022, oito lideranças políticas foram assassinadas em Goiás, sendo sete homens e uma mulher. Os dados são do Observatório da Violência Política e Eleitoral, desenvolvido pelo Grupo de Investigação Eleitoral (Giel) da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio) e disponibilizados à reportagem do Jornal Opção.

Entre os casos de homicídio, uma das vítimas tinha cargo de prefeito, dois eram ex-vereadores, um era pré-candidato a vereador, outro ocupava o cargo de vice-prefeito e um já havia sido vice-prefeito. A única mulher vítima de homicídio era pré-candidata a vereadora. Além destes casos, a irmã de um prefeito foi assassinada. O exemplo mais recente apontado pelo relatório é o assassinato do ex-prefeito e ex-vereador de Divinópolis de Goiás, Gerson Abreu, em fevereiro deste ano.

O levantamento divide as violências sofridas por lideranças políticas ou seus familiares em alguns tipos: homicídio, ameaças, agressões e atentados. Em Goiás, entre 2018 e junho de 2022, foram registradas 26 ocorrências. O levantamento é feito a partir do monitoramento e análise de notícias veiculadas em jornais.

O levantamento aponta que sete lideranças políticas ou seus familiares foram vítimas de ameaça e nove sofreram agressão. Uma outra liderança política, o prefeito de São Domingos e então candidato à reeleição, Cleiton Martins, foi vítima de atentado, quando um vereador tentou assassiná-lo, em 2020. Do total de violências, cinco foram contra mulheres e 21 contra homens.

O estudo contabiliza violências contra políticos, que não necessariamente foram motivadas por razões políticas, como explica o coordenador do Giel, professor Felipe Borba. “Porque nem a polícia, às vezes, sabe o motivo. Muitas vezes leva-se anos e não se descobre.”, pontua.

Violência por partido e localidade

A maior parte das vítimas, cinco no total, eram filiadas ou tinham relação com algum membro do MDB: três sofreram ameaças e dois foram assassinados. O DEM contabiliza três casos, sendo um homicídio e duas agressões. Já integrantes do PT ou seus familiares foram vítimas de dois casos de ameaça. Membros do Republicanos tiveram dois casos de agressão. Já PSD, PSL, PRTB, União Brasil, PSDB, PL, PDT, Psol e PSB tiveram um registro cada.

As violências contra políticos são mais comuns no interior de Goiás. Do total de 26, apenas seis foram em Goiânia. Entre todas as violências, 61% aconteceram em municípios com no máximo 50 mil eleitores. “Isto reflete o que a gente observa no país: que a violência política é mais interiorana do que nas capitais, principalmente nos pequenos municípios. Comprova um pouco o padrão de que a política do interior é um pouco mais violenta, de maneira geral”, comenta Borba.

Ainda de acordo com o pesquisador, estas agressões seguem o fluxo do calendário eleitoral e tendem a aumentar nos meses anteriores ao primeiro turno. Para Borba, a violência impõe desafios à democracia. “Um deles é que demoramos muito para resolver os crimes políticos no Brasil. Por exemplo, o caso da Marielle Franco que, passados quatro anos, ainda não foi solucionado”, Borba aponta ainda que o país não tem legislação que dê conta deste tipo de crime. “Em Foz do Iguaçu [no assassinato de Marcelo Arruda], a delegada falou que não poderia ser enquadrado como crime político porque, segundo o Código Penal, ele acontece quando se age contra o Estado ou contra a democracia. No limite, [estes crimes] fragilizam muito o estado democrático”, conclui o pesquisador.

Fonte: Jornal Opção.
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