Marconi escolheu o caminho do meio

Marconi Perillo é um animal político. Vive 24 horas por dia a política. Acorda, respira, come e dorme política. Assim são os animais políticos. Assim é Marconi. Com sua experiência, optou pela disputa ao Senado nas eleições de outubro. Para alguém de seu porte e seu momento de vida, um desafio de média monta. E explico o porquê.

Em qualquer disputa eleitoral, um candidato pode perder no voto. Faz parte. Nem sempre se pode vencer. Mas nunca é recomendável perder na política. Se isso acontece, a recuperação é árdua. Algumas vezes impossível.

No pleito de 2018, Marconi perdeu não só a eleição. Perdeu também na política.

Ele diz com frequência que na política quando se cai é de elevador e, para recuperar o mesmo patamar, a subida se dá pela escada, degrau por degrau.

Colocar seu nome para a disputa contra Caiado ao governo estadual seria tentar o retorno de elevador. Mesmo com o tombo de quatro anos atrás, ao almejar o cargo mais relevante do estado, seria possível perder a eleição e não na política. Se tivesse um desempenho eleitoral razoável e fosse para o segundo turno contra o atual governador, teria cumprido seu papel. Afinal, disputar contra Caiado com a estrutura do Governo é um desafio e tanto. Logo, uma derrota eleitoral não seria vexatória. Perderia a eleição mas ganharia na política.

Na disputa para deputado federal, seria calçar as sandálias da humildade. Retornando pela escada, degrau a degrau. Todo mundo político goiano considera que Marconi teria uma eleição tranquila e poderia reconstruir seu nome nos quatro anos vindouros. Seria uma vitória eleitoral e também política.

Como escolheu concorrer ao Senado, a coisa muda um pouco de figura. Não é uma volta de elevador, mas também não é de escada. Digamos que seja de escada rolante. Marconi não pode cogitar outra hipótese senão a vitória. Seus principais concorrentes foram todos antigos aliados. Delegado Waldir, Alexandre Baldy e João Campos foram do PSDB quando Marconi era governador. Todos estiveram sob sua asa tucana. E agora são oponentes.

Em caso de vitória de Marconi, ele não terá feito mais que obrigação perante os pupilos que hoje são desafiantes. Em caso de derrota, terá sucumbido na eleição e também na política.

Animal político como poucos em Goiás, Marconi sabe disso. E mesmo assim topou o risco. Vamos ver o que a noite de 2 de outubro lhe reserva.

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