Com 4 mulheres, eleições de 2022 terão recorde de candidatas à Presidência

As eleições de 2022 terão quatro mulheres na disputa pela Presidência, recorde de candidatas na história do Brasil desde a redemocratização. A última confirmação foi de Soraya Thronicke (União Brasil), nesta sexta-feira (5), se juntando a Simone Tebet (MDB), Sofia Manzano (PCB) e Vera Lúcia (PSTU).

Caso os quatro nomes cheguem de fato à disputa nas urnas, as eleições deste ano irão superar o que era o maior número de mulheres presidenciáveis até então, verificado em 2014. Naquele ano, Dilma Rousseff (PT) foi reeleita presidente e disputava com outras duas mulheres: Marina Silva (à época no PSB) e Luciana Genro (PSOL).

No total, 11 mulheres foram candidatas à Presidência desde a redemocratização:

  • Lívia Maria (1989)
  • Thereza Ruiz (1998)
  • Heloísa Helena (2006)
  • Ana Maria Rangel (2006)
  • Dilma Rousseff (2010 e 2014)
  • Marina Silva (2010, 2014 e 2018)
  • Luciana Genro (2014)
  • Vera Lúcia (2018 e 2022)
  • Simone Tebet (2022)
  • Sofia Manzano (2022)
  • Soraya Thronicke (2022)

Chapas 100% femininas também batem recorde

As eleições de 2022 também apresentam, pela primeira vez, duas chapas 100% femininas na história: a do PSTU, com a operária Vera Lúcia (PSTU), candidata à Presidência, e a vice indígena Kunã Yporã (Raquel Tremembé); e a do MDB-PSDB, com as senadoras Simone Tebet, emedebista, e Mara Gabrilli, tucana. Tebet e Gabrilli formam a primeira chapa 100% feminina de partidos com representatividade no Congresso.

Até 2022, apenas uma chapa inteiramente feminina havia participado das eleições presidenciais. Foi em 2006, quando o PRP foi às urnas com a cientista política Ana Maria Rangel, candidata a presidente, e a advogada Delma Gama como candidata a vice.

Fotos – todas as mulheres candidatas à Presidência do Brasil

Cinco mulheres são candidatas a vice

Além da senadora Mara Gabrilli e da indígena Kunã Yporã, outras três mulheres são candidatas a vice: Ana Paula Matos (PDT), vice-prefeita de Salvador e recém-confirmada na chapa de Ciro Gomes; Samara Martins (UP), que integra a chapa de Leonardo Péricles no partido Unidade Popular; e Pérola Neggra (Pros), que entra na disputa com o candidato a presidente Pablo Marçal (Pros).

No caso do Pros, no entanto, uma disputa jurídica pelo comando do partido com uma ala a favor do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ameaça a continuidade da chapa.

História das eleições com candidaturas femininas no Brasil

A participação de mulheres como candidatas à Presidência começou em 1989, com a advogada Lívia Maria. Ela ficou na 16ª posição. Thereza Ruiz, a segunda a disputar um pleito presidencial, foi candidata pelo PTN, em 1998. Ela ficou na 10ª colocação em uma disputa de 12 candidatos.

Em 2006, a chapa formada por Ana Maria Rangel e Delma Gama, do PRP, receberam 0,13% dos votos válidos e terminaram o pleito na quinta colocação.

A ex-senadora Heloísa Helena foi a primeira mulher a receber mais de 1% dos votos válidos, em 2006. Candidata pelo PSOL, Heloísa conquistou 6,85% dos votos e terminou as eleições na terceira posição.

Já em 2010, foi a vez de Dilma ser eleita a primeira presidente mulher do país. No segundo turno, a petista recebeu 58,99% dos votos válidos e venceu o pleito contra José Serra (PSDB). Naquele ano, Marina Silva ficou na terceira colocação no primeiro turno.

Em 2014, Dilma foi reeleita e Marina, novamente, ficou na terceira posição, com 21,32% e mais de 22 milhões de votos. A eleição ainda teve a participação de Luciana Genro (PSOL), que foi a quarta colocada (1,55%).

Em 2018, Marina voltaria a ser candidata à Presidência. Pela Rede, a ex-ministra conquistou apenas 1% dos votos válidos. Além dela, Vera Lúcia, que deve disputar as eleições deste ano, também participou do pleito.

Representatividade ainda é baixa

Levantamento feito pela CNN mostra que nas últimas eleições gerais foram eleitas para a Câmara dos Deputados 77 mulheres, o que representa 15% dos indivíduos que conquistaram um cargo eletivo.

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2019, 51,8% da população são mulheres.

Debate

As emissoras CNN e SBT, o jornal O Estado de S. Paulo, a revista Veja, o portal Terra e a rádio NovaBrasilFM formaram um pool para realizar o debate entre os candidatos à Presidência da República, que acontecerá no dia 24 de setembro.

O debate será transmitido ao vivo pela CNN na TV e por nossas plataformas digitais.

*Com informações de Daniel Reis e Marcelo Tuvuca, da CNN

Fonte: CNN Brasil.

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