Crime

Entregador acusa empresário de usar falas racistas em conversa com amigos na Zona Oeste de SP; acusado nega

Caso ocorreu em Pinheiros, na terça-feira (17), e foi registrado no 14º DP. Segundo o boletim de ocorrência, não houve prisão em flagrante, já que depoimentos apresentados à polícia foram ‘contraditórios’.

Um entregador por aplicativo acusa um empresário de usar falas racistas durante uma conversa com amigos em uma rua de Pinheiros, na Zona Oeste de São Paulo, na tarde de terça-feira (17). A polícia foi acionada, e os envolvidos foram para a delegacia.

Às autoridades, Renato Santos contou que estava realizando uma entrega quando escutou comentários de cunho racista vindos de um grupo de pessoas brancas. “Preto pode ter tudo, até smartphone, que vai continuar pulando que nem macaco e depois vai se vitimizar como preto na internet”, ele ouviu um homem dizer.

Incomodado, o trabalhador abordou Frederico Bischof dizendo que aquilo se tratava de um crime.

“Ele não quis me ouvir. Tentou me agredir, me desferiu várias palavras de baixo calão e me mandou montar na bicicleta e ir trabalhar, porque eu só estaria querendo chamar atenção”, conta Renato. Eles não se conheciam.

Vídeos registrados pelo entregador e por amigos de Frederico mostram uma discussão entre os dois. A situação escalou quando outros motoboys se aproximaram e alguns deles partiram para a agressão física contra o empresário.

Segundo as imagens, Renato tentou afastar os colegas. Segundo ele, porque queria que o acusado respondesse criminalmente pelas falas discriminatórias.

A polícia foi acionada pelos amigos de Frederico para atender uma ocorrência de agressão. Chegando ao local, os agentes foram informados sobre o episódio de discriminação que teria levado ao tumulto.

“Uma das colegas dele, branca também, disse que eu e as outras pessoas estávamos alterados daquela maneira porque estava todo mundo drogado”, relata Renato.

Na delegacia, o empresário negou ter dito a frase ouvida pelo entregador, disse que estava conversando com os colegas de trabalho sobre a trajetória de superação de seu primo, que é preto e nasceu em família pobre. Afirmou ainda que Renato teria incitado os demais motociclistas a partir para a agressão física.

O primo mencionado por Frederico também compareceu ao Distrito Policial. Ele disse às autoridades que o empresário não é racista e que “já sofreu racismo durante sua vida e sabe diferenciar uma pessoa racista de uma não racista”.

A arquiteta Stephanie Ribeiro passou pelo local da ocorrência quando os policiais já haviam chegado. Ela conta que uma mulher, moradora do prédio em frente ao local da discussão, se apresentou como testemunha, dizendo ter ouvido as falas de cunho racista e confirmando a versão do entregador. Essa vizinha também teria prestado depoimento na delegacia.

De acordo com a Secretaria da Segurança Pública, o caso foi registrado como suspeita de racismo no 14º Distrito Policial, onde será investigado. Segundo o boletim de ocorrência, o empresário não foi preso em flagrante devido à complexidade e gravidade dos fatos, que precisam de mais esclarecimentos, já que as versões apresentadas à polícia foram “contraditórias”.

A advogada Maria Julia Moreira, que está atuando na defesa de Frederico Bischof, afirmou que o cliente teve uma frase tirada de contexto. “Não houve a intenção de injuriar qualquer pessoa, e ele não cometeu qualquer crime. Ele foi absolutamente surpreendido pela reação do grupo de entregadores e pelas agressões físicas que sofreu. Frederico cooperará com as investigações e prestará os esclarecimentos necessários às autoridades competentes.”

Fonte: G1

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