CARNAVAL/CIDADES

Som alto do clima carnavalesco desagrada quem prefere a paz do silêncio

O ato simples de dormir se tornou uma dificuldade mais recente para o jornalista Vitor Costa, de 26 anos e morador do Setor Cândida de Morais, na região noroeste da cidade. Desde o início do ano relata que teve a sua rotina afetada pelos altos barulhos que ultrapassam o limite permitido de decibéis (dB) pela prefeitura e que são provocados por caixas de som de bares e distribuidoras do bairro. “Eu acordo todo dia às 8 da manhã ainda cansado e tenho dificuldade para me concentrar no meu trabalho e na faculdade”.

Contudo, o sono dele pode ter ficado ainda mais difícil neste início de semana do carnaval, culminando com o aumento do limite permitido de 55 para 85 dB no novo Código de Postura de Goiânia que entrou em vigor no dia 28 de janeiro. De acordo com ele, o problema foi tanto que teve de recorrer a recursos externos para ter uma noite mais pacífica, mesmo após recordar de operações da Agência Municipal do Meio Ambiente (Amma) e da Guarda Municipal de Goiânia (GCM). “Já testemunhamos apreensão de veículos de carros de som mas sempre aparece um novo como um que vimos neste fim de semana de carnaval. Nem a chuva pesada de domingo (11) intimidou eles a saírem”, diz o homem.

Para ele, a salvação do seu sono foi o “santo tampão de ouvido”, como diz, para que ouça menos e consiga ter uma noite de sono melhor, entretanto, originalmente não deveria ter de recorrer a isto. E não é só Vítor Costa que faz esta reclamação de alto som em épocas de festividades, moradores do Setor Oeste nas proximidades da Praça Pública Léo Lince foram às redes sociais pedir justiça ao barulho relatado nas galerias de bares da Rua 134 durante a programação de carnaval. 

Em postagem nas redes sociais, um vídeo que viralizou mostra a música alta com funk das caixas de som com o barulho ainda audível nos andares mais elevados dos apartamentos do bairro. Segundo o relato, o estrondo foi permanente e sendo possível de escutar nos locais um pouco mais afastados do bairro, mesmo após as reclamações para a Amma o barulho chegou a perdurar até às quatro horas da manhã do dia 11.   

Segundo a agência, em nota ao jornal, o local foi averiguado por fiscais após as denúncias terem sido feitas, mas não houve infração encontrada em relação ao nível de DB e o local pode continuar operando. Ainda de acordo com a agência, o volume sonoro encontrado estava dentro do padrão legal. “O barulho emitido pelo bar estava na margem permitida pelo Código de Posturas do Município de Goiânia que determina que os ruídos emitidos por bares não poderão ultrapassar 85 dB no Artigo 32”.

E não é só os goianienses que reclamaram do aumento permitido do barulho, segundo apurou a equipe de reportagem do jornal O HOJE, a Associação dos Hospitais Privados de Alta Complexidade do Estado de Goiás (Ahpaceg) se manteve contrária a nova margem de barulho e deve observar se este regulamento poderá afetar negativamente ambos os pacientes dos hospitais de Goiânia quanto a equipe médica. 

Segundo a Haikal Helou, a presidente da Ahpaceg, ressalta que muitos hospitais de alta complexidade ainda residem em bairros residenciais, como o Setor Oeste, que podem agravar quadros por gerar desconfortos no internados por já estarem fragilizados. Além disso, a presidente da entidade diz que prevê medidas legais contra o município caso haja uma piora na poluição sonora.”A Ahpaceg espera que o município reavalie essa mudança. Caso contrário, se perceber uma piora na poluição sonora, a Associação poderá adotar medidas legais para preservar a tranquilidade dos pacientes”, diz a Associação em nota ao jornal. 

Paralelamente, o jornal O Hoje divulgou uma reportagem nesta terça-feira passada (06) que descobriu que o aumento da poluição sonora pode afetar a vida silvestre que ainda reside na capital, como as aves. Segundo o biólogo e especialista João Cicatelli, o aumento da poluição sonora pode ser prejudicial para muitos dos animais por possuírem a audição mais sensível que humanos. Ainda ressalta que a Organização Mundial da Saúde (OMS) alerta que níveis acima de 75 dB podem ser prejudiciais aos seres humanos e espera uma reversão do municipal.

FONTE:O HOJE

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