Em leitura incial de defesa, na CPI do DF, ele repetiu o discurso da CPMI e defendeu planejamento contra 8 de Janeiro
10/08/2023
O ex-ministro da Justiça Anderson Torres presta depoimento na manhã desta quinta-feira (10/8) na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Atos Antidemocráticos, em andamento na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF). No início da sessão, ele repetiu a defesa feita na CPMI do Congresso, e disse que nunca pediu para a Polícia Rodoviária Federal interferir na eleição.
“Minha ordem para a PRF sempre foi desbloquear imediatamente as vias. É um trabalho difícil, porque quando se fecha o país com carretas, pessoas, cordão humano… mas a ordem sempre foi para desocupar. Até a munição não letal da PRF acabou de tanto material usado para coibir. O ex-presidente fez um vídeo pedindo para desocupar as estradas e acho que foi daí que a coisa começou a fluir melhor”, disse.
Depois da oitiva de Torres na CPMI, o diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal durante o governo de Bolsonaro, Silvinei Vasques, acabou preso. Detido nessa última quarta-feira (9/8) pela Polícia Federal, ele é investigado por possível o uso da máquina pública para interferir na eleição de 2022.
Silvinei passou a ser alvo de críticas de diferentes órgãos e setores políticos após operações da PRF durante o segundo turno das eleições. As ações, realizadas em diversas estradas, contaram com maior atuação no Nordeste, região em que Luiz Inácio Lula da Silva (PT) obteve mais votos no primeiro turno.
Torres chegou a se reunir com o ex-diretor da PRF horas após a blitze polêmica do segundo turno, mas defendeu que foi para Salvador para acompanhar a execução de obras da Superintendência da Polícia Federal na Bahia.
Sobre o 8 de Janeiro, o ex-ministro da Justiça e ex-secretário da Segurança do DF afirmou ainda que o planejamento para conter manifestações violentas não foi cumprido.
“Importante ainda relembrar que o Protocolo de Ações Integradas previa o fechamento da Esplanada em alguns casos. O que posso afirmar com toda segurança é que houve falha grave na execução do PAI. Se tivessem cumprido à risca o Plano os atos de vandalismo do dia 8 de janeiro não teriam sido consumados.”
Acampamento QG
O ex-ministro ainda rebateu informações de militares do Exército em relação à retirada do acampamento golpista em frente ao Quartel-General. Torres chegou a afirmar que “tem alguma coisa errada” na versão das Forças Armadas. A Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) já ouviu Gustavo Henrique Dutra de Menezes, ex-chefe do Comando Militar do Planalto (CMP), responsável pela área. Na ocasião, o general Dutra argumentou que o Exército tentou, “o tempo todo, desde o início, desmotivar o acampamento”.
Torres, porém, lembrou de operações da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) mobilizadas para retirar os manifestantes, que acabaram barradas pelas Forças Armadas.
“Não vou comentar o depoimento do general aqui. Mas houve operação com 500 policiais militares ali parados, esperando autorização do Exército para tirar o acampamento. Alguém vir aqui dizer que não agiu, não era atribuição, não estava fazendo, é meio complicado. Precisa ser apurado por essa CPI. A PMDF chegou a tirar 500 policiais para retirar o equipamento, ano passado, e eles é que não permitiram. Tem alguma coisa errada nesse depoimento, com todo respeito. Precisa ser apurado isso aí.”
Anderson Torres também ressaltou que uma operação contra os acampamentos estava marcada e começaria dia 10 de janeiro. “Na minha primeira semana, uma das primeiras medidas que tomei foi para tirar o acampamento dali. Organizar para retirar.”
Requerimentos
Antes do início da sessão, a CPI aprovou uma série de requerimentos de documentos para aprofundar as investigações. Entre eles, os distritais solicitaram à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) o compartilhamento do depoimento de Jorge Eduardo Naime, coronel atualmente preso, e aprovaram a convocação de Beroaldo José de Freitas Júnior, subtenente da Polícia Militar do Distrito Federal, para ser ouvido como testemunha.
A CPI ainda pediu imagens de câmeras da Secretaria de Segurança Pública do DF, solicitou ofícios à PMDF e requisitou detalhes de planejamentos, ordens de serviço ou documentos equivalentes das operações realizadas por departamentos estratégicos da corporação nos últimos 24 meses.
Torres na CPMI
Acusado de omissão, Torres depôs por mais de oito horas na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do 8/1, do Congresso Nacional, na última terça-feira (8/9).
O ex-ministro utilizou a ocasião para se defender sobre a minuta do golpe: “Em 10 de janeiro, durante uma busca e apreensão em minha casa, a polícia encontrou um texto apócrifo, sem data, uma fantasiosa minuta que vai para a coleção de absurdos, que, constantemente, chegam aos detentores de cargos públicos. Vários documentos vinham de diversas fontes para que fossem submetidos ao ministro”, afirmou.
De acordo com Torres, a proposta era uma “aberração jurídica” e “imprestável para qualquer fim”. O ex-secretário de Justiça também negou ter encaminhado o documento para alguma outra autoridade.
Torres disse também que Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) falhou ao não cumprir o protocolo de ações integradas (PAI) elaborado diante dos protestos previstos para a data. Uma das consequências foi a invasão e depredação das sedes dos Três Poderes, em Brasília.
O ex-secretário confirmou que assinou o PAI antes de viajar aos Estados Unidos, na sexta-feira (6/1), dois dias antes dos atos antidemocráticos. A estratégia proposta no documento, porém, não foi cumprida pela PMDF, segundo Torres. Ainda assim, ele se recusou a apontar os responsáveis pela falha na execução do plano de segurança.
Fonte: Metrópoles






