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Nesta semana, Itaú, Bradesco e Santander anunciaram os resultados financeiros referentes ao quarto trimestre de 2025
Os três maiores bancos privados do Brasil — Itaú Unibanco, Bradesco e Santander — fecharam mais de 2,3 mil agências e postos de atendimento durante o ano passado, de acordo com dados divulgados pelas próprias instituições financeiras em seus balanços corporativos.
Nesta semana, Itaú, Bradesco e Santander anunciaram os resultados financeiros referentes ao quarto trimestre de 2025. Entre os principais “bancões” do país, o único que ainda não divulgou o balanço é o Banco do Brasil.
O líder no ranking de fechamento de agências no ano passado é o Bradesco, que terminou 2025 com 1.356 unidades a menos — o que correspondeu a uma redução de 28,2% em relação a 2024. O banco fechou o ano com 3.450 agências em todo o país.
Em seguida, aparece o Santander, que encerrou 579 unidades (-25,6%) e terminou 2025 com 1.685 agências. O Itaú vem na sequência, com o fechamento de 399 pontos (-13,6%), ficando com 2.529 unidades. Ao todo, os três “bancões” fecharam 2.334 agências no ano passado.
O que dizem os bancos
Ao comentar os resultados financeiros do banco, o CEO do Bradesco, Marcelo Noronha, afirmou que a companhia teve de realizar um ajuste do “footprint”. A “redução do footprint”, na linguagem do mercado financeiro, significa a eliminação de pontos de atendimento físico.
“A gente continua investindo em uma transformação para criar um funcionamento melhor. Fazendo ajuste do ‘footprint’, ganhando capacidade de competir mais e de reduzir o custo de serviço no varejo digital”, disse Noronha.
O CEO do Santander, Mario Leão, diz que a diminuição do número de agências e pontos de atendimento do banco é um fenômeno observado há alguns anos e atinge todo o mercado. “Os clientes estão indo menos em lojas e estamos respondendo, tendo menos lojas, mas melhores lojas”, explicou.
Para o CEO do Itaú, Milton Maluhy Filho, não se trata apenas “de um processo de migração de plataforma”. “É um processo de oferta de ‘full bank digital’ para esses clientes. Quando olhamos para 2025, finalizamos a migração dos clientes para o superapp, dentro da estratégia de ‘one Itaú’. Foram 15 milhões de clientes migrados”, destacou.
Despesas aumentam
Mesmo com o fechamento de milhares de agências, as despesas dos maiores bancos do país continuaram pressionadas em 2025.
O Bradesco reportou um aumento de 8,5% nos gastos operacionais totais, para R$ 64,350 bilhões – resultado influenciado, principalmente, por gastos com pessoal (+9,7%).
No Itaú, o crescimento das despesas foi de 7,5% no ano passado, atingindo R$ 66,762 bilhões. Apenas no setor de tecnologia, considerando pessoal e infraestrutura, a alta foi de 18,2%.
“O aumento das despesas de pessoal, que impacta as despesas comercial e administrativa, transacionais e tecnologia, ocorreu devido aos efeitos da negociação do acordo coletivo de trabalho, além de maiores despesas com participação nos resultados”, afirmou o banco no balanço.
O Santander, por fim, registrou o menor crescimento das despesas em 2025, com leve alta de 0,8%, para R$ 26,041 bilhões. “Na comparação anual, no quarto trimestre houve queda de 2%, refletindo principalmente a otimização do ‘footprint’ e força de trabalho, parcialmente compensada por maiores gastos com o acordo coletivo 2025 e com investimentos em tecnologia. As despesas com expansão dos negócios e tecnologia aumentaram 4,1%, enquanto as despesas recorrentes recuaram 5,1% no ano”, afirmou o banco.
Lucros dos “bancões”
O Bradesco registrou um lucro líquido recorrente de R$ 6,5 bilhões no período entre outubro e dezembro do ano passado. O resultado representou um crescimento de 20,6% em relação ao quarto trimestre de 2024.
O Santander, por sua vez, teve um lucro líquido gerencial de R$ 4,086 bilhões. Foi o melhor resultado trimestral dos últimos quatro anos, com um crescimento de 6% em relação ao quarto trimestre do ano anterior.
O Itaú registrou um lucro recorrente gerencial de R$ 12,3 bilhões no período. O desempenho do banco entre outubro e dezembro do ano passado representou um crescimento de 13,2% em relação ao mesmo período de 2024.
O resultado veio em linha com as estimativas dos analistas do mercado. De acordo com a média das projeções reunidas pela Reuters, o lucro do Itaú ficaria exatamente em R$ 12,3 bilhões.
FONTE: METRÓPOLES
