Home / All / Grupo Itapemirim: uma das maiores empresas de ônibus do Brasil faliu há quatro anos e trabalhadores ainda aguardam pagamentos e seus direitos

Grupo Itapemirim: uma das maiores empresas de ônibus do Brasil faliu há quatro anos e trabalhadores ainda aguardam pagamentos e seus direitos

Quatro anos depois da quebra, bens continuam sendo vendidos e parte dos créditos trabalhistas começou a avançar, mas muitos ex-funcionários ainda esperam

Foto: Reprodução)

Durante décadas, o nome Itapemirim esteve associado às viagens de ônibus por diferentes regiões do país.

A empresa chegou a construir uma das maiores operações do transporte rodoviário brasileiro, mas uma sequência de problemas financeiros e administrativos levou o grupo à falência em 2022.

Agora, quatro anos depois, uma pergunta continua sem resposta para muitos ex-funcionários: quando os valores devidos serão finalmente pagos?

A quebra não aconteceu de forma repentina. O grupo estava em recuperação judicial desde 2016 e acumulava dificuldades para cumprir o plano aprovado pelos credores.

A Justiça de São Paulo decretou a falência das empresas do Grupo Itapemirim em 21 de setembro de 2022, depois de constatar um descumprimento substancial das obrigações previstas no processo de recuperação.

Na decisão, o Judiciário apontou problemas de gestão, atraso no pagamento das parcelas previstas no plano e utilização de recursos obtidos com a venda de bens para outras atividades empresariais

Também foi destacado um passivo tributário superior a R$ 2 bilhões, além da falta de condições para manter os pagamentos correntes.

A situação operacional também havia se deteriorado. Segundo a decisão, o grupo apresentava estrutura precária para manter suas atividades, inclusive com problemas relacionados à infraestrutura necessária para a operação das empresas.

A falência transformou os bens da empresa em recursos para pagar os credores

Depois da quebra, a estratégia passou a ser diferente da recuperação judicial. Em vez de tentar manter o antigo grupo funcionando normalmente, a massa falida passou a arrecadar e administrar os bens para transformar os ativos em dinheiro e distribuir os recursos conforme a ordem determinada pela legislação.

O Judiciário autorizou, ainda em 2022, o arrendamento emergencial de ativos como linhas de ônibus, guichês, marcas e parte dos imóveis operacionais. A operação rodoviária foi posteriormente arrendada à empresa que passou a explorar os serviços anteriormente ligados ao grupo.

A administradora judicial mantém um processo específico para reunir a relação de credores, acompanhar a arrecadação dos bens, prestar contas e organizar os pagamentos.

Parte dos trabalhadores começou a entrar na fila de pagamentos em 2026

Um dos avanços mais recentes ocorreu em setembro de 2026. A Justiça determinou ao Banco do Brasil que efetuasse pagamentos a credores trabalhistas classificados como extraconcursais e incluídos em uma relação já homologada.

Os valores utilizados nessa etapa pertencem à própria massa falida e estão depositados em contas judiciais. A decisão também determinou providências para identificar as contas de onde os recursos deveriam ser retirados para viabilizar as transferências.

Isso, porém, não significa que todos os ex-funcionários tenham começado a receber.

Outros trabalhadores ainda precisam aguardar uma nova etapa da falência

A legislação estabelece uma ordem para o pagamento dos credores. Por isso, é necessário diferenciar os créditos trabalhistas extraconcursais daqueles classificados como concursais.

Nos autos, os créditos trabalhistas concursais citados somam aproximadamente R$ 70,56 milhões. Essa categoria não está incluída na remessa de pagamentos determinada em setembro e ainda depende da elaboração e autorização de um rateio próprio.

Além disso, mesmo entre os credores extraconcursais, alguns podem precisar corrigir ou apresentar dados bancários para participar de uma nova remessa. Portanto, estar listado como credor não significa necessariamente que o dinheiro esteja disponível imediatamente.

A venda do patrimônio continua sendo uma das principais formas de levantar dinheiro

A massa falida continua dependendo da transformação dos ativos remanescentes em recursos. Imóveis e outros bens são submetidos a processos de venda, enquanto os valores arrecadados e mantidos em contas judiciais ficam sujeitos às decisões da Justiça.

Em junho de 2026, a massa falida registrava aproximadamente R$ 92,29 milhões em depósitos judiciais, dos quais cerca de R$ 88,35 milhões haviam sido apontados como disponíveis para credores, segundo documentação analisada no processo.

A existência desses recursos, contudo, não significa que todos os créditos possam ser quitados imediatamente ou integralmente.

Assim, quatro anos depois da falência, o caso ainda está longe de representar apenas uma história sobre o desaparecimento de uma tradicional empresa de ônibus.

Para milhares de credores, especialmente antigos trabalhadores, o processo continua sendo uma espera por recursos que dependem da arrecadação dos bens, da classificação dos créditos e da autorização judicial para cada etapa de pagamento.

FONTE : PORTAL 6

Sign Up For Daily Newsletter

Stay updated with our weekly newsletter. Subscribe now to never miss an update!

[mc4wp_form]

Deixe um Comentário