Alunos de universidades federais superam rede privada em 94% das questões do Enamed

Foto: Divulgação

De acordo com análise dos microdados, os concluintes da rede privada foram superados em 85 das 90 questões válidas, o que corresponde a 94% do exame

A edição mais recente do Exame Nacional das Escolas Médicas (Enamed), aplicado pelo Ministério da Educação, revelou ampla vantagem dos estudantes de instituições federais sobre os de faculdades privadas. Mesmo com perfil socioeconômico mais favorável, concluintes da rede particular tiveram desempenho inferior em 85 das 90 questões válidas da prova, segundo análise dos microdados, o que corresponde a 94% do exame. Nas demais perguntas, não houve variação estatisticamente relevante. 

Entre os cursos avaliados, 107 receberam notas 1 e 2, consideradas insuficientes. Desses, 87 pertencem a instituições privadas, algumas com mensalidades que chegam a R$ 17 mil. No total, 350 cursos tiveram seus resultados divulgados. 

Os dados mostram que 35% dos alunos das particulares têm renda familiar superior a seis salários mínimos, contra 19% na rede pública. Em relação à escolaridade materna, 36% dos estudantes privados têm mães com ensino superior, frente a 31% dos alunos das públicas. 

No recorte racial, pretos e pardos representam 27% dos matriculados em faculdades privadas e 37% nas públicas, que contam com cotas de ingresso. Cursos criados após a Lei do Mais Médicos (2013), sobretudo em cidades do interior com menos de 300 mil habitantes, concentram os piores desempenhos. 

Em uma pergunta sobre insensibilidade androgênica, 50,4% dos alunos da rede pública acertaram, contra apenas 24,4% dos das privadas. Já em uma questão sobre luto e conduta médica na atenção básica, 72,6% dos estudantes das públicas responderam corretamente, frente a 55,1% dos das particulares. 

Setor privado 

Dos 39 mil participantes do exame, 24,5 mil eram de cursos privados e 9,8 mil de públicos. Entre eles, 61% dos alunos das particulares tiveram desempenho considerado adequado, contra 81% dos das públicas. 

A Anup (Associação Nacional das Universidades Particulares) afirmou que é “prematuro” relacionar diferenças socioeconômicas ao desempenho, já que essa não é uma metodologia prevista no Enamed. 

Sanções 

O MEC classificou os cursos em cinco níveis. Aqueles nas faixas 1 e 2, que não alcançaram 60% de estudantes com proficiência mínima, foram considerados insuficientes. Das 99 instituições reguladas pela pasta, algumas podem sofrer sanções. 

Entidades privadas tentaram barrar na Justiça a divulgação dos resultados, questionando cálculos da nota de corte. Ainda assim, os dados levaram o MEC a suspender, neste mês, o edital para criação de novos cursos de medicina privados. 

FONTE: JORNAL OPÇÃO

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