Vem ganhando força entre integrantes do Conselho de Administração da Warner a tese de que proposta da Paramount pode superar a da Netflix

Cheng Xin/Getty Images
A novela em torno da negociação bilionária envolvendo a Warner Bros. Discovery e a Netflix pode sofrer uma reviravolta nos próximos dias. A dona de HBO, CNN e do estúdio de cinema Warner Bros. está avaliando a possibilidade de retomar as negociações com a Paramount Skydance, que ainda não desistiu de adquirir a companhia e ameaça “melar” o acordo.
De acordo com informações da agência Bloomberg, com base em relatos de pessoas que acompanham de perto as negociações, vem ganhando força entre integrantes do Conselho de Administração da Warner a tese de que uma eventual proposta da Paramount poderia ser superior àquela apresentada pela Netflix.
Ainda segundo essas mesmas fontes, o conselho da Warner ainda não sabe como proceder para reabrir essa disputa – se esta for mesmo a decisão a ser tomada. Pelo menos até este momento, o acordo com a Netflix está mantido.
Na semana passada, a Paramount voltou à carga com uma oferta pela Warner. A empresa se comprometeu a pagar a multa de US$ 2,8 bilhões à Netflix caso o acordo seja desfeito. Além disso, a Paramount diz garantir um refinanciamento da dívida da Warner.
A Paramount também afirmou que compensará os acionistas da Warner caso o negócio não seja totalmente concluído até 31 de dezembro de 2026, o que indica a confiança da companhia de que tem mais condições de obter as aprovações junto aos órgãos regulatórios do que a Netflix.
Se a Warner decidir, formalmente, retomar as negociações com a Paramount, terá de comunicar primeiramente a Netflix. Ainda assim, caso a proposta da Paramount seja superior, a Netflix teria a preferência de tentar igualar a oferta.
Netflix anunciou a compra da Warner em dezembro
Em dezembro do ano passado, a Netflix anunciou que levou a melhor na disputa e concordou em adquirir os estúdios de TV e cinema e a divisão de streaming da Warner por US$ 82,7 bilhões.
A proposta da Netflix foi de algo entre US$ 28 e US$ 30 por ação, quase todo o valor em dinheiro, além de uma multa de US$ 5 bilhões caso o acordo seja barrado pelos órgãos reguladores. Esse pacote acabou superando ofertas de grupos como Paramount e Comcast, que queriam apenas partes da companhia.
O acordo dará à Netflix o controle de um dos ativos mais antigos e valiosos de Hollywood. A plataforma aumentará significativamente sua capacidade de produção de conteúdo e terá acesso ao vasto acervo de filmes do estúdio e a franquias icônicas, como Harry Potter e Senhor dos Anéis.
Em carta à Warner, a Paramount contestou o processo de negociação para a venda da companhia e alegou que a empresa teria abandonado um modelo justo de licitação e declarado a Netflix como vencedora, sem critérios justos e transparentes.
A compra da Warner pela Netflix vem causando preocupação em setores do mercado. Os investidores questionam a capacidade da rede de streaming de administrar uma empresa tão grande.
Além disso, o negócio também deve enfrentar obstáculos na legislação antitruste tanto nos EUA quanto na Europa. A transação dá à Netflix a propriedade de um concorrente que conta com a HBO Max e possui quase 130 milhões de assinantes. O próprio presidente dos EUA, Donald Trump, já criticou a operação.
Em janeiro deste ano, a Netflix confirmou uma mudança nos termos de sua proposta para comprar a Warner e apresentou uma oferta com pagamento integral em dinheiro, no valor já acordado previamente de US$ 82,7 bilhões. A nova proposta já recebeu o aval do Conselho de Administração da Warner.
A alteração feita pela Netflix tem o objetivo de acelerar o processo de venda. Pelo acordo original, os acionistas da Warner receberiam US$ 23,25 em dinheiro e US$ 4,50 em ações ordinárias da Netflix. Haveria ainda alguns ajustes previstos caso os papéis da empresa recuassem abaixo de US$ 97,91.
Agora, a Netflix oferece US$ 27,75 por ação da Warner, com pagamento 100% em dinheiro. Com a mudança, os acionistas da Warner deixam de receber participação acionária na Netflix e passam a deter um valor fixo por ação.
Em outras palavras, a nova estrutura do acordo acaba com a exposição às oscilações dos papéis da Netflix – o pagamento não dependeria do desempenho das ações no mercado após a conclusão da operação. Desde que a Netflix demonstrou publicamente seu interesse na compra da Warner, as ações da companhia perderam cerca de um quarto de seu valor.
As investidas anteriores da Paramount
Em meados de dezembro de 2025, o bilionário Larry Ellison, presidente-executivo da Oracle, anunciou que daria uma garantia pessoal de US$ 40,4 bilhões para que a Paramount superasse a oferta da Netflix e vencesse a disputa.
Segundo Ellison, tratava-se de uma garantia pessoal e “irrevogável” em financiamento de capital próprio para a proposta de US$ 108,4 bilhões apresentada pela Paramount para adquirir a Warner.
A companhia informou ainda que aumentaria a taxa regulatória de rescisão reversa de US$ 5 bilhões para US$ 5,8 bilhões. A Paramount manteve a oferta de comprar, por US$ 30 por ação em dinheiro, 100% das ações em circulação da Warner. O filho de Larry Ellison, David Ellison, é o atual diretor-presidente da Paramount.
Até agora, a Paramount apresentou uma série de seis propostas para a compra da Warner. Todas foram recusadas.
Uma delas foi uma “oferta hostil”, atravessando a negociação entre a companhia e a Netflix. Foi uma tentativa de comprar o controle de uma companhia sem o consentimento ou a aprovação do Conselho de Administração da empresa-alvo.
A oferta hostil é apresentada diretamente aos acionistas, geralmente um prêmio sobre o preço de mercado, para que vendam suas ações. Assim, a medida contorna a diretoria da empresa, que inicialmente não aprovou a aquisição. Trata-se de uma tentativa de assumir o controle da empresa desejada.
FONTE : METRÓPOLES
