Entidade mostra que status nacional persiste pelo 18° ano

Tentativas de homicídio no Brasil aumentaram, saltando de 57 para 75 casos (Foto: Reprodução/Colagem)
Goiás está entre os estados mais violentos do país para pessoas trans no Brasil, que, por sua vez, lidera o ranking global de assassinatos transfóbicos. Ao longo de 2025, foram registrados cinco óbitos em território goiano, número que coloca a unidade federativa na quinta posição do ranking nacional. Na liderança do ranking aparecem Ceará e Minas Gerais, com 8 casos cada um. Eles são seguidos por Bahia e Pernambuco, que somam 7. Logo abaixo da posição onde Goiás está inserido estão Paraíba, Rio Grande do Norte, Paraná e São Paulo, com quatro assassinatos cada (veja a tabela abaixo).
Em paralelo, o Dossiê Assassinatos e Violências Contra Travestis e Transexuais Brasileiras, divulgado nesta segunda-feira (26/1) pela Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra), mostra que o Brasil ocupa, pelo 18º ano consecutivo, a primeira colocação no ranking mundial de países mais violentos para essa população. Apenas em 2025, foram registrados 80 assassinatos motivados por crimes transfóbicos em todo o país.
Em Goiás, que ocupa sua pior posição desde 2017, alguns casos ganharam repercussão pela brutalidade. Em outubro do ano passado, um jovem de 18 anos foi identificado como principal suspeito de matar uma mulher trans de 19 anos, que havia desaparecido após sair de uma lanchonete. O corpo foi encontrado em uma área de mata, com um corte no abdômen. A motivação do crime teria sido um desentendimento entre os dois.
Também em outubro, outra mulher trans, de 43 anos, foi encontrada morta em Rio Verde, no sul do estado. O corpo estava carbonizado e apresentava sinais de enforcamento, além de indícios de extrema violência. A vítima foi localizada em um lote baldio no Residencial Monte Sinai, na saída da cidade. Relatos fornecidos à polícia indicaram que, na noite anterior, ela teria sido perseguida por três ou quatro pessoas em um veículo, espancada, colocada no porta-malas e levada do local.
Confira o ranking nacional dos estados mais violentos do país:
Outro homicídio ocorreu na região dos motéis, em Aparecida de Goiânia. Em agosto do ano passado, uma jovem trans de 23 anos foi morta com um tiro nas costas após um desentendimento relacionado ao furto de um telefone celular.
A reportagem do Mais Goiás também mostrou o caso de uma travesti identificada pelo nome social Samylla Morais, de 22 anos, que foi encontrada morta com marcas de execução em julho do ano passado. O corpo foi localizado em uma estrada vicinal na BR-060, próxima à Universidade Estadual de Goiás (UEG), em Anápolis. A vítima, que trabalhava como garota de programa na região da Calixtolândia, já havia se envolvido em polêmicas na internet por expor clientes que não pagavam por seus serviços.
Diminuição dos homicídios não reflete segurança
Apesar de 2025 ter registrado uma redução no número de assassinatos de pessoas trans no Brasil, de 122, em 2024, para 80 neste ano, a Antra alerta que a queda não indica, necessariamente, um cenário mais seguro. Isso porque as tentativas de homicídio aumentaram no mesmo período, saltando de 57 para 75 casos, o que reforça a avaliação de que a violência permanece elevada.
De acordo com o dossiê, as principais vítimas são travestis e mulheres trans, majoritariamente com idades entre 18 e 35 anos. O Nordeste segue como a região mais violenta, e a maioria dos crimes ocorre em espaços públicos, periferias e vias urbanas.
A Antra também aponta como fatores preocupantes a subnotificação dos casos, a desconfiança nas instituições e a ausência de políticas públicas específicas para o enfrentamento da transfobia. Esses pontos devem ser discutidos com técnicos do Ministério dos Direitos Humanos ainda nesta segunda. O dossiê será entregue a representantes do governo federal em cerimônia realizada no Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania, em Brasília.
Antra
A Associação Nacional de Travestis e Transexuais é a principal rede de articulação política e defesa dos direitos humanos da população trans no Brasil. Fundada para suprir a ausência de dados oficiais e políticas públicas direcionadas, a instituição atua no monitoramento de violências, no combate ao estigma e na promoção da cidadania de travestis, mulheres trans e homens trans.
Ao longo das últimas décadas, a organização se consolidou como uma referência técnica estratégica, colaborando com órgãos como o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para garantir que os direitos fundamentais dessa comunidade sejam respeitados e integrados às diretrizes do Estado brasileiro.

Tabela mostra número de mortes registradas por estado e compara esses números com os anos anteriores l Foto: Reprodução/Antra
FONTE : MAIS GOIAS
