Marconi Perillo | 18 de fevereiro de 2026

Hoje é um dia de vitória do campo goiano.
A taxa do agro acabou porque quem produz nunca aceitou essa injustiça. Muita gente
se calou, é verdade. E se calou não por concordar, mas por medo. Não é segredo para
ninguém que em Goiás, nos últimos anos, discordar do governo virou risco. Ser
apontado como adversário de quem governa passou a significar retaliação.
Perseguição. Eu sei bem do que estou falando, porque sinto isso na pele. Mas mesmo
nesse ambiente, as entidades do setor cobraram, deputados de vários partidos
cobraram, e eu não me calei um único dia: dei entrevistas, fui a debates, denunciei a
injustiça em cada oportunidade que tive. A pressão funcionou. E o governo, que
ignorou os pedidos durante anos, finalmente recuou.
Isso precisa ser comemorado.
Mas é preciso dizer o que todo mundo está pensando: se essa taxa era injusta, e sempre
foi, por que não cancelaram ano passado? Por que não em 2024, quando o produtor já
estava de joelhos? Por que só agora, no último mês de governo, a trinta dias de sair
rumo a outra eleição?
A resposta, infelizmente, todo goiano já sabe.
Essa taxa nunca deveria ter existido. Em 2018, o então candidato Ronaldo Caiado
olhou nos olhos do produtor goiano e prometeu que jamais criaria um imposto sobre
o agro. Em 2022, quebrou essa promessa. Foi vaiado em Rio Verde, enfrentou protesto
dentro da própria Assembleia. Arrecadou quase R$ 4 bilhões. E agora tenta
transformar o fim daquilo que ele mesmo criou numa espécie de presente de
despedida. Não é presente. É devolução.
E a devolução precisa ir muito além da anistia de multas.
O produtor goiano está vivendo a pior crise financeira dos últimos anos. A soja, que
valia R$ 200 em 2022, despencou para R$ 92. Os juros do crédito rural chegam a 25%
ao ano. A inadimplência dos produtores no Banco do Brasil aumentou 600% em
apenas dois anos. A FAEG estima que Goiás acumula entre R$ 9 e R$ 10 bilhões em
dívidas rurais vencidas. Só em 2024, foram 122 pedidos de recuperação judicial no
estado, e em 2025 o número disparou, colocando Goiás no topo desse ranking no
Brasil. Tem gente que não sabe se vai conseguir plantar a próxima safra.
É nesse cenário que eu digo: cada centavo dos quase R$ 3 bilhões arrecadados precisa
voltar para o campo. Infraestrutura logística, renegociação de dívidas, seguro rural,
assistência técnica para quem está à beira de perder tudo. O dinheiro saiu do bolso do
produtor e não pode virar propaganda de governo nem moeda de campanha.
E tem um ponto que não pode ser ignorado: o próprio Supremo Tribunal Federal, em
decisão do ministro Alexandre de Moraes, suspendeu leis que permitiam o repasse
desses recursos a uma entidade privada sem licitação. Moraes foi direto: havia risco
concreto à fiscalização e à transparência. Na Assembleia, deputados interromperam
votações perguntando por que o dinheiro estava parado em poupança em vez de ser
aplicado. Se a arrecadação foi bilionária, onde estão os resultados? O produtor pagou.
Tem o direito de saber para onde foi cada real.
Eu governei Goiás em quatro oportunidades. A maior parte da infraestrutura que está
de pé neste estado, das rodovias aos hospitais, foi construída nesses períodos. Fui alvo
de todo tipo de ataque e de tentativa de criminalização, e fui absolvido de tudo.
Absolutamente tudo. Não me intimidaram antes e não vão me intimidar agora. Quem
usa a máquina do Estado para perseguir adversário político não assusta quem tem a
consciência limpa. Assusta quem tem algo a esconder.
Eu comemoro com o campo goiano o fim dessa injustiça. Mas não vou fingir que o
problema acabou. A taxa acabou, a conta continua aberta. E ela precisa ser paga a
quem sempre pagou: quem produz, quem acorda antes do sol, quem carrega Goiás nas
costas. Quem defende o produtor precisa estar ao lado de quem vive da terra. Não do
outro lado da cerca.
Marconi Perillo
18 de fevereiro de 2026
