Entidades de saúde exigem reativação da mesa de negociação permanente do SUS

Paralisação de trabalhadores da saúde em Goiás pode se ampliar a outras categorias | Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
Profissionais credenciados da área da saúde iniciaram, nesta terça-feira, 13, uma greve em Goiânia para chamar a atenção do poder público para uma série de reivindicações que, segundo as entidades representativas, se acumulam há meses. Além disso, servidores concursados também avaliam aderir à greve.
O movimento envolve trabalhadores de diversas categorias e tem como principais pontos a regularização do fornecimento de insumos nas unidades, melhorias nas condições de trabalho, previsibilidade nos pagamentos e a revisão de editais que, na avaliação dos sindicatos, comprometem direitos e a qualidade da assistência prestada à população.
De acordo com os profissionais, a paralisação ocorre em meio a um cenário de instabilidade, marcado por atrasos salariais recorrentes e pela falta de materiais básicos nas unidades de saúde. Além disso, os trabalhadores reivindicam a manutenção do Edital de Chamamento nº 06/2024 e a revogação do Edital de Chamamento nº 03/2025, que prevê redução de até 35% nos honorários médicos e estabelece jornadas de até 24 horas contínuas, sem descanso considerado adequado pelas entidades.
Outro ponto do movimento é a crítica à forma como a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) vem se comunicando com sindicatos e profissionais. Segundo a presidente do Sindicato dos Enfermeiros do Estado de Goiás (SIEG), Dionne Hallyson Silva de Siqueira, a ausência de diálogo tem agravado as tensões e dificultado a resolução dos problemas enfrentados diariamente nas unidades.
Por isso, as entidades cobram a reativação da mesa de negociação permanente do Sistema Único de Saúde (SUS), espaço que permitiria interlocução contínua entre gestores e representantes dos trabalhadores.
Em entrevista ao Jornal Opção, a presidente do Sindicato dos Trabalhadores do Sistema Único de Saúde no Estado de Goiás (Sindsaúde/GO), Neia Vieira, explicou que a greve começa no Centro Integrado de Atenção Médico-Sanitária (CIAMS) Jardim América, motivada por um conjunto de fatores. “Hoje tem o início da greve dos credenciados lá no Centro Integrado de Atenção Médico-Sanitária (CIAMS) Jardim América, exatamente por todas essas questões que são colocadas além do atraso salarial recorrente”, afirmou.
Segundo ela, embora o pagamento referente ao mês de novembro tenha sido feito na última sexta-feira, 9, os atrasos se tornaram frequentes e afetam diretamente a organização financeira dos trabalhadores. Neia Vieira destacou ainda que o movimento não se restringe a uma única categoria. “A paralisação não é apenas dos médicos, a paralisação é de todos os trabalhadores credenciados”, ressaltou.
A dirigente sindical explicou que a decisão foi tomada após uma assembleia conjunta realizada na sexta-feira, com a participação de diferentes entidades representativas da área da saúde.
Embora o Sindicato dos Médicos no Estado de Goiás (SIMEGO) não tenha participado, por já ter realizado assembleia própria anteriormente, sindicatos de farmacêuticos, enfermeiros, auxiliares, técnicos de enfermagem e demais profissionais estiveram presentes. “A deliberação foi para que o início da greve se dê hoje”, completou.
Também em entrevista ao Jornal Opção, a presidente do SIEG, Dionne Siqueira, confirmou a adesão dos enfermeiros ao movimento e reforçou que a insatisfação vai além da questão salarial. “Os enfermeiros estão sim participando da paralisação. Já tem tempo que a gente está tentando conversar com a Secretaria de Saúde e a gente não consegue, a gente não tem essas portas abertas”, declarou.
Segundo Dionne, a precariedade das condições de trabalho é uma constante nas unidades. Falta de materiais, ausência de insumos e dificuldades estruturais se repetem ao longo dos meses, gerando desgaste entre os profissionais. Ela explicou que o estopim para a greve foi a falta de informações sobre pagamentos recentes.
“Essa greve, o que deu o up mesmo, foi porque os credenciados, eles não receberam e não tiveram nenhuma informação a respeito disso”, disse.
Embora o pagamento tenha sido efetuado posteriormente, a presidente do SIEG afirmou que a paralisação desta terça-feira é direcionada especificamente aos credenciados, mas alertou para a possibilidade de ampliação do movimento.
Segundo ela, uma nova assembleia deve ser realizada, já que servidores concursados também avaliam aderir à greve, diante de demandas semelhantes e da dificuldade de negociação com a gestão municipal.
Ao defender a reativação da mesa de negociação permanente do SUS, Dionne destacou que o espaço é fundamental para garantir transparência e diálogo institucional. Para ela, o atual modelo de gestão tem afastado os trabalhadores das decisões, o que contraria princípios defendidos pelo Conselho Nacional de Saúde e pelo próprio SUS, que prevê uma gestão compartilhada.
Além disso, a presidente do SIEG chamou atenção para o aumento dos episódios de tensão dentro das unidades de saúde. Segundo ela, a falta de medicamentos, materiais e pessoal suficiente acaba gerando insatisfação nos usuários, que muitas vezes direcionam a frustração aos profissionais que estão na linha de frente. “Agora o grande problema é a condição de trabalho mesmo”, afirmou, ao citar casos de assédio e agressões, muitas vezes não formalizadas, mas recorrentes.
FONTE : JORNAL OPÇÃO
