Romeu Zema e Ronaldo Caiado: aliança pode reconfigurar a política nacional | Foto: Guilherme Alves/Jornal Opção
Consta que quem ganha em Minas ganha no país. E o Estado sempre esteve no palco nacional, desde 1930 até a redemocratização em 1985, com Tancredo Neves
Quem observa o pré-candidato do PL a presidente da República, Flávio Bolsonaro, pode pensar que está no ataque.
Na verdade, Flávio Bolsonaro está na defensiva. Porque sua ligação com Daniel Vorcaro — que deu mais de 60 milhões de reais para a produção de um filme, “Dark Horse”, sobre eu pai, Jair Bolsonaro — ainda não foi devida e amplamente esclarecida.
Se confirmado que parte do dinheiro de Daniel Vorcaro, do Banco Master, não foi exatamente para o filme, e sim para membros da família Bolsonaro, como Eduardo Bolsonaro, as coisas se complicação para o postulante do PL.
Mais: novas denúncias devem surgir contra Flávio Bolsonaro, o que pode complicar sua imagem, não com os bolsonaristas, que estão “anestesiados”, e sim com parte substancial dos eleitores de direita e de centro-direita que, neste momento, ainda o percebe como o nome mais decisivo para tentar derrotar o presidente Lula da Silva, do PT.
Se Flávio Bolsonaro passas mais tempo na defensiva, tentando se explicar, sua campanha pode não deslanchar.

Flávio Bolsonaro pode derreter até agosto | Foto: Carlos Moura/Agência Senado
Grandes mudanças políticas começam em Minas
Se isto acontecer abre-se espaço para uma aliança encorpada entre os pré-candidatos a presidente pelo PSD, Ronaldo Caiado, e pelo partido Novo, Romeu Zema.
A tendência, no caso de composição, é de Romeu Zema se tornar vice de Ronaldo Caiado. Porque o goiano tem mais presença nacional e discurso político mais afiado e contundente. Zema pode atrair o empresariado.
Ronaldo Caiado e Romeu são gestores e políticos. Durante a campanha, juntos, terão o que apresentar ao país, de maneira propositiva e produtiva. Já Flávio Bolsonaro tem, se tiver, no máximo, uma carta de intenções.

Getúlio Vargas e Tancredo Neves: mudanças nacionais costumam começar por Minas Gerais | Foto: Reprodução
Ademais, como se sabe, tudo, no Brasil, começa em Minas. A Independência começou, de alguma maneira, em Minas, com a Inconfidência Mineira de Tiradentes. A revolução que colocou Getúlio Vargas no poder, em 1930, só foi possível porque começou com o apoio de Minas. Antônio Carlos de Andrade ajudou Getúlio Vargas, gaúcho, a se tornar presidente da República.
Em 1964, o golpe de Estado que derrubou o presidente João Goulart, começou em Minas, com o governador Magalhães Pinto e o general Olímpio Mourão Filho.
Depois, em 1985, a redemocratização, em termos nacionais, também começou em Minas, com a vitória de Tancredo Neves para presidente da República, no Colégio Eleitoral.

Daniel Vorcaro: o fantasma do banqueiro vai assombrar o bolsonarismo até outubro | Foto: Redes sociais
Então, em 2026, Minas (com seu eleitorado gigante), com o apoio de Goiás, poderá voltar ao centro da política nacional. (Dizem que quem ganha em Minas ganha no país.)
Por seu turno, Ronaldo Caiado poderá mostrar o exemplo de sua gestão eficiente, com uma segurança pública que se tornou modelo para o país.
A direita democrática, com a chapa Ronaldo Caiado e Romeu Zema, poderá, adiante, polarizar com Lula da Silva. Parte dos eleitores brasileiros talvez nem queira Flávio Bolsonaro. O que quer, quem sabe, é uma alternativa, civilizada e democrática, para superar o petista. (E.F.B.)
FONTE: JORNAL OPÇÃO






